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domingo, 17 de agosto de 2014

-" Crioulos de base lexical portuguesa "

O crioulo surge pela necessidade de comunicação entre falantes de línguas diferentes num meio dominado por uma língua de prestígio.
Os linguistas não são unânimes quanto à classificação dos crioulos, dando-lhe, uns, a classificação de língua mas a maioria considera-os dialetos.
No estudo dos crioulos, a maior curiosidade é a quase inexistência de crioulos espanhóis. As línguas crioulas de base hispânica tiveram origem ou foram influenciadas por um crioulo português pré-existente. Mesmo em lugares onde a colonização portuguesa não se fez presente com grande alcance de dominação cultural, como em Palenque, na Colômbia, ainda hoje se fala um crioulo espanhol no qual se veem claras influências portuguesas.
O contacto da língua portuguesa com outras línguas da África, da Índia, da Ásia Oriental e das Américas, Central e do Sul, deu origem a vários crioulos de base lexical portuguesa.
 













quarta-feira, 23 de abril de 2014

- " Onde os Portugueses deixaram a sua "Pegada"


PAÍSES E TERRITÓRIOS ONDE OS PORTUGUESES DEIXARAM A SUA “PEGADA”


Além dos países e territórios a seguir mencionados, onde a "pegada" pôde ser identificada, existem outros com fortes indícios mas que ainda não puderam ser comprovados cientificamente. Estima-se que a totalidade dos países e territórios nos quais a influência dos portugueses se fez sentir seja de cerca de 55 nos quatro cantos do mundo.


Norte de África

MARROCOS


Ceuta (1415-1640); Alcácer-Ceguer (1458-1550); Aguz (1506-1525); Tânger (1471-1662); Arzila (1471-1550,1577-1589); Mazagão (1485-1769); Ouadane (1487- sécXVI);
Agadir (1505-1769) Safim (1488-1541); Mogador (1506-1525); Azamor (1513-1541)


Árica Subsariana
 

MAURITÂNIA - Arguim (1455-1633)

CABO VERDE - (1642-1975)
SENEGAL - Ziguinchor (Casamança) (1645-1888)
GUINÉ-BISSAU - (1879-1974)
GANA - Acra (1557-1578) Costa do Ouro (1482-1642) São Jorge da Mina (1478-1778)
BENIM - Fortaleza de São João Baptista de Ajudá (1680-1961)
GUINÉ EQUATORIAL - Ano Bom (1474-1778) - Fernando Pó (1478-1778)
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - (1753-1975)
ANGOLA - (1575-1975)               CABINDA (1883-1975)
MOÇAMBIQUE - (1501-1975)
TANZÂNIA - Quíloa (1505-1512)
ZANZIBAR - (1503-1698)
QUÉNIA - Melinde (1500-1630) - Mombaça (1593-1698, 1728-1729)
IÉMEN - Socotorá (1506-1511)



Ásia Ocidental 

OMÃ - Mascate (1515-1650)
IRÃO - Ormuz (1515-1622) Bandar Abbas (1506-1615)
BAHREIN - (1521-1602)  


Subcontinente Indiano 


ÍNDIA


Laquedivas (1498-1545); Cochim(1500-1663); Coulão(1502-1661); Cananor(1502-1663); Nagapattinam (1507-1657); Goa (1510-1962); Calecute (1512-1525); Maldivas (1518-1521,1558-1573); Paliacate (1518-1619); Chaul (1521-1740); São Tomé de Meliapor (1523-1662) (1687-1749); Chittagong (1528--1666); Salsete (1534-1737) Bombaim (Mumbai) (1534-1661);Baçaim (1535-1739);); Diu (1535-1962); Cranganor (1536-1662); Surate (1540-1612)
Thoothukudi (1548-1658); Damão(1559-1962); Mangalore (1568-1659); Hughli (1579-1632); Masulipatão (1598-1610); Dadrá e Nagar-Aveli (1779-1954)

SRI LANKA - Ceilão Português (1518-1658)
  
BANGLADESH - Chittagong (1528-1666)


Ásia Oriental e Oceânia

INDONÉSIA


Bante (séc. XVI-XVIII); Flores (século XVI-XIX) Macáçar (1512-1665);

Ternate (1522-1575), Molucas (Amboina) (1576-1605) Tidore (1578-1650) 

MALÁSIA - Malaca Portuguesa (1511-1641)

TIMOR PORTUGUÊS (Timor-Leste) (1642-2002)

CHINA - Macau (1557-1999)

JAPÃO - Nagasaki (1571-1639)


América do Norte

TERRA NOVA - (1501–1570?); LABRADOR - (1501-1570?); NOVA ESCÓCIA (1519–1570?)


