Exausta, esgotada em recursos e vontade combativa após a Guerra da Sucessão Espanhola, a Europa foi surpreendida em 1714 com nova investida turca. O Sultão sentira a debilidade, o cansaço, a animosidade entre os grandes poderes católicos do Ocidente, e dispôs-se a atacá-los justamente quando estes pareciam mais débeis. Marchou sobre a Moreia, na Grécia, à data província da Sereníssima República de Veneza; o Doge reagiu implorando a intervenção da Santa Sé e, através dela, a ajuda das monarquias europeias. Mas estas mostraram-se, em geral, desinteressadas da luta. Espanha, mal refeita das lutas da década anterior, mais não enviou para o Mediterrâneo que fraca armada; a Áustria possuía forte exército, mas nenhum poder marítimo com que confrontar o de Istambul; a França, que até 1715 travara com Viena duríssima guerra pelo controlo do trono espanhol, não quis combater ao lado dos austríacos.
Perante a indiferença geral, acudiu às súplicas de Veneza - e aos sustentados, mas até então ineficazes, pedidos do Papa - o rei de Portugal. Lisboa vivia então, com Dom João V, um período de renovada grandeza. Devolvido à sua condição natural de forte potência naval, Portugal fazia-se ouvir pela Europa; a sua marinha, acarinhada pelo Infante Dom Francisco, conhecia então vigor que não mais recuperaria, e que a colocava entre as primeiras do continente. O Rei Magnânimo compreendeu que a luta pelo Mediterrâneo Oriental, onde os turcos se recompunham da derrota sofrida trinta e quatro anos antes em Viena, era de importância essencial para Portugal, a Europa e a Cristandade. Percebeu, ainda, que ali se apresentava oportunidade preciosa para que Portugal recuperasse o prestígio de outrora pagando-o a pólvora, aço e sangue.
Pólvora, aço e sangue foi, pois, o que Dom João tratou de oferecer ao Turco. O Infante Dom Francisco - príncipe apaixonado, como é comum entre os Braganças, pelos assuntos do mar - armou a frota. Eram onze impecáveis naves, sete de combate e quatro de apoio, tripuladas por 3840 homens adestradíssimos, apetrechadíssimos, preparadíssimos na arte da luta no mar. Carregavam quinhentas e vinte e seis peças de forte aço português; eram duas vezes e meia as usadas por Napoleão em Waterloo. A comandar a frota, na nau Nossa Senhora da Conceição, ia Dom Lopo Furtado de Mendonça, Conde do Rio Grande. Acompanhavam-no à cabeça da hierarquia da expedição as naus Nossa Senhora do Pilar, de oitenta e quatro peças, em que seguia o Conde de São Vicente como vice-almirante, e a Nossa Senhora da Assunção, capitaneada por Pedro de Castelo Branco e munida de sessenta e seis peças.
A dois de Julho, as armadas da coligação cristã juntavam-se a sul da Messénia, no Peloponeso. Eram, coligadas, fortes de trinta e cinco navios, dos quais os portugueses contavam entre os maiores e mais modernos. A batalha deu-se a 19 de Julho frente ao cabo Matapão. Os turcos tinham ao seu dispor força maior, de cinquenta e cinco navios; os cristãos, apenas trinta e cinco. Possuíam, também, o que seria então um dos maiores vasos militares do mundo: o Kebir Üç Ambarlı, de cento e catorze peças, em que navegava o almirante turco Kapudan Paxá. Ao se encontrarem as duas armadas, e por motivo que nunca pôde ser adequadamente esclarecido, a frota veneziana afastou-se da área de combate; frente à força turca, pois, ficou apenas a de Portugal. Desenrolou-se depois feroz duelo de artilharia entre as naus cristãs, quase limitadas à armada portuguesa e a duas embarcações da Ordem de Malta, e o conjunto otomano. Um grande navio turco foi atingido e posto em chamas; os restantes, vendo a desgraça de uma das principais naves da sua frota, deixadas sem pólvora e temendo a artilharia portuguesa, abandonaram o local e rumaram, desordenadas e batidas, a porto amigo. Travara-se grande recontro, e Portugal levara a Europa cristã à vitória sobre o Califa do Islão.
Depois da batalha, toda a armada cristã regressou à Itália. Os portugueses, vitoriosos, foram cumulados de honrarias por uma Europa agradecida. Em Messina, onde os navios de Portugal foram aportar, fizeram-se festas e fogos de artifício em celebração do Rei Magnânimo e sua armada; ao Conde de Rio Grande, Dom Lopo Furtado de Mendonça, chegou uma carta do Papa Clemente XI dando-lhe conta da gratidão papal; em Lisboa apareceria, pouco depois, grande embaixada veneziana de tributo e agradecimento. Maior honra se fez à Igreja portuguesa, passando a capital portuguesa a sede de um dos quatro patriarcados do Ocidente latino, juntamente com Roma, Veneza e as Índias Ocidentais. Fora uma das mais arriscadas empresas algumas vez tentadas pela marinha portuguesa, e resultara em triunfo absoluto.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2020
"303 anos da Batalha de Matapão"
A Europa actual, tantas vezes mesquinha com Portugal, nada perderia recordando este dia em que foi por ele resgatada da mão do Califa de Istambul.
