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sábado, 14 de dezembro de 2019

"O CALVÁRIO DE UMAS "JEANS"



A TV France 2 emitiu há algum tempo um programa acerca do fabrico das calças Jeans que pode parecer um pouco exagerado mas que, considerando a origem será de aceitar como bom.
(Tradução e adaptação do editor deste blogue)



FOTOGRAFIA (VÍDEO NO FINAL DO TEXTO)



"Fabricam-se, anualmente, 2,3 biliões de Jeans em todo o planeta. Muitas delas terão percorrido dezenas de milhares de quilómetros até chegarem às prateleiras das lojas de pronto-a-vestir.
Proponho-vos que sigamos o trajeto de uma dessas peças. É o itinerário mais longo.
A nossa viagem vai começar em Ludhiana,na Índia.
E porquê na Índia?... Simplesmente por que para fazer umas Jeans precisamos de algodão, do qual a Índia é o principal produtor mundial com 6,35 milhões de toneladas por ano.
Na transformação deste algodão consomem-se  4.000 litros de água.
Depois, o algodão é enviado para o vizinho Pakistão para ser fiado e tecido e posteriormente enviado para Xintang (a capital das jeans) na China, a 4.800 km para Oriente, onde 3.000 oficinas irão produzir, diariamente, cerca de 800.000 jeans.
É lá que o tecido recebe a cor azul indigo através de um pigmento sintético. Para fabricar 1 kg deste pigmento é necessário o consumo de uma centena de quilos de petróleo e 1.000 litros de água .
Em seguida, as Jeans são enviadas para a Tunísia onde se acrscentan pequenos pormenores, como molas (que, em geral, vêm da  Austrália) e fechos-de-correr vindos, principalmente, do Japão. Os botões são importados do Congo.
Se pensa que a viagem terminou, está enganado !...
As Jeans vão agora ser desbotadas e enviadas para o Bangladesh ou para o Egito
onde serão sujeitas a areamento, uma operação muito noçiva.
A viagem das Jeans terminou; só resta coloca-las nas prateleiras das lojas.
Até serem posta à venda estas Jeans já consumiram cerca de 11.000 litros de água e percorreu 65.000 quilómetros ou seja o equivalente a 1,5 voltas à Terra.
Ninguém diria que este tecido foi inventado na cidade francesa de Nimes, de onde recebeu a designação "denime" (de Nimes)". 



domingo, 23 de junho de 2019

-"Um cavaleiro africano na capital do Império""




Este cavaleiro pode ser visto numa pintura que retrata o movimento à volta do “Fontanário do Rei”, em Lisboa, no ano de 1575. O vídeo que se segue, da autoria da BBC, analisa o quadro com interessantes comentários que traduzi e adaptei.

Esta pintura poderia relançar a discussão sobre o que foi a escravatura se houvesse pess
oas desapaixonadas, isentas e descomprometidas com vontade de esclarecer esse fenómeno.

A tradução do texto que aparece no vídeo é a seguinte:“Esta pintura é um instantâneo de um mundo que já esquecemos. Ela retrata o momento em que o equilibrio do poder militar e económico significava que europeus e africanos se encontravam em termos de relativa igualdade.
Pensa-se que o artista que produziu esta obra (cujo nome se perdeu) era holandês mas o que retrata não é Delft ou Amestardão mas Lisboa do séc.XVI no ponto mais alto do império global português.
A pintura retrata o Fontanário do Rei e o que nela mais se destaca são as pessoas que lá se encontram.
Lisboa nesta pintura parece uma capital do séc.XXI, porque espalhando-se o império português por todo o mundo era natural que povos desse Império viessem a Lisboa. Parece incrível mas 1 em cada 10 habitantes de Lisboa era africano.
Os africanos nesta pintura aparecem em vários níveis sociais. Há os aguadeiros e também escravos tanto negros como brancos.
Vê-se um individuo a ser preso, vêem-se os barqueiros que ajudavam a atravessar o rio, mas há figuras como este cavaleiro de raça negra, membro da Ordem de Santiago, a cavalo com a sua espada, com a sua capa e adornos da época.
É um retrato de um mundo que já esquecemos: Lisboa como centro de u
m império global; Lisboa como centro da primeira era da globalização.”

sábado, 13 de outubro de 2018

-"Comunidade Luso-Indiana"