América Central e do Sul

BRASIL - (1500-1822);

BARBADOS - (1536-1620)

URUGUAI - Colónia do Sacramento (1680-1777); Província Cisplatina (1808-1822)
GUIANA FRANCESA
(1809-1817)

  CURAÇAO;     ARUBA;    BONAIRE;     SURINAME .

sábado, 21 de dezembro de 2013

-" Portugal chegou há 500 anos à China "



O Centenário que não foi celebrado: chegada à China 

(1513-2013).




JORGE ALVARES, o português que chegou à China há 500 anos. 


O primeiro contacto documentado de portugueses com território da China aconteceu há 500 anos, na atual província de Guangdong, no sul, entre Julho e Agosto de 1513, numa aventura de mercadores saídos de Malaca.
Dois ou três portugueses, Jorge Álvares, seu filho (que morreu na viagem) e outro português (cuja identidade e fim se desconhece), embarcaram num junco de mercadores malaios, que saiu de Malaca, na atual Malásia, em Maio de 1513 e chegou ao litoral chinês entre Julho e Agosto do mesmo ano.
O cronista português João de Barros afirmou que Jorge Álvares, um mercador estabelecido por conta própria, foi o primeiro português a chegar ao sul da China, mais especificamente a uma ilha, designada pelas fontes históricas portuguesas como "Tamão", que também foi designada como "Lintin" e identificada como a atual ilha de Nei Lingding, no centro do delta do rio das Pérolas, a norte de Macau.
Os portugueses da época iam para a Índia como funcionários públicos (soldados ou feitores) durante três ou seis anos. Terminado esse período, alguns regressavam a Portugal e outros estabeleciam-se na Ásia por conta própria, como comerciantes ou mercenários.Os portugueses tinham armamento superior e eram muito cobiçados por todos aqueles potentados asiáticos, onde podiam atuar como "conselheiros militares".
Jorge Álvares foi um desses portugueses, que primeiro esteve ligado à estrutura do Estado na Índia e depois se estabeleceu por conta própria. 
Dos negócios que fez na China obteve lucros tão grandes que incitaram imediatamente outros portugueses a partir de Malaca para o litoral chinês. Daqui nasce uma expressão ainda hoje utilizada, os 'negócios da China', algo que dá lucros fabulosos. De acordo com um cronista da época, o lucro era quatro vezes superior ao investimento. Portanto, era “um destino comercial muito atrativo para os portugueses, que não param de ir à zona todos os anos".
Os portugueses vendiam especiarias, em especial pimenta (muito consumida na China), e madeiras aromáticas (usadas em rituais religiosos).

Jorge Álvares regressou a Malaca, em Abril ou Maio de 1514, com produtos manufacturados chineses: porcelanas e sedas, mas também almíscar, aljôfar (pérolas miúdas), enxofre e salitre (componentes para o fabrico de pólvora), cânfora, ruibarbo e “abanos léquios” (os 'leques', nome que deriva do topónimo Léquios, como eram conhecidas as ilhas japonesas Ryukyu)..
João de Barros escreveu que Jorge Álvares foi uma segunda vez à China em 1521, morrendo de doença na ilha de Tamão, a 08 de Julho do mesmo ano. Foi enterrado junto a um padrão que ali tinha colocado oito anos antes.