Fonte: Nova Portugalidade
sábado, 16 de dezembro de 2017
-" O Navio-escola "SAGRES"
O "NRP Sagres" é o principal navio-escola da Marinha Portuguesa e é o
terceiro navio com esse nome a desempenhar funções de instrução; por
isso, é também chamado de "Sagres III".
(FOTO)
É o navio mais conhecido das Forças Armadas de Portugal, identificado pelas suas velas ostentando a cruz da Ordem de Cristo. Além das funções de navio-escola também tem sido utilizado na representação nacinal e internacional da marinha e de Portugal.
Em 19 de janeiro de 2010, partiu para a terceira volta ao mundo e passados 11 meses regressou a Lisboa depois de ter escalado 28 portos, ter navegado 5.500 horas e ter sido visitado por cerca de 300.000 pessoas.
Além das circum-navegações, a Sagres III participou na Regata Colombo (1992), nas comemorações dos 450 anos da chegada dos Portugueses ao Japão (1993) e ainda nas celebrações por ocasião dos 500 anos da Descoberta do Brasil (2000).
sexta-feira, 24 de março de 2017
- "A Batalha Naval de Diu"
PORTA-DE-ARMAS DA FORTALEZA DE DIU
A batalha naval de Diu foi de importância decisiva na geopolítica portuguesa e na demonstração da superioridade naval de Portugal e na sua afirmação como superpotência. Abalou o prestígio dos sultões egípcios que governavam o Império Mameluco e dos turcos do Império Otomano, bem como, mostrou aos indianos que os portugueses não só eram invencíveis para eles mas também para os rumes do Egito e para a artilharia de Veneza.
Na batalha naval de Diu, de 3 de Fevereiro de 1509, sob o comando do vice-rei Francisco de Almeida, os portugueses derrotaram uma armada de forças combinadas do sultão otomano, do sultão de Guzerate (na Índia), do sultão mameluco do Cairo e do rajá de Calecute, que foram apoiados pelas Repúblicas de Veneza e de Ragusa (hoje Dubrovnik, na Croácia).
As forças em presença foram: 18 velas portuguesas contra 12 velas dos rumes e cerca de 80 galés de Calecute e Guzarate.
As forças em presença foram: 18 velas portuguesas contra 12 velas dos rumes e cerca de 80 galés de Calecute e Guzarate.
Segundo o comandante Saturnino Monteiro afirma, no seu livro "Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa", a batalha de Diu foi a mais importante de toda a história da marinha portuguesa e uma das mais importantes da história universal, que deveria ser valorizada pelos portugueses da mesma forma como os espanhóis e venezianos fazem com a batalha de Lepanto, os ingleses com a do Nilo e a de Trafalgar e os japoneses com a de Tsushima.
terça-feira, 12 de abril de 2016
-"Marinha dos EUA e Terrorismo: 200 anos de convivência"
Quando em 1 de março de 2008, a garrafa de champagne se partiu ( só à segunda tentativa ) no batismo do "USS Navy New York", poucos estariam conscientes de que estavam a assistir a uma repetição da História.
O "USS Navy New York", foi construido, em parte, com o aço recuperado do World Trade Center, depois do covarde ataque perpetrado por terroristas muçulmanos e é um "Transporte Anfíbio, da classe Santo António" destinado ao combate ao terrorismo, podendo transportar 360 marinheiros e 700 fuzileiros navais.
Os piratas muçulmanos, além de atacarem frequentemente o litoral português, espanhol, francês e italiano, fazendo vítimas e escravos, saqueavam as cargas dos navios e cobravam fortunas pelos resgates.
Em 1786, Tohmas Jefferson e John Adams encontraram-se com Sidi Haji Abdul Rahman Adja, embaixador dos povos da região de Tripoli e Jefferson quis saber em que direito se baseavam os muçulmanos para continuarem a sequestrar e a matar americanos. O embaixador terá respondido que " o Islão foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras e que é direito e dever declarar guerra contra os seua cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos."
Segundo consta, Jefferson ficou muito chocado com a resposta mas o governo americano continuou a pagar. As quantias pagas pelos resgates representavam 16% do orçamento federal e já atingiam 20% quando John Adams se tornou Presidente, em 1797.