Os portugueses estiveram na Índia durante quase cinco séculos ( 1498 a 1961 ), em 25 diferentes localidades por toda a península industânica. Ao longo desses cinco séculos, o intercâmbio físico, social e cultural foi tão forte que, dificilmente, se pode falar numa comunidade de luso-descendentes; não porque eles não existam, mas por se encontrarem dispersos pelo vasto território onde o portugueses se fixaram, bem como em Portugal e no estrangeiro.
A indiana talvez seja a maior comunidade de luso-descendentes embora não possa ser quantificada devido à sua dispersão.

sábado, 8 de setembro de 2018

-"Les portuguais": a comunidade de luso-descendentes de Casamansa, no Senegal"


Depois de 75 anos de domínio francês e de 37 anos de independência os crioulos de Ziguinchor ainda são conhecidos como "les portuguais".

Na margem do rio Casamansa, no Senegal, encontra-se a cidade de Ziguinchor que nasceu a partir de uma feitoria instalada pelos portugueses em 1645.
Da sua população faz parte uma classe social designada por "fijus di terra", constituída por descendentes de portugueses e mulheres de etnia Diola, que ainda hoje mantêm apelidos portugueses como Afonso, Barbosa, de Carvalho, da Silva, e da Fonseca, entre outros.
Esta classe social é dos proprietários da terra, e distingue-se dos demais grupos étnicos pela língua crioula, pela religião católica, pelas maneiras, hábitos e vestes europeus. Talvez a característica mais sonante desta população fosse o conhecido "Domingo de Ziguinchor" em que a população ia à missa e passeava com as melhores roupas e chapéus pelas ruas e jardins de Ziguinchor.


O objetivo da feitoria de Ziguinchor era o comércio com o reino de Casamansa, o reino mais amigo dos portugueses ao longo da costa da Guiné, cujo rei vivia à moda europeia, com mesa, cadeiras e roupas ocidentais, contando com muitos portugueses na sua corte.
Com o passar dos séculos Portugal deixou a região progressivamente abandonada, em favor de outras prioridades, vindo a feitoria a converter-se num simples presídio.
A região de Ziguinchor e de Casamansa foi cedida à França em 13 de Maio de 1886, após pertencer a Portugal durante 240 anos.
No censo de 1963, dos 42.000 habitantes de Ziguinchor, 35.000, falavam o crioulo (83%), e 30.000 tenham o crioulo como língua materna (71,4%).
Depois de 75 anos de domínio francês e de 37 anos de independência os crioulos de Ziguinchor ainda são conhecidos como "les portuguais".

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

-"Comunidade de TUGU (Indonésia)"


Tugu é uma aldeia a poucos quilômetros de Jacarta, a capital da Indonésia, mais precisamente na ilha de Java. Em Tugu sente-se uma tranquilidade típica das aldeias portuguesas para o que contribuem a igreja branca datada do século XVII e um largo com arvoredo que lembra o centro de algumas aldeias de Portugal.


Tugu foi formada no século XVII com os prisioneiros feitos nos territórios portugueses da Índia que os holandeses conquistaram. Com eles trouxeram um crioulo baseado no português que, juntamente com a língua portuguesa passou a ser a língua franca em Batávia (atual Jacarta), capital da antiga Holanda Oriental, bem como nos arredores.
Ainda no século XVII, após o fim do império colonial português no Sudeste Asiático, chegaram àquela zona comerciantes, artesãos e aventureiros oriundos de Malaca, Ceilão, Cochim e Calecute. O cruzamento entre os dois grupos fez nascer os chamados “Portugueses Negros”, que tinham em comum a língua portuguesa e a religião cristã.
Dos casamentos com mulheres portuguesas, os holandeses viram-se forçados a ter que aprender o chamado português corrupto, tanto para a vida doméstica como na comunicação com os povos locais.
Ainda durante muito tempo o português não corrupto foi a língua franca na Indonésia e na costa oriental indiana e utilizado como língua litúrgica, sendo até ensinado nas escolas. 