Entre 1517 e 1521, Portugal enviou uma "embaixada", liderada por Tomé Pires, que foi o primeiro enviado oficial português à China, cuja missão de estabelecimento de uma posição na zona fracassou.
Normalmente, os portugueses usaram na aproximação àquelas zonas, do que nós hoje chamamos Malásia e Indonésia, uma espécie de posição de força, ou seja, tinham armas, tinham canhões e tinham o equivalente a espingardas (mosquetes) e tinham navios poderosos e, portanto, conseguiram ocupar determinadas posições pela força. Temos o exemplo de Malaca e das ilhas Molucas, em que os portugueses ocuparam uma cidade portuária e construíram uma fortaleza.
O mesmo tentaram na China mas o exército chinês não tinha nada a ver com todas as outras potências ali à volta. Era um Estado sólido, com recursos infinitos e não autorizou esse estabelecimento dos portugueses, nos mesmos moldes que tinham feito noutras zonas, levando à adoção - pelos portugueses - de uma posição mais informal de comércio, de contatos que, a pouco e pouco, se foram desenvolvendo e nos anos 1550 veio a dar origem ao estabelecimento de Macau.

Fonte: declarações do historiador Rui Loureiro a Lusa/SOL  

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

-" 500 anos depois a China retribui a visita "

Não quero deixar 2011 acabar sem registar o acontecimento mais importante do ano para Portugal, para a Europa e para a China e que terá, certamente, repercussão em todo o Mundo.
Hoje, a China fechou o Circulo da Globalização iniciado em 1498 com a chegada de Vasco da Gama à Índia e com a chegada à China de Tomé Pires em 1517.
Hoje, ao adquirir 21% do capital da empresa portuguesa EDP, uma das maiores no setor da energia a nível mundial, a China chegou à Europa e escolheu Portugal como porta de entrada, retribuindo a visita que lhe foi feita 500 anos atrás.  
Os chineses foram sempre conhecidos pelas suas sábias decisões e a conservação de Macau como uma plataforma estratégica de cooperação com Portugal está a começar a dar os seus frutos. Os chineses sabem que podem beneficiar muito da posição da Lusofonia e não deixarão de a aproveitar. Oxalá os portugueses saibam aproveitar a colaboração da maior potência económica e financeira mundial.
Face à avidez dos financeiros alemães e à falta de solidariedade dos restantes europeus, Portugal, ao abrir as portas à China, deu um sério aviso à Europa de que é europeu mas não só ! …   

quinta-feira, 7 de julho de 2011

-" A Galiza e a Lusofonia "

O vídeo que abaixo se exibe é altamente aconselhado a todos os leitores que estejam identificados com o problema linguístico e político da Galiza e a todos os que desconheçam que na Galiza e em Portugal se fala a mesma língua.

Nele se refere a importância da Academia Galega de Língua Portuguesa e os Colóquios da Lusofonia de 2011.
Macau acolheu durante este mês de abril (2011) os Colóquios da Lusofonia. A Ásia recebeu aos perto de quarenta inscritos neste congresso organizado pela Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia (AICL). Entre os membros da comitiva oficial, integrada por 17 pessoas vindas dos diversos países de língua portuguesa, estava a Concha Rousia que, para além de representar a AGLP no congresso, foi entrevistada na TDM por Marco Carvalho, tal e como podemos ver no vídeo.

Este colóquio foi possível graças a generosidade e o patrocínio do Instituto Politécnico de Macau (IPM) e ao interesse da China pola nossa língua.

Mais info: http://www.academiagalega.org/info-atualidade/concha-rousia-entrevistada-na-t...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

- " Portugal na China "

Macau

No processo de expansão do seu Império em rede, os portugueses chegaram à China nos princípios do Séc. XVI.

O plano de expansão inteligentemente elaborado no reinado de João II e brilhantemente continuado no reinado de Manuel I, previa a neutralização da “Rota da Seda”, através da qual eram mantidas as relações comerciais entre a China e Constantinopla e de aí com Veneza.
Usando o que hoje se designa por hard power após o fracasso do soft power, a conquista de Malaca, em 1511, abriu o Pacífico aos portugueses e, com isso, o acesso à China.