Em 1801, logo após Jefferson ter sido eleito Presidente, os piratas aumentaram o preço da autorização para navegar nas "suas águas" e Jefferson, que sempre tinha sido contra o pagamento dos resgates, decide não pagar.
Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Tripoli tomaram a embaixada americana e declararam guerra aos EUA.
Tunísia, Marrocos e Argélia juntaram-se aos líbios, ficando todo o norte de África, com exceção do Egito, em guerra com os EUA.
Felizmente, para Thomas Jefferson, anteriormente já havia planos para combater os piratas e o Congresso tinha aprovado, em 1794, a recuperação da marinha de guerra que fora dissolvida após a Independência.
Foram construidas seis fragatas destinadas a combater os piratas muçulmanos e foram elas que foram enviadas para o Mediterrâneo. Um acontecimento muito semelhante ao que iria acontecer 200 anos depois.
O conflito durou até 1805, terminando com vitória dos americanos que ocuparam a zona durante alguns anos para manter a paz.
Ainda há quem duvide de que a História sempre se repete !AN
domingo, 29 de setembro de 2013
-" A Marinha Portuguesa "
Por: Arnaldo Norton
Marinha mercante, com maior ou menor significado, sempre existiu; mas a criação de uma Marinha de Guerra foi mérito dos portugueses.
Marinha mercante, com maior ou menor significado, sempre existiu; mas a criação de uma Marinha de Guerra foi mérito dos portugueses.
A Marinha de
Guerra portuguesa é tão antiga quanto a nacionalidade e é considerada a mais
antiga de todas as Forças Armadas do mundo, qualidade estabelecida por uma bula
papal. Ainda hoje, em desfiles navais, os navios portugueses vão à frente, como
reconhecimento da sua antiguidade.
A
primeira batalha da Marinha portuguesa de que há registo deu-se ao largo do
cabo Espichel, em 1180, tendo a esquadra portuguesa derrotado uma força
invasora muçulmana.
Em 1312, por decisão do rei D.Dinis,é criada a
Marinha Real e o cargo de Almirante-Mor.
O valor da Marinha de Guerra portuguesa está bem patente no Tratado de Windsor (1386),
no
qual o rei de Portugal se compromete a auxiliar militarmente o rei de
Inglaterra enviando,
anualmente, para aquele reino uma armada de dez galés
Quando
no final do século XIV se inicía a expansão portuguesa a Marinha irá desempenhar
o papel principal, explorando os mares e descobrindo novas terras.
Com a chegada à India e com o desmembramento da rota muçulmana/
veneziana das especiarias e consequente formação do monopólio português, a
Marinha de Guerra passa a ter um papel decisivo na proteção dos navios
mercantes e no combate às forças que se opunham ao domínio português atuando em
todos os Oceanos..
O volume do comércio com a Ásia, a África e a América,
fizeram com que Portugal tivesse necessidade de construir navios de maior
capacidade de carga e de maior força bélica. Com a introdução da artilharia
pesada a bordo dos navios a armada portuguesa adquiriu uma força inigualável.
No princípio do século XVI,
Portugal tinha os maiores navios jamais concebidos, contando já com 400 de alto
bordo, entre naus, galeões e caravelas. A Inglaterra tinha apenas 20 navios de
alto bordo e Espanha menos de 70, entrte galeões e naus.
A nau São Gabriel deslocava 300 tonéis, a Fror de la Mar 400
e, em apenas dez anos, o tamanho dos navios mais que duplicou, chegando a
atingir 1.000 tonéis como no caso do galeão Santa Catarina do Monte Sinai.
A nova tecnologia permitiu que naus e galeões, além de maior capacidade de carga, tivessem enorme poder bélico e pudessem transportar soldados. Nasceram, assim, os Fuzileiros Navais.
A nova tecnologia permitiu que naus e galeões, além de maior capacidade de carga, tivessem enorme poder bélico e pudessem transportar soldados. Nasceram, assim, os Fuzileiros Navais.
Como exemplos, posso referir:
a nau Fror de la
Mar que deslocava 400 tonéis, tinha 40 canhões
de bronze, com uma cadência de tiro de meio minuto e era uma autêntica
fortaleza flutuante com uma equipagem de
50 marinheiros e centena e meia de soldados equipados para a guerra;
e o galeão São João
Batista, conhecido pela alcunha de Botafogo, o mais poderoso navio de
guerra do mundo, topo de gama naquela época: 1.000 tonéis, 366 bocas de fogo de
bronze e um esporão assombroso que rompeu as correntes que protegiam a cidade
de Tunes, durante a batalha de Lepanto, na qual Portugal auxiliou as forças do imperador
Carlos V.
É esta gloriosa Marinha que tem o lema:”A Pátria honrai que a Pátria
vos comtempla”.
NRP Sagres o embelmático navio-escola da Marinha portugues
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