De 1670 a 1978 (mais de três séculos) a Comunidade de Tugu manteve a sua língua até à morte do seu último falante fluente, Joseph Quiko. Hoje a linguagem sobrevive apenas nas letras das músicas antigas do gênero Keroncong Moresco (Keroncong Tugu
). 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

-"Indonésia": Comunidade de Luso-Descendentes de Lamno"


Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar à Indonésia, no início do século XVI e, apesar de terem-se estabelecido sobretudo na região oriental do país, alimentaram o sonho de controlar o comércio da pimenta desde a zona estratégica do Norte da Samatra até ao mercado chinês.

Criança de Lamno, Indonésia

Os portugueses da província indonésia de Aceh, conhecidos localmente como “olhos azuis”, estão em risco de se extinguirem desde que o tsunami de 2004 reduziu a comunidade de centenas de pessoas a menos de uma dezena. Antes do tsunami, a comunidade teria talvez cerca de 500 pessoas, enquanto que agora é difícil apontar um número, porque a região conta com descendentes de outros europeus e árabes.

sábado, 18 de agosto de 2018

"Kristang": a Comunidade de Luso-Descendentes de Malaca"


Os portugueses chegaram há quinhentos anos a Malaca. A diáspora lusitana subsiste, com inusitado fulgor e entusiasmo, num pequeno bairro piscatório malaio, onde se luta pela manutenção da cultura portuguesa. Hoje e sempre. Em Malaca (Melaka, i.e., “O Estado Histórico”), o terceiro mais pequeno Estado da Malásia, existe um povo conhecido por Kristang (“cristão”), que descende dos portugueses e que sobrevive desde o século XVI como uma pequena comunidade.



A comunidade luso-descendente não abdicou da identidade cultural. Meio milénio após a chegada lusa e 370 anos após a sua partida, todos continuam a afirmar-se, orgulhosamente, portugueses. A cultura popular portuguesa transmite-se de pais para filhos, por via oral.  Contam-se histórias, ensinam-se costumes e tradições, transmite-se «o portugis antigo», que falavam os primeiros colonos, corrompido por séculos de transmissão oral sem um único registo escrito ou resquício de ensino oficial.

Da presença portuguesa restam, ainda hoje, além da Comunidade Kristang, a Porta de São Tiago (entrada principal da Praça-Forte a que chamaram "A Famosa")



 e uma réplica de uma nau portuguesa onde está instalado um museu. 




sexta-feira, 10 de agosto de 2018

-“Burghers”: Comunidade de Luso-Descendentes do Sri Lanka (ex-Ceilão, ex-Taprobana)

Burgher é o nome pelo qual são conhecidos os descendentes de portugueses e holandeses no Sri Lanka. Os Burghers Portugueses são um grupo étnico do Sri Lanka descendentes de cingaleses e portugueses, católicos e falantes do indo-português do Ceilão, uma linguagem crioula de origem portuguesa. Os Burghers portugueses são maioritariamente descendentes de mestiços de origem portuguesa e cingalesa, geralmente pai português e mãe cingalesa ou mãe descendente de portugueses com pai cingalês. A sua origem remonta à chegada dos portugueses, após a descoberta do caminho marítimo para a Índia, em 1505.

Burghers

Quando os holandeses tomaram as costas do Sri Lanka em 1656, antigo Ceilão Português, os descendentes dos portugueses refugiaram-se nas montanhas centrais do reino Kandyan, sob domínio cingalês. Com o tempo descendentes de portugueses e holandeses casaram entre si. Embora a língua portuguesa tivesse sido banida sob o domínio holandês, estava tão difundida como língua franca do índico que até os holandeses a falavam. No Censo de 1981 os Burghers (holandeses e portugueses) contavam cerca de 40.000 (0,3% da população total do Sri Lanka). Numerosos apelidos de origem portuguesa permanecem até hoje, como Pereira, Abreu, Salgado, Fonseca, Fernando, Rodrigo e Silva que se tornaram parte da cultura do Sri Lanka.