As relações com a China foram efetuadas pela via oficial e pela via privada.
As relações oficiais foram difíceis, devido à política xenófoba iniciada pelo Imperador Zhu Di e seguida pelos seus sucessores Zhu Gaozhi e Zu Zhanji que puseram fim às navegações do Almirante Zheng He e fecharam ao Mundo as portas da China.
Tomé Pires, o embaixador português, teve de aguardar três anos, alguns dos quais na prisão, para falar com o Imperador.
A via privada foi muito mais eficiente e, já em 1513, Jorge Alvares conseguiu armar um Junco e iniciar o comércio entre a China e Malaca. Numa praia isolada construiu uma cabana que servia de abrigo aos mercadores portugueses que se aventuravam até ao mar Amarelo e implantou nela um padrão com as quinas para afirmar que a região pertencia ao rei de Portugal.
Este espaço de terra ficou célebre porque foi nele que morreu S. Francisco Xavier.
Outros mercadores fizeram o mesmo que Jorge Alvares e, desafiando as proibições imperiais, alargaram o comércio até à India através de Malaca.
Os chineses acabaram por reconhecer o benefício deste comércio e aliado ao facto de os portugueses terem acabado com a pirataria no mar da China, em 1557 a proverbial sabedoria encontrou uma solução hábil para permitir a presença dos portugueses e o comércio sem infringir a proibição: deram aos portugueses uma ilhota ligada ao continente por um histmo, no qual construíram um muro para indicar que ali acabava a China.
Tinha nascido o território de Macau ! ….
Rapidamente a pequena aldeia se transformou numa ativa cidade comercial que foi, até 1675, a única porta de saída do comércio chinês, tanto para a Europa como para Malaca e Japão. Porém só em 1887 é que a China reconheceu, oficialmente, a soberania e a ocupação perpétua portuguesa sobre Macau.
Em 1967, ativistas chineses pró-comunistas originaram um motim que contestava a posse perpétua de Macau e, em 1987, Portugal e a República Popular da China acordaram que Macau passaria, de novo, para a soberania chinesa em 20 de Dezembro de 1999.

Macau foi território português durante 400 anos e foi o primeiro e o último território europeu na China.
Hoje continua em franco desenvolvimento e Portugal continua presente em cada esquina, como se pode verificar nos videos que se seguem.

A.Norton



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

-" Morreu Carlos Pinto Coelho "

O Mundo lusófono e a Lusofonia estão mais pobres e de luto ! ...

Carlos Pinto Coelho,filho do Império, grande homem e grande jornalista, defensor irredutível da Lusofonia e orgulho da cultura portuguesa, nasceu em Lisboa em 18 de Abril de 1944 e foi logo para Moçambique onde viveu a sua infância e adolescência até 1963.
Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e a poucas cadeiras de terminar o curso, ingressou no Diário de Notícias como repórter, em 1968. Em 1972 é mobilizado para a Guerra do Ultramar, em Moçambique, como alferes miliciano do Exército. Regressa ao Diário de Notícias em 1974, saindo em Abril de 1975, durante a tumultuosa direcção de Luís de Barros e José Saramago.

Desempenhou lugares de responsabilidade em vários jornais, revistas e agências noticiosas. Colaborou com várias emissoras de rádio, sendo de destacar a Deutsche Welle e a Teledifusão de Macau. Foi diretor de informação e de programas das emissoras de televisão RTP1 e RTP2.
Foi conferencista no Instituto de Altos Estudos Militares e professor de jornalismo no Instituto Politécnico de Tomar.
Representou Portugal em várias organizações internacionais de rádio e televisão.
É comendador e oficial de várias ordens e detentor de vários prémios.
De 1994 a 2003 editou e apresentou o seu programa “Acontece”, uma marcante referência cultural nas rádio e televisão portuguesas.

O jornalista Carlos Pinto Coelho morreu, vítima de ataque cardíaco, em 15 de Dezembro de 2010.

Parou a sua atividade, mas a sua presença e o seu exemplo continuarão entre nós.

A.Norton

domingo, 29 de agosto de 2010

-" A força dos emigrantes na política "

Nesta altura do ano em que muitos emigrantes e seus descendentes vêm passar férias a Portugal e por estarmos nas proximidades duma eleição presidencial, julgo que será interessante recordarmos a quantidade de portugueses espalhados pelos cinco continentes.
Será bom aproveitarmos a ocasião para refeletirmos sobre o valor dos votos dos emigrantes e sobre a sua ausência.


EUROPA
França 553.663 ; Reino Unido 180.000 ;
Suiça 156.542 ; Alemanha 133.700 ;
Espanha 80.530 ; Luxemburgo 62.020 ;
Bélgica 38.000 ; Holanda 9.220 ;
Andorra 9.000 ; Itália 5.741 ;
Suécia 1.800 .

