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domingo, 29 de julho de 2018

- "Comunidades de luso-descendentes que Portugal ignora"

Não é de estranhar que os políticos portugueses ignorem as comunidades de luso-descendentes que persistem em existir após o fim do Império Português do Oriente; ELAS NÃO DÃO VOTOS ! ...

Estão espalhados um pouco por todo o mundo e são a maior prova do legado dos Descobrimentos, quando os portugueses partiram para terras distantes em busca de glória e riqueza. A grande maioria deles ainda fala crioulo de origem portuguesa e ainda mantém vivas algumas tradições dos seus  antepassados. É comum, em muitos locais, ainda cantarem em português e a religião católica é outro factor que os une. 
Existem muitas comunidades que descendem dos portugueses, desde a América até à Ásia. Algumas estão a desaparecer; outros ainda conseguem manter viva a chama dos seus ancestrais e o amor por Portugal. 
Recordemos a Comunidade Ziguinchor, do Senegal; a Comunidade Korlai, da Índia; a Comunidade Bayinghyis, da Birmânia; a Comunidade dos Burghers, do Sri Lanka; a Comunidade Kristang, da Malásia; e, na Indonésia, as Comunidades da Ilha das Flores, de Lamno (na ilha de Samatra) e a de Tugu (na ilha de Java).

Seria bom que os responsáveis reconhecessem que preservando estas comunidades Portugal ganharia, em prestígio e em mercados já que, aparentemente, nada mais lhes interessa.   

terça-feira, 5 de setembro de 2017

-"Centenas de igrejas estão virando mesquitas na Europa"

"CRÓNICAS DE BEM-QUERER"
Segundo o Instituto Pew, a população muçulmana na Europa na década de 1990 era de cerca de 29 milhões de pessoas. Hoje, com os refugiados, não se consegue saber quantas são. As consequências estão à vista e não se vêem medidas que melhorem a situação.
Os índices em quase todos os países são assustadores.O artigo que se segue demonstra bem que a islamização da Europa é um facto incontestável.