Da colonização portuguesa à independência

Os primeiros europeus a visitarem o Sri Lanka foram os portugueses: Dom Lourenço de Almeida chegou à ilha em 1505 e encontrou-a dividida em sete reinos que guerreavam entre si e que seriam incapazes de derrotar um invasor. Os portugueses ocuparam, primeiro, a cidade de Kotte, mas, devido à insegurança do local, fundaram a cidade de Colombo em 1517 e, gradualmente, estenderam seu controle pelas áreas costeiras.
Muitos cingaleses converteram-se ao cristianismo porém, em 1602, quando o capitão holandês Joris Spilberg chegou à ilha, o rei de Kandy, de religião budista, pediu-lhe auxílio. Em 1638, os holandeses atacaram pela primeira vez e só em 1656 é que Colombo foi tomada. Por volta de 1660, os holandeses controlavam toda a ilha, exceto o reino de Kandy.
Durante as guerras Napoleônicas, o Reino Unido, temendo que o controle da França sobre os Países Baixos fizesse com que o Sri Lanka passasse ao controle francês, ocuparam a ilha. Em 1802, a ilha foi, formalmente, cedida à Grã-Bretanha. Em 1815, Kandy foi ocupada, pondo fim à independência do reino do Sri Lanka. Um tratado em 1818 preservou a monarquia de Kandy, porém como dependência britânica.
Os britânicos, seguindo sua prática comum de "dividir para governar", favoreciam ora um grupo, ora outro, para fomentar a rivalidade. Também favoreceram os burghers e também alguns cingaleses de castas mais altas, fomentando divisões e inimizades que sobrevivem desde então. Os burghers receberam um certo grau de autogoverno no início de 1833. O sufrágio universal só foi introduzido em 1931.
O Sri Lanka tornou-se independente em 4 de fevereiro de 1948, mediante a realização de tratados militares com a Grã-Bretanha. Permaneceram intactas as bases aéreas e navais britânicas instaladas no país.



terça-feira, 7 de agosto de 2018

-"Bayingyis": Comunidade de Luso-Descendentes de Myanmar (ex-Birmânia)


Bayingyis (Myanmar, antiga Birmânia)
A hegemonia portuguesa no Índico e no Pacífico durou perto de um século e seria profundamente abalada com a chegada dos holandeses àqueles mares.
Com a substituição da dominação portuguesa pela holandesa – permanecendo nas terras que as viram nascer; deportados para outras paragens; ou forçados à emigração – as cristandades mestiças euro-asiáticas do Oriente talharam a identidade colectiva de cada uma que perdurou até aos nossos dias e que assenta em dois pilares principais: a religião católica e a língua crioula.

Entre essas comunidades destaca-se a dos descendentes dos muitos soldados portugueses que na época de Seiscentos lutaram ao lado dos soberanos de Ava e do Pegu, reinos da antiga Birmânia, ou que faziam parte do pequeno exército de Filipe de Brito, ou do seu companheiro de armas Salvador Ribeiro de Sousa, senhores feudais em terras do Oriente, ambos empossados com o título de ‘rei do Pegu’, e que são hoje conhecidos em Myanmar (ex-Birmânia) como os ‘bayingyis’.

Tendo conseguido a unificação do país, o rei Alaungpaya expandiu o seu poderio para oeste, entrando em conflito com os interesses britânicos. Após três guerras (1824, 1826 e 1885) todo o território ficou submetido ao controle britânico. Durante a II guerra mundial o país foi ocupado pelos japoneses e após a libertação teve a sua independência proclamada em 4 de janeiro de 1948.



quinta-feira, 13 de julho de 2017

-" A descoberta da América pelos portugueses "


"Além de considerarem como provada a nacionalidade portuguesa de Cristovão  Colombo, como sendo natural de Cuba, em Portugal, os historiadores portugueses sempre reclamaram que, muitos antes da chegada colombina às Antilhas, já vários navegadores a mando da Coroa lusitana, haviam chegado às costas americanas. 
Em 1447 ( 45 anos antes da viagem de Colombo ) o Infante D.Henrique mandou efetuar duas viagens para Ocidente que atingiram a região das Antilhas; viagens referidas pelo historiador da época António Galvão (1497-1557), autor do "Tratado das Descobertas Antigas e Modernas".
Em 1452, Diogo de Teive avistou terra, a que deu o nome de Terra Nova, quando procurava os mares do bacalhau. No regresso dessa viagem encontrou as ilhas das Flores e do Corvo.
Em 1474, João Vaz Corte Real e Álvaro Mendes, desembarcaram na terra que Diogo de Teive tinha avistado e rebatizaram-na com o nome de "Terra Nova dos Bacalhaus".
Além das acima referidas, há outras viagens que ainda não puderam ser confirmadas, como a de António Lemos em 1484 e a do flamengo conhecido em Portugal como Fernando Dulmo que juntamente com Afonso do Estreito, a mando de D.João II, teriam chegaram, em 1487, à costa americana em absoluto segredo."
(Fonte: "PORTUGAL-O PIONEIRO DA GLOBALIZAÇÃO de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, editora Centroatlantico.pt)
Resumindo: de que haja notícia, pelo menos 45 anos antes da viagem de Colombo já os portugueses tinham conhecimento das ilhas a Ocidente, a que chamaram Antilhas, palavra portuguesa pela qual foram mencionadas nos mapas da época. Não havia possibilidade de se confundir as Antilhas com os Açores, porque quando Diogo de Teive, em 1452, na viagem de regresso da Terra Nova, encontrou as ilhas das Flores e do Corvo, as mais ocidentais, o restante arquipélago já era conhecido.
A obra mencionada acima refere, ainda, as explorações na América do Norte realizadas por Pêro de Barcelos e João Labrador, de 1491 a 1494, sem indicar a localização.
Compilação de Arnaldo Norton 