AMÉRICA DO NORTE
Eua e Canada 1.153.351
(a quase totalidade nos Eua).

AMÉRICA DO SUL
Brasil 700.000; Venezuela 400.000 ; Argentina 16.000; Uruguai 1.200.

ÁFRICA
África do Sul 300.000 ; Angola 20.000 ; Moçambique 13.299
Zimbabwe 2.500.

ÁSIA
Macau e Hong Kong 160.700 ; Índia 2.300.

OCEANIA
Austrália 31.500


Totais arredondados

Europa : 1 milhão e 230 mil ;
América do Norte : 1 milhão e 153 mil ;
América do Sul : 1 milhão e 117 mil ;
África: 335 mil ;
Ásia : 163 mil ;
Oceania : 31 mil .

Chegamos à conclusão que a quantidade de portugueses espalhados pelo Mundo excede os 4 milhões. Uma quantidade de votos muito interessante!...

(Fonte: última hora-jornal “O Público “)

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Lusofonia como comunidade de destino

Nos tempos mais recentes temos testemunhado o aparecimento de várias iniciativas lusófonas que, creio eu, têm vindo a tentar colmatar a inacção da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que existe mais no papel do que no mundo material. Entre estas, e outras há, numero o surgimento desta revista, da revista “Nova Águia” e ainda da “Magazine Grande Informação” e a “Afro”, todas elas publicações nitidamente lusófonas. Adicionalmente surgiram também, além da associação que gere esta publicação, o Movimento Internacional Lusófono e o Instituto da Democracia Portuguesa – Instituto este que também tem como bandeira a Lusofonia.Muitos dos membros de todos estes movimentos, entre os quais me incluo de quando em vez devido ao meu cepticismo, acreditam que Portugal e os países lusófonos terão um papel relevante no futuro colectivo do planeta, alguns apontam a já existente CPLP como uma organização que, bem trabalhada, poderá vir a obter o seu relevo internacional nos campos cultural, económico, social e inclusive militar uma vez ultrapassados os traumas existentes entre a antiga potência colonizadora, que foi Portugal, e as antigas colónias, e já é bem a Hora de ultrapassarmos todos esses traumas e construirmos, unidos, uma comunidade de destino comum: a Lusofonia!
Pela minha parte tendo a crer que a CPLP poderá não ser suficiente, como o próprio nome indica aceita somente países e existem nações lusófonas que não possuem nem Estado ou país seu, assim de memória consigo realçar Macau, a Galiza e a Goa portuguesa, e outras certamente existirão uma vez que já ouvi de alguns açorianos, e madeirenses também existirão a pensar da mesma forma, que gostariam que os Açores tivessem uma voz na CPLP, podendo os governos regionais colaborar onde o governo nacional não o faz… mas é uma questão delicada esta, já que acaba por insinuar algumas tendências separatistas. Goa, Macau e Galiza portanto, comunidades lusófonas que não são países, onde se incluem? Poderá a CPLP criar um estatuto para estas regiões de modo a participarem na mesma? Estou em crer que sim (volta e meia sou muito crente).
O mundo avança a um ritmo cada vez mais rápido, a Rússia desperta, o Império americano mantém-se, o Movimento dos Não Alinhados acaba por se ir alinhando, aos poucos, num dos lados… surge-nos a Lusofonia como terceira via, uma comunidade internacional espalhado pelos continentes europeu, africano, americano e asiático.Poderá advir daqui um novo bloco de influência internacional? Uma vez mais, creio que sim, mesmo a nível militar já imaginaram um contingente constituído por militares brasileiros, portugueses, timorenses, moçambicanos, angolanos e etc.? Um bloco de países nitidamente desfavorecidos e tidos, a Ocidente, como “terceiro-mundistas”, países que, como um todo, contam com uma riqueza material e cultural tão diversa quanto única, todos diferentes mas com uma língua que os une.Estaremos prontos para auxiliar na construção deste comunidade de destino? Por mim, desde já, digo Presente!
Publicado no terceiro número da revista electrónica Sem Correntes, propriedade da Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira.