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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

"303 anos da Batalha de Matapão"

Exausta, esgotada em recursos e vontade combativa após a Guerra da Sucessão Espanhola, a Europa foi surpreendida em 1714 com nova investida turca. O Sultão sentira a debilidade, o cansaço, a animosidade entre os grandes poderes católicos do Ocidente, e dispôs-se a atacá-los justamente quando estes pareciam mais débeis. Marchou sobre a Moreia, na Grécia, à data província da Sereníssima República de Veneza; o Doge reagiu implorando a intervenção da Santa Sé e, através dela, a ajuda das monarquias europeias. Mas estas mostraram-se, em geral, desinteressadas da luta. Espanha, mal refeita das lutas da década anterior, mais não enviou para o Mediterrâneo que fraca armada; a Áustria possuía forte exército, mas nenhum poder marítimo com que confrontar o de Istambul; a França, que até 1715 travara com Viena duríssima guerra pelo controlo do trono espanhol, não quis combater ao lado dos austríacos.

Perante a indiferença geral, acudiu às súplicas de Veneza - e aos sustentados, mas até então ineficazes, pedidos do Papa - o rei de Portugal. Lisboa vivia então, com Dom João V, um período de renovada grandeza. Devolvido à sua condição natural de forte potência naval, Portugal fazia-se ouvir pela Europa; a sua marinha, acarinhada pelo Infante Dom Francisco, conhecia então vigor que não mais recuperaria, e que a colocava entre as primeiras do continente. O Rei Magnânimo compreendeu que a luta pelo Mediterrâneo Oriental, onde os turcos se recompunham da derrota sofrida trinta e quatro anos antes em Viena, era de importância essencial para Portugal, a Europa e a Cristandade. Percebeu, ainda, que ali se apresentava oportunidade preciosa para que Portugal recuperasse o prestígio de outrora pagando-o a pólvora, aço e sangue.

Pólvora, aço e sangue foi, pois, o que Dom João tratou de oferecer ao Turco. O Infante Dom Francisco - príncipe apaixonado, como é comum entre os Braganças, pelos assuntos do mar - armou a frota. Eram onze impecáveis naves, sete de combate e quatro de apoio, tripuladas por 3840 homens adestradíssimos, apetrechadíssimos, preparadíssimos na arte da luta no mar. Carregavam quinhentas e vinte e seis peças de forte aço português; eram duas vezes e meia as usadas por Napoleão em Waterloo. A comandar a frota, na nau Nossa Senhora da Conceição, ia Dom Lopo Furtado de Mendonça, Conde do Rio Grande. Acompanhavam-no à cabeça da hierarquia da expedição as naus Nossa Senhora do Pilar, de oitenta e quatro peças, em que seguia o Conde de São Vicente como vice-almirante, e a Nossa Senhora da Assunção, capitaneada por Pedro de Castelo Branco e munida de sessenta e seis peças.

A dois de Julho, as armadas da coligação cristã juntavam-se a sul da Messénia, no Peloponeso. Eram, coligadas, fortes de trinta e cinco navios, dos quais os portugueses contavam entre os maiores e mais modernos. A batalha deu-se a 19 de Julho frente ao cabo Matapão. Os turcos tinham ao seu dispor força maior, de cinquenta e cinco navios; os cristãos, apenas trinta e cinco. Possuíam, também, o que seria então um dos maiores vasos militares do mundo: o Kebir Üç Ambarlı, de cento e catorze peças, em que navegava o almirante turco Kapudan Paxá. Ao se encontrarem as duas armadas, e por motivo que nunca pôde ser adequadamente esclarecido, a frota veneziana afastou-se da área de combate; frente à força turca, pois, ficou apenas a de Portugal. Desenrolou-se depois feroz duelo de artilharia entre as naus cristãs, quase limitadas à armada portuguesa e a duas embarcações da Ordem de Malta, e o conjunto otomano. Um grande navio turco foi atingido e posto em chamas; os restantes, vendo a desgraça de uma das principais naves da sua frota, deixadas sem pólvora e temendo a artilharia portuguesa, abandonaram o local e rumaram, desordenadas e batidas, a porto amigo. Travara-se grande recontro, e Portugal levara a Europa cristã à vitória sobre o Califa do Islão.

Depois da batalha, toda a armada cristã regressou à Itália. Os portugueses, vitoriosos, foram cumulados de honrarias por uma Europa agradecida. Em Messina, onde os navios de Portugal foram aportar, fizeram-se festas e fogos de artifício em celebração do Rei Magnânimo e sua armada; ao Conde de Rio Grande, Dom Lopo Furtado de Mendonça, chegou uma carta do Papa Clemente XI dando-lhe conta da gratidão papal; em Lisboa apareceria, pouco depois, grande embaixada veneziana de tributo e agradecimento. Maior honra se fez à Igreja portuguesa, passando a capital portuguesa a sede de um dos quatro patriarcados do Ocidente latino, juntamente com Roma, Veneza e as Índias Ocidentais. Fora uma das mais arriscadas empresas algumas vez tentadas pela marinha portuguesa, e resultara em triunfo absoluto.