sexta-feira, 24 de março de 2017

- "A Batalha Naval de Diu"

PORTA-DE-ARMAS DA FORTALEZA DE DIU

A batalha naval de Diu foi de importância decisiva na geopolítica portuguesa e na demonstração da superioridade naval de Portugal e na sua afirmação como superpotência.  Abalou o prestígio dos sultões egípcios que governavam o Império Mameluco e dos turcos do Império Otomano, bem como, mostrou aos indianos que os portugueses não só eram invencíveis para eles mas também para os rumes do Egito e para a artilharia de Veneza.

Na batalha naval de Diu, de 3 de Fevereiro de 1509, sob o comando do vice-rei Francisco de Almeida, os portugueses derrotaram uma armada de forças combinadas do sultão otomano, do sultão de Guzerate (na Índia), do sultão mameluco do Cairo e do rajá de Calecute, que foram apoiados pelas Repúblicas de Veneza e de Ragusa (hoje Dubrovnik, na Croácia). 
As forças em presença foram: 18 velas portuguesas contra 12 velas dos
rumes e cerca de 80 galés de Calecute e Guzarate.



VISTA AÉREA DO QUE RESTA DA FORTALEZA DE DIU

Segundo o comandante Saturnino Monteiro afirma, no seu livro "Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa", a batalha de Diu foi a mais importante de toda a história da marinha portuguesa e uma das mais importantes da história universal, que deveria ser valorizada pelos portugueses da mesma forma como os espanhóis e venezianos fazem com a batalha de Lepanto, os ingleses com a do Nilo e a de Trafalgar e os japoneses com a de Tsushima. 

sábado, 18 de março de 2017

- "O Império Otomano e os portugueses"

O Império Otomano foi um império fundado no fim do século XIII no noroeste da Anatólia, região a Oeste da Turquia asiática delimitada pelo Mar Negro a norte, pelo Mar Mediterrâneo a sul e pelo Mar Egeu a oeste. Em 1354, os otomanos invadiram a Europa e com a conquista dos Balcãs criaram um império transcontinental. Com a conquista de Constantinopla, em 1453, os otomanos puseram fim ao Império Bizantino.

O turco otomano era a língua oficial do Império. Era uma língua turcomana altamente influenciada pelo persa e pelo árabe. Os otomanos tinham várias línguas influentes: o turco, falado pela maioria das pessoas na Anatólia e pela maioria dos muçulmanos dos Balcãs, exceto na Albânia e na Bósnia; o árabe, falado principalmente na Arábia, no Norte da África, no Iraque, no Kuwait e no Levante e o árabe e o somali no Corno de África. O turco, em sua variação otomana, era uma linguagem militar e administrativa desde os primeiros dias do império. A constituição otomana de 1876 cimentou oficialmente o estatuto imperial oficial do turco.

A escravidão era uma parte da sociedade otomana, sendo que a maioria dos escravos eram empregados como trabalhadores domésticos. As escravas ainda eram vendidas no Império em 1908.  As políticas desenvolvidas por vários sultões durante todo o século XIX tentaram restringir o comércio de escravos mas, como a prática tinha séculos da sustentação religiosa, ela nunca foi abolida na relidade.
Sob Selim e Solimão, o império tornou-se uma força dominante naval,controlando grande parte dos mares Mediterrâneo e Índico. As façanhas do almirante otomano Hayreddin Barbarossa, que comandou a marinha otomana durante o reinado de Solimão, conduziu a uma série de vitórias militares sobre as marinhas cristãs.
Sofrendo severas derrotas militares no final do século XVIII e início do século XIX e na 1ª Guerra Mundial, o Império Otomano foi dissolvido.