"Santa Sofia": ex-Basílica, ex-Mesquita e agora museu em Istambul

CENTENAS DE IGREJAS ESTÃO VIRANDO MESQUITAS NA EUROPA !
Por: Jarbas Aragão
Em toda a Europa, o Islã estatisticamente cresce mais que o cristianismo, enquanto os judeus estão abandonando o velho continente em quantidades cada vez maiores.
O Gatestone Institute, que monitora a ascensão do islamismo, fez um levantamento espantoso: a maioria das igrejas europeias estão se tornando templos islâmicos. Isso era impensável até o século passado.
Segundo o Gatestone, turistas que visitam qualquer grande cidade europeia moderna poderão notar que novas mesquitas estão sendo construídas ao lado de igrejas que estão fechadas, e algumas literalmente se tornaram museus.
Os casos de templos cristãos transformados em mesquitas se multiplicam na França. Em Vierzon, a Igreja de Saint-Eloi tornou-se uma mesquita. Em Nantes, a antiga Igreja de São Cristóvão também se tornou um local de culto muçulmano.
Na Holanda, as coisas não são muito diferentes. A Grande Mesquita de Fatih, na capital Amesterdã no passado foi a Igreja de São Inácio. Das 720 igrejas existentes na província de Friesland, 250 se tornaram mesquitas ou foram fechadas. A sinagoga da cidade de Haia agora responde pelo nome de mesquita Al Aqsa.
O Reino Unido testemunha situações similares. A principal mesquita em Dublin, capital da Irlanda, durante séculos foi uma igreja presbiteriana. Na Inglaterra, são centenas de igrejas fechadas na última década, sendo que muitas foram reformadas para abrigar mesquitas.
Segundo dados atuais, são 3 milhões de seguidores de Maomé na terra da Rainha Elizabeth, sendo mais da metade deles imigrantes.
De acordo com o jornal La Libre, dezenas de igrejas belgas estão em perigo iminente de conversão para outros usos. Uma boa porcentagem deve virar mesquita. Em Bruxelas, metade das crianças que estudam em escolas públicas assistem aulas de religião muçulmana, embora oficialmente apenas 19% da população se declara muçulmana.
Na Alemanha, apesar de a chanceler Angela Merkel ser filha de pastor luterano e o presidente Joachim Gauck ser um pastor protestante, o cristianismo está em queda livre. Entre 1990 e 2010, a Igreja Luterana Alemã fechou 340 igrejas e a Igreja Católica perdeu mais de 400 templos.
Muitas delas foram adquiridas pela crescente comunidade muçulmana no país.  Eles eram 50 mil na década de 1980, hoje passam de 4 milhões.
Segundo um levantamento do Instituto Pew, a população muçulmana na Europa na década de 1990 era cerca de 29 milhões de pessoas. A projeção era que chegassem a 58 milhões em 2030. Contudo, a crise migratória dos últimos dois anos impossibilitou qualquer previsão a curto prazo. Todos os especialistas apontam para números muito superiores nas próximas décadas.
E Sinagogas também.
Zvi Ammar, presidente do Consistório Israelita de Marselha, França, anunciou recentemente que um dos efeitos do antissemitismo no país era o esvaziamento das sinagogas. A organização muçulmana Al Badr pagou 400.000 euros [R$ 1,5 mi] pelo prédio onde funcionou durante séculos a sinagoga Ou Torah.
Enquanto o templo judeu estava vazio, a mesquita do mesmo bairro estava com superlotação, a ponto de os fiéis serem obrigados a rezar na rua.
Esse é um exemplo significativo. Um ano atrás, o líder muçulmano francês Dalil Boubakeur sugeriu transformar igrejas vazias em mesquitas. É a primeira vez na França que algo semelhante aconteceu com uma sinagoga na Europa. Há vários registros desse tipo de situação no Oriente Médio e norte da África durante o período de expansão do islamismo, nos séculos 7 e

sexta-feira, 19 de maio de 2017

-" O avião do Presidente da África do Sul "

África do Sul

Rendimento Médio por Pessoa: $1,25 / diário = $37,50 / mês (como se pode viver ? )
Índice de Desenvolvimento: 0,666 ( 119º lugar ).



O avião do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma,  é um Boeing 747-8 que ele mandou converter num luxuoso palácio voador. Terá custado aos contribintes da África do Sul cerca de 400 milhões de dólares, o que faz com seja uma das mais caras compras de todos os tempos. 
O Air Force One comparado com ele é um modesto avião.
O Booeing 747 é, normalmente, construido para 600 passageiros, mas este avião foi construido só para um doentio megalómano que, se quiser, pode compartilhar um luxo do outro mundo com dezenas de convidados, nas suas suites, nos seus salões e no seu restaurante de bordo.
Vejam o esquema do avião e as fotografias do seu interior, e pensem se isto não é um descarado insulto à pobreza.
.

domingo, 9 de abril de 2017

- "Rendimento Básico Incondicional"

Há alguns meses atrás o Parlamento suiço debateu uma Proposta de Lei que lhe foi apresentada por petição de alguns milhares de cidadão, no sentido de ser introduzido o Rendimento Básico Incondicional. Infelizmente, apesar de os deputados considerarem a ideia viável e socialmente acertada, decidiram que ainda era cedo para adotar tal medida.
Resumindo, decidiram passar a responsabilidade para a próxima geração.

Já que se voltou a falar no assunto, cremos ser adequado recordar o que, sobre o tema, temos publicando
Com a crise financeira que assola o Ocidente, reacendeu-se, na Europa, o debate acerca da introdução da Rendimento Básico, como sendo uma ideia que poderá modificar as condições de vida  de toda a humanidade.
Em inglês designa-se por “Universal Basic Income”, em francês por “Revenu de Base” e em alemão por “Grundeinkommen”.
Esta forma de rendimento foi referida pela primeira vez, que se saiba, em 1795 por Thomas Paine, no panfleto “Agrarian Justice”, de sua autoria, inspirado na filosofia do igualitarismo.
A única experiência de Rendimento Básico no mundo é a do estado americano do Alasca, desde 1982..
No Brasil, a designada "Renda Básica" foi aprovada pelo Senado em 2004. O primeiro Município a aprovar a lei foi o de Santo António do Pinhal–São Paulo, em 2009.
Infelizmente, a lei ainda não saiu do papel mas existiu, durante alguns anos, com sucesso, uma experiência-piloto em Quatinga Velho.
Os atuais defensores do Rendimento Básico Incondicional pretendem que ele seja atribuido sem  condicionalismos, considerando que todo o ser humano tem direito a dispor de condições que lhe permitam viver dignamente, desde o berço até à sepultura;
- ou seja: qualquer pessoa, só pela razão de existir, terá direito à Renda Básica, que será igual para todos, independentemente da sua posição social e de outros rendimentos de que disponha.
O vídeo que se segue, presta mais esclarecimentos

VÍDEO (a carregar)        

domingo, 22 de janeiro de 2017

-"Para Portugal não esquecer: "A Ponte Aérea de 1975"


102 visualizações
A PONTE AÉREA DE 1975
Os dramáticos dias do início da descolonização portuguesa

Um pouco daquilo que verdadeiramente foi A DESCOLONIZAÇÃO EXEMPLAR dirigida pelo EXEMPLAR (felizmente já defunto) mário soares.....
Infelizmente não foi só em Angola. Também em Moçambique os terroristas violavam mulheres brancas que depois esventravam. Estes " retornados " perderam tudo, mas não foi por abandono do País, a culpa foi dos políticos da altura e de algumas patentes " vermelhas " que depois de se governarem com a guerra deram uma de bonzinhos.
É preciso dizer as verdades e mostrar aos novos as mentiras que lhes têm contado. É preciso que todos saibam que saímos de África como colonizadores, para entrarem outros como EXPLORADORES.

Foi o maior êxodo da História de Portugal
Começou em 17 de Julho de 1975 e acabou a 3 de Novembro, desse mesmo ano



Um episódio.

…Em 1974, uma revolução em Lisboa apanha de surpresa centenas de milhares de portugueses que vivem em Angola. A partir desse dia inicia-se a derrocada imparável de uma sociedade inteira que, tal como um navio a afundar-se, está condenada à destruição e à ruína. Em escassos meses, trezentos mil portugueses são obrigados a largar tudo e a fugir, embarcando numa ponte aérea e marítima que marca o maior êxodo da história deste povo. Para trás ficam as suas casas, os carros e até os animais de estimação. Empresas, fábricas, comércio e fazendas são abandonados enquanto Luanda, a capital da jóia da coroa do império português, é abalada por uma guerra civil que alastra ao resto do território angolano. 
(Excerto do livro de Tiago Rebelo: “O Último Ano em Luanda”)


 “Durante a ponte aérea, não havia programação de voos os aviões chegavam,  abasteciam-se e partiam, foram períodos de uma tensão a raiar os limites de ser suportada”.
Gonçalves Ribeiro, Alto-Comissário para os Refugiados.
Eduarda Ferreira in: Jornal de Notícias.
                                                                    28 de Agosto de 1975
Nessa noite apresentei-me, como Co-Piloto de Boeing 747, nas Operações da TAP em Lisboa para fazer mais um voo da Ponte Aérea.