A Europa actual, tantas vezes mesquinha com Portugal, nada perderia recordando este dia em que foi por ele resgatada da mão do Califa de Istambul.
 
Fonte: Nova Portugalidade


sábado, 16 de dezembro de 2017

-" O Navio-escola "SAGRES"

O "NRP Sagres" é o principal navio-escola da Marinha Portuguesa e é o terceiro navio com esse nome a desempenhar funções de instrução; por isso, é também chamado de "Sagres III".


                                                                                               (FOTO)

É o navio mais conhecido das Forças Armadas de Portugal, identificado pelas suas velas ostentando a cruz da Ordem de Cristo. Além das funções de navio-escola também tem sido utilizado na representação nacinal e internacional da marinha e de Portugal.
Em 19 de janeiro de 2010, partiu para a terceira volta ao mundo e passados 11 meses regressou a Lisboa depois de ter escalado 28 portos, ter navegado 5.500 horas e ter sido visitado por cerca de 300.000 pessoas.
Além das circum-navegações, a Sagres III participou na Regata Colombo (1992), nas comemorações dos 450 anos da chegada dos Portugueses ao Japão (1993) e ainda nas celebrações por ocasião dos 500 anos da Descoberta do Brasil (2000).


sexta-feira, 24 de março de 2017

- "A Batalha Naval de Diu"

PORTA-DE-ARMAS DA FORTALEZA DE DIU

A batalha naval de Diu foi de importância decisiva na geopolítica portuguesa e na demonstração da superioridade naval de Portugal e na sua afirmação como superpotência.  Abalou o prestígio dos sultões egípcios que governavam o Império Mameluco e dos turcos do Império Otomano, bem como, mostrou aos indianos que os portugueses não só eram invencíveis para eles mas também para os rumes do Egito e para a artilharia de Veneza.

Na batalha naval de Diu, de 3 de Fevereiro de 1509, sob o comando do vice-rei Francisco de Almeida, os portugueses derrotaram uma armada de forças combinadas do sultão otomano, do sultão de Guzerate (na Índia), do sultão mameluco do Cairo e do rajá de Calecute, que foram apoiados pelas Repúblicas de Veneza e de Ragusa (hoje Dubrovnik, na Croácia). 
As forças em presença foram: 18 velas portuguesas contra 12 velas dos
rumes e cerca de 80 galés de Calecute e Guzarate.



VISTA AÉREA DO QUE RESTA DA FORTALEZA DE DIU

Segundo o comandante Saturnino Monteiro afirma, no seu livro "Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa", a batalha de Diu foi a mais importante de toda a história da marinha portuguesa e uma das mais importantes da história universal, que deveria ser valorizada pelos portugueses da mesma forma como os espanhóis e venezianos fazem com a batalha de Lepanto, os ingleses com a do Nilo e a de Trafalgar e os japoneses com a de Tsushima. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

-"Marinha dos EUA e Terrorismo: 200 anos de convivência"


Quando em 1 de março de 2008, a garrafa de champagne se partiu ( só à segunda tentativa ) no batismo do "USS Navy New York", poucos estariam conscientes de que estavam a assistir a uma repetição da História.
O "USS Navy New York", foi construido, em parte, com o aço recuperado do World Trade Center, depois do covarde ataque perpetrado por terroristas muçulmanos e é um "Transporte Anfíbio, da classe Santo António" destinado ao combate ao terrorismo, podendo transportar  360 marinheiros e 700 fuzileiros navais.


A parte curiosa deste acontecimento é ser semelhante ao que aconteceu 200 anos antes, quando, em 1798, se batizava uma das fragatas que o Presidente Thomas Jefferson,  enviou para as costas do Norte de África para combaterem os piratas islâmicos (os terroristas dessa época) que sequestravam os navios que passavam no Mediterrâneo, incluindo os americanos.
Os piratas muçulmanos, além de atacarem frequentemente o litoral português, espanhol, francês e italiano, fazendo vítimas e escravos, saqueavam as cargas dos navios e cobravam fortunas pelos resgates.
Em 1786, Tohmas Jefferson e John Adams encontraram-se com Sidi Haji Abdul Rahman Adja, embaixador dos povos da região de Tripoli e Jefferson quis saber em que direito se baseavam os muçulmanos para continuarem a sequestrar e a matar americanos. O embaixador terá respondido que " o Islão foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras e que é direito e dever declarar guerra contra os seua cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos."
Segundo consta, Jefferson ficou muito chocado com a resposta mas o governo americano continuou a pagar. As quantias pagas pelos resgates representavam 16% do orçamento federal e já atingiam 20% quando John Adams se tornou Presidente, em 1797.
Em 1801, logo após Jefferson ter sido eleito Presidente, os piratas aumentaram o preço da autorização para navegar nas "suas águas" e Jefferson, que sempre tinha sido contra o pagamento dos resgates, decide não pagar.
Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Tripoli tomaram a embaixada americana e declararam guerra aos EUA.
Tunísia, Marrocos e Argélia juntaram-se aos líbios, ficando todo o norte de África, com exceção do Egito, em guerra com os EUA.
Felizmente, para Thomas Jefferson, anteriormente já havia planos para combater os piratas e o Congresso tinha aprovado, em 1794, a recuperação da marinha de guerra que fora dissolvida após a Independência.
Foram construidas seis fragatas destinadas a combater os piratas muçulmanos e foram elas que foram enviadas para o Mediterrâneo. Um acontecimento muito semelhante ao que iria acontecer 200 anos depois.
O conflito durou até 1805, terminando com vitória dos americanos que ocuparam a zona durante alguns anos para manter a paz.
Ainda há quem duvide de que a História sempre se repete !AN

domingo, 29 de setembro de 2013

-" A Marinha Portuguesa "

Por: Arnaldo Norton

Marinha mercante, com maior ou menor significado, sempre existiu; mas a criação de uma
Marinha de Guerra foi mérito dos portugueses.
A Marinha de Guerra portuguesa é tão antiga quanto a nacionalidade e é considerada a mais antiga de todas as Forças Armadas do mundo, qualidade estabelecida por uma bula papal. Ainda hoje, em desfiles navais, os navios portugueses vão à frente, como reconhecimento da sua antiguidade.

A primeira batalha da Marinha portuguesa de que há registo deu-se ao largo do cabo Espichel, em 1180, tendo a esquadra portuguesa derrotado uma força invasora muçulmana.

Em 1312, por decisão do rei D.Dinis,é criada a Marinha Real e o cargo de Almirante-Mor.
O valor da Marinha de Guerra portuguesa está bem patente no Tratado de Windsor (1386), no 
qual o rei de Portugal se compromete a auxiliar militarmente o rei de Inglaterra enviando, 
anualmente, para aquele reino uma armada de dez galés
Quando no final do século XIV se inicía a expansão portuguesa a Marinha irá desempenhar o papel principal, explorando os mares e descobrindo novas terras.

Com a chegada à India e com o desmembramento da rota muçulmana/ veneziana das especiarias e consequente formação do monopólio português, a Marinha de Guerra passa a ter um papel decisivo na proteção dos navios mercantes e no combate às forças que se opunham ao domínio português atuando em todos os Oceanos..
O volume do comércio com a Ásia, a África e a América, fizeram com que Portugal tivesse necessidade de construir navios de maior capacidade de carga e de maior força bélica. Com a introdução da artilharia pesada a bordo dos navios a armada portuguesa adquiriu uma força inigualável.
No princípio do século XVI, Portugal tinha os maiores navios jamais concebidos, contando já com 400 de alto bordo, entre naus, galeões e caravelas. A Inglaterra tinha apenas 20 navios de alto bordo e Espanha menos de 70, entrte galeões e naus.
A nau São Gabriel deslocava 300 tonéis, a Fror de la Mar 400 e, em apenas dez anos, o tamanho dos navios mais que duplicou, chegando a atingir 1.000 tonéis como no caso do galeão Santa Catarina do Monte Sinai.
A nova tecnologia permitiu que naus e galeões, além de maior capacidade de carga, tivessem enorme poder bélico e pudessem transportar soldados. Nasceram, assim, os Fuzileiros Navais.
Como exemplos, posso referir:
a nau Fror de la Mar que deslocava 400 tonéis, tinha 40 canhões de bronze, com uma cadência de tiro de meio minuto e era uma autêntica fortaleza flutuante com  uma equipagem de 50 marinheiros e centena e meia de soldados equipados para a guerra;
e o galeão São João Batista, conhecido pela alcunha de Botafogo, o mais poderoso navio de guerra do mundo, topo de gama naquela época: 1.000 tonéis, 366 bocas de fogo de bronze e um esporão assombroso que rompeu as correntes que protegiam a cidade de Tunes, durante a batalha de Lepanto, na qual Portugal auxiliou as forças do imperador Carlos V.
É esta gloriosa Marinha que tem o lema:”A Pátria honrai que a Pátria vos comtempla”.

NRP Sagres o embelmático navio-escola da Marinha portugues