Ascensão e queda do Império Otomano




Durante os séculos XVI e XVII, no auge de seu poder sob o reinado de Solimão, o Magnífico, o Império Otomano era um império multinacional e multilingue que controlava grande parte do Sudeste da Europa, da Ásia Ocidental, do Cáucaso, o Norte de África e o Corno de África, o que foi conseguido com a conquista definitiva do Império Mameluco. 
O Império Mameluco estendia-se desde o Egito, ao longo da costa ocidental do Mar Vermelho, até parte da Índia.
Estabelecidos no Corno de África e na Índia, bloqueavam as rotas de navegação e de comércio no Oceano Índico, o que fez com que o seu domínio fosse desafiado pelo crescente poder marítimo de Portugal. 
O confronto entre os dois impérios, conduziu, após várias contendas, à célebre Batalha de Diu, travada em 1509 entre a Armada Portuguesa da Índia e uma coligação de mamelucos e otomanos. A vitória dos portugueses pôs fim ao domínio mameluco e turco no Índico e contribuiu, em grande parte, para que o Império Mameluco fosse conquistado, definitivamente, pelo Império Otomano em 1517. 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

- 500º aniversário da morte de Afonso de Albuquerque

A PROPÓSITO DO 500º ANIVERSÁRIO DA MORTE DE AFONSO DE ALBUQUERQUE EM 16 DE DEZEMBRO DE 1515, O JORNAL "MUNDO PORTUGUÊS"PUBLICOU O EXCELENTE ARTIGO QUE, PERCIALMENTE SE TRANSCREVE.

O MUSEU DA HERANÇA DO POVOADO PORTUGUÊS DE MALACA

"A três quilómetros do centro de Malaca, capital do estado com o mesmo nome, na Malásia, há um museu que preserva a memória da presença portuguesa no país, e que se sentiu mais fortemente naquela cidade. O Portuguese Settlement Heritage Museum (Museu da Herança do Povoado Português) abriu portas há três anos, pelas mãos de dois luso-descendentes, Christopher De Mello e Jerry Alcântara.




A cidade que Afonso de Albuquerque conquistou em 1511, para ser uma base estratégica para a expansão portuguesa nas índias Orientais, e que durante 130 anos (1511-1641) foi uma colónia portuguesa, tem desde há três anos um espaço que preserva a memória portuguesa. 
E tudo graças à comunidade de descendência portuguesa (iniciada após a tomada de Malaca por Afonso de Albuquerque em 1511) que está a divulgar as memórias da sua ligação a Portugal num museu que sobrevive do voluntariado.
O Portuguese Settlement Heritage Museum (Museu da Herança do Povoado Português), como é conhecido localmente, fica precisamente no centro do Portuguese Settlement, um bairro a cerca de três quilómetros de centro de Malaca que foi criado na década de 1930 para os descendentes de portugueses espalhados pela região. 

Malaca, que em 2008 foi declarada Património Mundial pela UNESCO, é hoje uma cidade fortemente turística, retratando a história dos vários povos que por aqui passaram. Entre as grandes atrações figuram o Museu Marítimo, que consiste numa réplica da nau Flor de la Mar, a Igreja de São Paulo e a Porta de Santiago, o que resta da fortaleza mandada construir por Afonso de Albuquerque."

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

- 600 anos da conquista de Ceuta

Neste dia, há 600 anos, Portugal conquistava Ceuta e dava início à Globalização !

Painel de azulejos existente na estação de combóis de S.Bento, no Porto


Bandeira de Ceuta

Brasão de Armas de Ceuta

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

- " Portugal e Japão "

Uma relação entre povos desde a época das Grandes Navegações


.
–– Portugal e Japão: uma desconhecida relação
fruto da audácia lusa ––
Sabrina Aïd,
da Agência EFE (Espanha)
19 de novembro de 2014
.
Apesar de ambos os países estarem em pontos distantes do planeta, Portugal e Japão conservam uma relação peculiar e pouco conhecida, que começou há 400 anos, graças à ousadia dos navegadores portugueses.
“O Japão foi o país asiático que sofreu o maior impacto e as maiores transformações vindas da expansão portuguesa”, disse o historiador e professor universitário João Oliveira e Costa, um dos autores do livro História da Expansão e do Império Português, publicado recentemente pela editora Esfera dos Livros.
A audácia dos navegadores portugueses no “descobrimento” do Brasil ou do caminho marítimo para a Índia já inspirou epopeias como Os Lusíadas, mas o impacto das naus portuguesas no remoto Japão é um capítulo pouco conhecido.
Iniciado em 1415 com a conquista de Ceuta [na África do Norte], o Império Colonial Português estendeu-se na África, na Ásia e na América do Sul, e ainda apenas três décadas mais tarde ocorreu o primeiro contacto com as ilhas nipónicas.
–– Semi-isolamento e primeiro contacto com europeus ––
Os japoneses conheceram um povo europeu pela primeira vez quando um grupo de comerciantes portugueses desembarcou em seu território em 1543, e desde então, desenvolveu-se uma intensa interação económica, assim como social e religiosa.
A escopeta portuguesa foi um dos objetos que causou maior impacto ao povo local japonês, que até então desconhecia as armas de fogo e lutava nas guerras com flechas e outras armas brancas.
“O Japão era um país semi-isolado até a chegada dos portugueses. A relação luso-nipónica contribuiu para uma atualização significativa dos conhecimentos da civilização japonesa”, disse Oliveira e Costa, cuja obra [sobre o Império Português] reúne de forma inédita desde o início da expansão marítima portuguesa (1415) até a independência [transferência da soberania à China] da colônia chinesa de Macau (1999).
–– Palavras portuguesas e arte namban ––
Além das armas de fogo, os portugueses introduziram várias palavras na língua japonesa durante o período conhecido como “Comércio Namban”.
Assim, os japoneses adotaram vocábulos da Língua Portuguesa como pan (pão), tabako (tabaco), botan (botão) e kirishitan (cristão).
“A chegada das naus portuguesas, com os seus trajes, estranhos para eles, com animais nunca vistos no Japão [galinhas, patos ou coelhos], com tripulantes negros, com costumes diferentes, foi registada pelos artistas japonenses”, disse o docente da Universidade Nova de Lisboa.
Outro reflexo da interação entre europeus e japoneses foi a arte namban, normalmente observada nos biombos japoneses, nos quais foram retratados os contatos comerciais entre as duas civilizações, à maneira de um álbum de imagens.
“Há vários museus japoneses com peças associadas à cultura namban, principalmente as de caráter religioso, como pinturas, bandeiras e armas dos cristãos”, relatou o historiador, que destacou os móveis lacados que evocam o Ocidente.
A cultura namban deixou a sua marca não só nas artes visuais, mas também nos rituais religiosos, nas artes interpretativas e na cultura científica de ambas as civilizações.
–– “Os portugueses mudaram a história do Japão” ––
Outras marcas relevantes perderam-se devido aos conflitos políticos e religiosos, que levaram inclusive à perseguição de cristãos no Japão, considerados um perigo para o arquipélago por ser uma bandeira colonizadora.
“Tudo o que estava relacionado com os portugueses foi destruído. Todas as igrejas foram destruídas no século XVII”, constata Oliveira e Costa.
Apesar dessas tensões, a prova viva da relação centenária que uniu Japão e Portugal durante quase um século está em Macau, que se tornou uma importante porta para o comércio entre China, Europa e Japão.
A pequena Macau, transferida para a administração de Pequim em 1999, é um ponto onde convergem a identidade portuguesa e chinesa, uma ponte entre a cultura ocidental e oriental.
“Os portugueses mudaram a história do Japão, mas este manteve a sua própria civilização”, lembrou Oliveira e Costa, que explicou a razão pela qual este episódio da história acabou por ter menos peso que a colonização portuguesa do Brasil em 1500.
Diante de uma civilização de tecnologia escassa, especialmente em relação às armas, os portugueses impuseram sua força diante dos aborígenes do Brasil.
“Embora, no caso do Japão, que nunca passou pela cabeça dos portugueses colonizá-los”, disse Oliveira e Costa para concluir a chave da questão, “toda a gente sabia que o país dos samurais era impossível de se conquistar”.  :::
(Tradução de Ronaldo Santos Soares)
.
Com base em
AÏD, Sabrina. Portugal y Japón, una desconocida relación fruto de la audacia lusa.
Extraído da Agência EFE (Espanha)
Pu

sábado, 30 de agosto de 2014

-" Ilha das Flores, na Indonésia, portuguesa durante 350 anos "

Agora que a Indonésia pretende fazer parte da CPLP, será aconselhável que a conheçamos melhor, e principalmente a ilha das Flores que foi portuguesa até 1856, durante cerca de 350 anos, para que não se crie uma polémica idêntica à da Guiné Equatorial. 


No maior país muçulmano do mundo existe uma ilha católica onde ainda se reza em português“. 




Flores é uma ilha da Insulíndia, situada a leste da ilha Java, na Indonésia, tendo Timor a sudeste.

Foi possessão portuguesa durante os séculos XVI a XIX (cerca de 350 anos) tendo sido cedida aos holandeses em 1856,  juntamente com as restantes ilhas de Sonda.
Em Flores falam-se diversas línguas, sendo reconhecidas, pelo menos, seis línguas diferentes





O que resta do antigo Forte português

Os
 comerciantes e missionários Portugueses estabeleceram-se nesta ilha no século XVI, principalmente em Larantuka e Sikka. A sua influência ainda hoje é identificável no falar e na cultura dessas regiões. 




 Monumento a Jesús em Maumere, Flores
A população de Flores é católica na sua quase totalidade, consequência de em Larantuca ter sido fundada uma das primeiras missões abertas pelos dominicanos portugueses, em finais do século XVI.
Todos os anos é celebrada a Semana Santa, que mantém a terminologia portuguesa e muitos dos costumes específicos da celebração desta cerimónia em Portugal. Grande parte da população católica sabe ainda hoje rezar em português antigo, apesar de o falar correcto da língua portuguesa já se ter perdido na região. Muitas destas tradições são mantidas pela Confraria de Nossa Senhora do Rosário que ao longo de quatro séculos presiste, continuando a chamar-se Confreria Reinha Rosari.
Na Indonésia 89% dos cerca de 250 milhões de habitantes são muçulmanos. A ilha das Flores entre os cerca de um milhão de habitantes, 85% são católicos.

Palavras portuguesas na língua indonésia

Só umas poucas palavras entraram na língua indonésia.
Por exemplo:
bangku ‘banco’
bibliotek ‘biblioteca’
gereja ‘igreja’
jendela ‘janela’
kapela ‘capela’
katedral ‘catedral’
meja ‘mesa’
minggu ‘domingo’
paroki ‘paróquia’
pasear ‘passear’

Expressões portuguesas usadas na região de Larantuka e Maumere

Dias da semana (usados até hoje):
Segunda-fera, tersa-fera, kwarta-fera, kinta-fera, sesta-fera, sábadu, domingo.
Nomes próprios:
Da Silfa, Da Gomes, Joanes Ribéra, Pârera, Da Cuña, Da Lopez, Carvalo, De Rosari, De Ornai, Rita.
Relação familiar:
Tio/tia, cuñadu/cuñada, pa (pai), ma (mãe), nina (menina), siñu Da Gomes (senhorzinho Gomes, no sentido de pequeno ou de carinho), nina Da Gomes (senhorita Gomes, no mesmo sentido).
Catolicismo:
Prosesi (procissão), Reña Rosari (santa padroeira de Larantuka), Tuang Mâ (Nossa Senhora), Tuang Deo (Deus), San Domingu, San Juan, konféria (confraria), gereja (igreja), katedral, kapela, paroki, cruz, promesa, kristang (cristão), missa, paji (padre), tuang paji (teu padre, senhor padre).
Termos do dia-a-dia:
pasear, jandela, meja, bangku, kadéra, garfu, sâpátu, almari (armário), sem (sem), nyora (senhora), statua (estátua), berok (barco), minyoka (minhoca), redaku, sândál (sandália), ose (você), senyor (senhor: para pessoas que têm autoridade ou para os mais velhos), espada, kamija (camisa), mamonti (prato cheio, como um “monte”), tésta.

Na região de Larantuka, o grupo da Konféria sempre usa a língua portuguesa nas orações e no seu boletim.