Neste caso seria Lisboa / Luanda / Nova Lisboa / Luanda / Lisboa
Já à saída de Lisboa se notava um ambiente estranho entre a tripulação (reforçada). Havia um grupo que parecia saber de coisas que viriam a acontecer e mais ninguém sabia. Os outros interrogavam-se, suspeitando de uma pretensa ligação ao Partido Comunista daquele grupo sabedor de coisas...
De coisas que não sabíamos. Nem sonhávamos...
A pouco e pouco, até Luanda, percebeu-se do que se tratava, sem que os 2 Comandantes tivessem sido avisados da alteração “programada“, à sua revelia, do propósito inicial do voo a Nova Lisboa : recolher civis Portugueses e trazê-los para Lisboa.

E o que se tramava era nem mais nem menos isto:

- Deixar em terra, em Nova Lisboa, os Portugueses, ao abandono.


- Levar dali para Luanda os militares do MPLA, em perigo dado o apertar do cerco à cidade pela UNITA.

-  Regressar a Lisboa num voo comercial normal e não de Refugiados...
                                                           
Quando finalmente, ainda em voo para Luanda, toda a tripulação ficou a saber do que se tramava algures em Lisboa, Luanda e no próprio avião, fizeram-se mini-plenários (plenários a bordo, em pleno voo, dá para acreditar?...) ficando então decidido por maioria que o voo se faria integralmente como programado:

Em Nova Lisboa só embarcariam Portugueses que viriam até Lisboa connosco!


Já aterrados em Luanda, durante o reabastecimento a caminho de Nova Lisboa, o chefe de escala, conotado com o PC segundo se dizia, tentou alterar as coisas tendo no entanto sido avisado das intenções da maioria da tripulação.
À chegada a Nova Lisboa, ainda do ar, podia ver-se uma longa fila de cerca de 400 pessoas fora da Aerogare prontas a embarcar, já há 3 dias a viver ali, mais ou menos na rua. Quando a porta do avião se abriu e uma brisa húmida e muito quente se sentiu, entrou uma delegação TAP, ad-hoc, local (manutenção e handling) a informar que se os MPLA’s embarcassem em vez dos Portugueses, (o próprio MPLA estaria avisado que o voo seria para os recolher…) todos os funcionários TAP embarcariam também, quanto mais não fosse pelo receio de represálias pela UNITA.
Embarcaram, evidentemente, os portugueses… em estado miserável, há três dias sem comida.

Crianças e bebés comiam latas de atum e pão seco.

Os adultos só pão seco molhado em água.
  
Todos exibiam um tom de pele doentio cor de folha de tabaco.  

…Em Nova Lisboa a situação era tremenda. Havia uma espécie de grande hangar e as pessoas chegavam das mais variadas formas, carregadas de malas. Como não as podiam levar — havia um limite de 30 kg por passageiro — havia uma montanha incrível de bagagem deixada para trás. Não havia condições nenhumas, a sanita era um antigo avião de campanha completamente recuperado que um oficial qualquer tinha resolvido pôr ali como monumento. Imagine-se, um avião que tinha andado na guerra!
"Quem controlava eram os guerrilheiros da Unita, que tinham um aspecto inacreditável. A tropa já se tinha vindo embora. Assim tínhamos de discutir horas com os UNITAS que queriam entrar nos nossos aviões para ir lá buscar pessoas, e assegurar que eles não inutilizassem o avião. Era essa a minha maior preocupação quando estava no solo.”
 “Chegou a uma altura em que a tropa portuguesa já se tinha vindo quase toda embora e mesmo em Luanda as pessoas só se sentiam seguras no aeroporto. Chegámos a ter lá 5000, numa caserna para 500 homens.” 

(Gonçalves Ribeiro, mais tarde Alto-Comissário para os Refugiados, o nome que  todos apontam como coordenador da ponte aérea que em três meses e meio transportou quase meio milhão de pessoas de Nova Lisboa e Luanda para o aeroporto da Portela.)
  
por Fernanda Câncio .Do Blogue: “No tempo dos Araújos”.

