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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

- "Pois bem !", de Afonso lopes Vieira



Por Afonso Lopes Vieira

 (Leiria 1878 - Lisboa 1946)


Pois bem! 


Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...

E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e
 às gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear.

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei à orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.

Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P.S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

- Os avalistas da Lusofonia"

VIEIRA E CAMÕES
OS AVALISTAS DA LUSOFONIA.

J. Jorge Peralta
Diz-nos Pessoa que nossa pátria é a Língua Portuguesa
Uma pátria de muitos países, povos e nações
Uma pátria lusofônica, multiétnica, multinacional e multicultural
nos quatro cantos do mundo sediado.
Esta é uma realidade fantástica
que a todos engrandece e espanta,
nosso coração aquece e nossa força rejuvenesce.

Camões e Vieira são símbolos vitais
de nossa cultura e de nossos ideais.
 Ao lado de Pessoa, Eça, Antero e  Drummond,
Rosa, Gonçalves Dias, Castro Alves e Rui Barbosa,
estamos ladeado por uma plêiade imensa de imortais
das ciências, das letras e das artes,de todo o espaço lusófono procedentes.

São símbolos vitais da nação lusofalante:
e a  Torre de Belém e o Mosteiro da Batalha,
A Catedral de Brasília e o Cristo Redentor
E mais uma lista que não se acaba,
na Europa, na Ásia, nas Américas, na África,
no Oriente e no Ocidente.
Onde quer que haja uma comunidade Lusofalante.

São relicários de nossa auto-estima
E do orgulho nacional, lingüístico e cultural.
São obras monumentais, para honra e glória de nossa gente.
São fortes agentes da unidade e da solidariedade nacional,
e de toda a lusofonia.

Camões e Vieira são os avalistas da lusofonia,
desta comunidade imensa de pessoas de muitas etnias.
É uma “pátria” irmanada num idioma culto e belo,
a Língua Portuguesa, nosso veículo de comunicação,
de pensamento, de sentimentos e de ação.
É nossa pátria, nosso chão.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

-" O amor em teu peito se petrificou "



O amor em teu peito se petrificou
não olha para trás
não se desfaz
mas não pulsa mais

não dizes mais certas palavrinhas
que eram os nossos mimos
não me chegam aos olhos
nada do que vai em teu pensamento

ainda falo de mim
e percebo que não te interessas
pareço um disco arranhado
no toca-discos em que
baixaste o volume

o amor deixou meu peito em carne viva
nossas carnes febris
que ficaram para trás
não se desfaz
e ainda pulsa.


∂є srtα α∂riαηα costα

quinta-feira, 1 de abril de 2010

-" 4 Notícias Assombrosas "

- Segundo informações fidedignas da ONU, o Conselho de Segurança declarou que, nesta data, não existem quaisquer confrontos sangrentos e que, após prolongadas negociações, as fábricas de armamento decidiram encerrar as suas portas.

- Para surpresa de todo o Mundo, o Grupo Bilderberg anunciou a sua dissolução (
será que se cansaram de causar guerras e miséria ?).

- O Hammas celebrou um acordo de paz com o Estado de Israel, comprometendo-se a não promover mais casamentos de homens adultos com meninas de doze anos de idade.

- E, para finalizar, a mais inacreditável:


Foi apurado através de um inquérito efetuado no Brasil, que a maioria dos brasileiros já não acredita que todas as mulheres portuguesas têm bigode.
Esta conclusão foi uma surpresa, porque tal noção estava tão enraizada entre os brasileiros, que as portuguesas que iam ao Brasil se sentiam inferiorizadas por não poderem exibir o referido adorno piloso.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

-" Homenagem a Rosa Lobato Faria"



Por sugestão do nosso colaborador Canojones, juntamos um vídeo de uma composição que tem um dos mais belos poemas de Rosa Lobato Faria




domingo, 24 de janeiro de 2010

-" A Grande Elza Soares "

A nossa amiga Adriana Costa enviou-me esta fabulosa interpretação de Elza Soares que eu aproveito para publicar, procurando compensar a maldade de ontem.
Estou certo que vão gostar porque esta mulher é única no seu estilo profissional e no seu estilo de vida.
Esta interpretação é tão excelente que não resisti a publicá-la na página principal do blogue, embora em pequenas dimensões. Porém, recomendo, vivamente, que o vejam em tamanho grande em

«
http://rosadosventosvideo.blogspot.com/ ».



domingo, 22 de novembro de 2009

-" Homens Maduros "

Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor. Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacaremos aqui uma classe de Homens que são companhias agradabilíssimas: Os que hoje são quarentões, cinquentões e sessentões.
( o texto continua em http://rosadosventos2.blogspot.com )


© Lisiê Silva(28/01/03) « http://lisiesilva.com/ »
(Direitos autorais reservados à autora)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

-" Uma poesia genial de Clarice Lispector "

VEJAM O TALENTO DE CLARICE LISPECTOR E A RIQUEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Esta poesia sendo lida do modo normal tem um determinado sentido. Lida de baixo para cima adquire um sentido totalmente inverso ; sem qualquer alteração de palavras ou de pontuação.
Esta mulher era dona de uma genialidade assombrosa.


Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza de que
Nada foi em vão.
Sei dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer nunca que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais...


Leia, agora, de baixo para cima.!...

Clarice Lispector, é uma poetisa brasileira ( 1920 – 1977 ) , escritora e jornalista, de extraordinário talento. A ela muito se deve a evolução da literatura no seu país.
Na II Guerra Mundial, apesar de esposa de um diplomata, foi voluntária, como enfermeira, ao serviço do Corpo Expedicionário Brasileiro.

É, sem dúvida um dos pilares que honram a literatura lusófona,

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

-" Recordemos Amália "

Faz amanhã 10 anos que ela faleceu mas não nos deixou ; continua a ser a inconfundível e incomparável Amália Rodrigues.
Uma pequena homenagem recordando-a a cantar um soneto de Luíz de Camões com música de Alan Oulman


terça-feira, 16 de junho de 2009

Clausura


Sou um quarto fechado
com fotografias nas paredes
e espessas cortinas sobre os olhos
macio carpete de sofrimentos
para o andar descalço

Tranquei as portas deste corpo

Posso te ouvir bater
não me abro
Porque quero que me cerques
por todas as janelas e portas
impossíveis

Se conseguires entrar
ilumine os corredores
que tenho percorrido
tentando encontrar
a mim mesma

Deito na cama fria
das entranhas
e não durmo

Tua voz é o som da noite.

Texto de Adriana Costa especialmente para o blogue Rosa dos Ventos.
Imagem: Praia do Murubira, Ilha de Mosqueiro, Pará, por Adriana Costa.

sexta-feira, 27 de março de 2009

- Lusofonia



«Gosto de sentir minha língua roçar a língua de Luís de Camões»
Caetano Veloso


Palavras tuas, ou minhas.
Por naus ou jangadas levadas
Disseminam uma nova pátria
Menos tua menos minha, universal.

Gramática perfeita para sentimentos
Latinos, lusitanos ou africanos.
A bacanal de palavras portuguesas
Atravessa mares com apelo sensual.

Em Agostinho da Silva a lição
A crítica apaixonada de Gilberto Freyre
Sobre a cultura em si una e plural.

Diversos sabores de uma mesma língua
Como correntes marítimas a ligar o mesmo mar
Une-nos a língua à Portugal.


Poema publicado nos blogues:
"Versos Bárbaros", http://versosbarbaros.blogspot.com/
"OSIRISLUX" http://osirislux.blogspot.com
"Nova Águia" http://novaaguia.blogspot.com/
e "Bar do Ossian"


quarta-feira, 11 de março de 2009

« O rio corre »


O rio corre por entre enseadas

Cor de esmeralda oliva ele corre
A mata cerrada esconde por ali
Almas homens medos sonhos
O rio sobe maré mansa
A água oliva encobre solidão
De raízes aquáticas
A garça é quase um anjo
De branco sobre a lama escura
Sua graça não revela sua fome
E os peixes não se dão conta
Do pequeno espetáculo

De repente uma cortina de chuva
Grossa e prateada impede-nos
De ver a paisagem e o barco
Pequeno sacode com a ventania
Um deus resolveu regar corações
Cabeças membros sentimentos
É a estação-Era das secas para o homem
Ele pesca e não come
Ele planta e não come
Ele vende e não come
A cortina-chuva atravessa toda a região
E vai molhar outros sofrimentos

Adriana Costa

Poema publicado na 2ª edição da revista Nova Águia

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Poema do Amor Impetuoso

Que eu beba a sua praticidade
Comerei cada atitude sua sensata
Posso respirar a tua objetividade

Adentrar devagar e dócil
no seu pomar de virtudes
E colher as maduras frutas sãs

Mas não poderás beber da minha
audácia ou da minha coragem
Nem comerás a insensatez

do meu coração apaixonado
No meu jardim chove
diariamente e as flores

desabrocham lascivas nas
mãos ao sabor do vento
luxurioso da paixão voraz

Na minha casa em ruínas
não habitarás porque
em minha cama desfeita

Só deita quem já chorou
sofreu e se embriagou
na impetuosa taça do amor.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

« Ausência »

Secou o rio da minha terra.
As videiras à beira do caminho não existem mais.
O rio da internet não une. É muito frágil;

Virtual, camaradagem livre, casual.
Livre e sem compromisso de sangue...
Sem consagração real de amizade.

Já as lágrimas... talvez...
Só a micro porção de sal sobre o papel.
Talvez passem com o vento.

Mas talvez não aquém teclado.
Do teclado além não vão sentimentos.
Nem lágrimas.

Ruíram os sonhos mais belos.
Os mais belos instantes também se apagaram.
Escureceu-os o tempo, sumiram os horizontes.

Apagaram-se as luzes e já no escuro,
O presente sem direção é sem instantes...
Nem presente, passado nem futuro...

Só Ausência...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

« Teus Beijos »


São uvas teus beijos
Esferas suculentas
A estourar no céu da boca
Escorre a saliva em puro vinho
Vinho suave
Da tua boca para a minha
Amado Baco
Sempre com sede de ti
Embriagada pelo teu amor.

Poema de Adriana Costa, anteriormente publicado em Versos Bárbaros e Overmundo
Ilustração: Arquivo pessoal e arte digital da própria autora.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

« Os sete pecados capitais do amor »

Texto de Adriana Costa

Gula
O meu olhar
te engole e te bebe

desde tua sombra
até o que respiras
Inveja
Invejam os astros dia a dia
o brilho estelar dos teus olhos
e o sorriso nacarado
que observo sem piscar
provocas os deuses
com o tecido nobre de tua
pele morena
Avareza
Não te empresto a um olhar sequer
Estou te acumulando
em memórias
só para mim
Luxúria
Tens-me
lasciva e devassa
líquida
a escorrer pelo teu corpo
em forma de língua
Soberba
Têm brilho argênteo
nossas umidades
e os pêlos
luzem mais
que mil sóis
Preguiça
Arrasta-me
para fora da cama
se não me quiseres
Leva-me embora
Mas leva-me nos braços
Ira
Odeio este amor
que me extravasa
rasgando-me a pele
como a um papel.

Imagem: "O Abandono" de Camille Claudel

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

« AS MENSAGENS "SMS" E A POESIA »


Como é sabido, uma das vantagens das mensagens por telemóvel é obrigar ao poder de síntese.
Felizmente os portugueses, que foram pioneiros em muitas coisas, despertaram com as novas tecnologias e, em muitos campos, voltaram a ser pioneiros. Foram dos primeiros a introduzir o Mutibanco, foram os criadores da “via-verde”, estão em segundo lugar na lista dos maiores utilizadores de telemóvel “per capita”, foram os primeiros a introduzir o cartão pré-pago para os telemóveis, etc…..
Ultimamente, tornaram-se pioneiros na introdução da poesia no mundo das mensagens por telemóvel.
Não que isto me surpreenda, porque os portugueses sempre tiveram grande apetência para a poesia e, embora pareça paradoxal, para a tecnologia.

Chegou-me às mãos esta maravilhosa mensagem cheia de poesia que pode, de maneira bem vincada, confirmar o que acima foi dito:

Mãe !
Cada palavra que me ensinaste
repete mil vezes o teu nome.

Será que o poder de síntese a que as mensagens por SMS obrigam vai introduzir mais poesia nas nossas vidas ?!...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Imago
Texto de Adriana Costa

Tem amor que sofre uma metamorfose invertida
Começa imago a voar com grandes asas de desejo
se equilibrando a cada brisa de emoção
desafiando
mas à primeira decepção vira larva
e se arrasta como pode
com o tempo trava-se o silêncio dentro da crisálida
amor sem palavras
até olhar somente para dentro
em fase de ovo.
Comentário: que maneira tão bela de versejar ! Em pouco frases a autora consegue descrever
todos os passos da paixão utilizando a bela imagem da "metamorfose invertida".
É bem verdade que quando queremos dizer algo em poucas palavras devemos perguntar aos poetas.
Depois de ler estes versos o mínimo que se pode dizer é que a poesia corre nas veias da autora.
fronteiras
Texto de Adriana Costa

O toque da tua pele eu anseio
E desejo as carícias de tuas mãos
Colhendo os frutos do desejo em meus seios

Imploro a umidade dos teus lábios doces
E a invasão da tua língua em minha boca
Sou um país aguardando a tua posse
Finca tua bandeira com dentes em minha pele
Explora a perder de vista meus horizontes
Amor sem fronteiras que se revele

http://vERSOS bÁRBAROS,blogspot.com


sábado, 22 de novembro de 2008

...a vida passa num instante/ e um instante é muito pouco para sonhar."

Os dias são povoados
Pela raiva de sentir
Que não és livre de ti
Porque te aprisionaste
E recusaste o porvir
E, agora só me resta
fugir eu de mim também.
Fugir incessantemente
E tornar-me degredado
Recusar este fado
que me estava destinado.

Quisera eu aprisionar-te
sem nunca te poder ter.
Ao ter-te, não te teria.
como não te tenho agora,
nem nunca terei um dia.

Não és livre de sentir.
E apenas nos unimos
Na desunião,
que nos completa.
Apenas nos encontramos
no espaço
Entre dois silêncios.
O teu e o meu,
E calados
Desejamos
Nunca ter sido assim.

Maria João Nunes
in «http://aarrobadaspalavras.blogspot.com»