Países dos leitores

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

«As "Birras" à volta do AO: último capítulo ?!...»

"....Parece que a guerrilha à volta do AO voltou, agora que se está a aproximar a data da sua entrada em vigor.A polémica continua, impulsionada pelos fundamentalistas e pelos defensores de interesses já nada misteriosos.
Disse-se de tudo: “o mais espantoso é que Portugal tenha concordado em assiná-lo; “Portugal saiu machucado”; “Portugal perdeu toda a dignidade filológica”; “…os burocratas que trabalharam este acordo insensato…”; “…deve haver uma Academia que proponha uma ortografia…”; etc.,etc. Tanta bizarria e tão pouco conhecimento dos antecedentes.A maioria ignora, propositadamente ou por desconhecimento, que as ortografias evoluem e tudo se pode convencionar. Peguemos em dois exemplos bem elucidativos.

No Século XIII, o português escrevia-se assim:
"Otra uice ueneruli filar ante seus filios quato qve li agaru i quele casal"; (em versão moderna será: "Outra vez, vieram tomar ante seus filhos quanto lhes acharam em aquele casal").
(excerto de “Notícia de Torto”(1214)................

................Posteriormente, têm sido feitas várias tentativas, de ambas as partes, de chegarem a um acordo, nomeadamente, em 1967, 1971, 1975, 1986, 1988, 1990 e…já sabemos como acabou e já não era sem tempo !...Parece impossível ter sido necessário tanto tempo para se chegar a um acordo sobre um nstrumento tão importante como é a língua. Cerca de 130 anos !...
Será que, a partir de agora, os manuais e os anúncios de funções computorizadas deixarão de utilizar as designações ridículas de “português de Portugal”….e ”português do Brasil”…?!
A minha impressora é um exemplo significativo desta dicotomia: se eu escolher o “português do Brasil” ela avisa-me que “a impressão começou”; se eu escolher o “ português de Portugal” ela diz-me que “a impressão foi iniciada”! Que tal ?...
Não há dúvida que já era tempo das negociações sobre o acordo ortográfico deixarem de ser brincadeira de jardim infantil.
Será que deixaram de ser ?!... O tempo o dirá...

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