Já de volta a Luanda, agora em transito para Lisboa, pelo grande empenho do chefe de escala da TAP que reclamava a essência Comercial do próximo troço, ficou decidido que o voo para Lisboa seria com os passageiros normais, pagantes.
Os de Nova Lisboa seriam simplesmente adicionados à enorme desumanidade que era naqueles dias o caos naquele Aeroporto de Luanda!
  



No aeroporto de Luanda, milhares de pessoas aguardavam, nas piores condições de salubridade, um lugar nos aviões Jumbo da TAP, que transportavam a um ritmo de mais de mil pessoas por dia as cerca de 250 mil que queriam regressar.

Rui Ochôa, Expresso, 26 de Julho de 2009 

E enquanto o avião era reabastecido e limpo, os espoliados embarcados em Nova Lisboa foram desembarcados, com o falso pretexto de que o avião tinha de ser reabastecido sem passageiros.
Essas 400 pessoas foram despejadas na aerogare, ao abandono, após 3 dias atrozes de desespero em Nova Lisboa. Iam começar nova odisseia.
Desta vez a um passo da liberdade prometida mas agora integrados numa luta maior de acrescida competição por um lugar a bordo de um qualquer avião.
E, claro, na hora do embarque lá entraram outras gentes, com muito melhor ar, os passageiros pagantes do voo regular para Lisboa.


Uma meia hora depois e já com o avião praticamente cheio, os nossos amigos de Nova Lisboa, desembarcados à força naquele Inferno, eles que já vinham de outra muito amarga experiência, deram-se conta de que tinham sido enganados e agiram rapidamente num misto de medo e fúria.
Em pânico, invadiram espontâneamente a placa a correr por ali fora direitos ao avião, atabalhoadamente, acossados pelo medo de tendo já escapado ao terror de que se tinham livrado, estarem agora irremediavelmente condenados a no mínimo… apodrecer na Aerogare de Luanda sem comida, água, cuidados de saúde e completamente indefesos.
Os pára-quedistas Portugueses de serviço junto ao avião, de G3 apontadas a eles, limitaram-se a ficar extáticos, virados para a Aerogare, e a ser ultrapassados por todos os desgraçados que quisessem.
Num instante um mar de gente em fúria, filhos e bagagens nas mãos, subindo por todas as escadas possíveis, entrou pelo avião dentro, sem controlo. Em segurança, de novo!
E os que não iam conseguindo entrar porque todas as escadas estavam a abarrotar de gente desesperada, ficaram a toda a volta do avião, perdidos, em pânico, com muita raiva.Vários firmemente agarrados ao trem de aterragem para não serem recambiados, alguns com filhos muito pequenos seguros pelo outro braço, muitos a tentar subir as escadas atafulhadas de gente, todos aos gritos, todos em lágrimas e a tripulação dentro do avião, junto às portas, a lutar com a impossibilidade de gerir aquele inesperado drama para o qual ninguém estava preparado, por muito que se julgasse capaz.

Entretanto, no upper-deck do Boeing 747 CS-TJB (aquele espaço normalmente reservado a passageiros da 1ª Classe mas agora a servir de camarata aos tripulantes em descanso em colchões de espuma atirados para o chão ao acaso) no dia 29 de Agosto de 1975, a meio da tarde, a situação era calma… “ foram vocês que arranjaram isto, agora desenrasquem-se “. E a confusão a bordo era total. E desenrolava-se como um monstro que a pouco e pouco se apodera de todo um espaço e não há mais lugar para a dignidade. Era-mos todos, passageiros e tripulantes, vitimas indefesas de algo superior que nos dominava.
Para mim foi demais…
Fui lá para baixo tentar fazer qualquer coisa. A tripulação de cabine da frente, mais experiente, já tinha conseguido fechar a porta a seu cargo. Agora a grande confusão era na porta do meio.

Com intenso dramatismo, todos aos gritos, todos fora de controlo (a tripulação já tinha uma noite de serviço e 12 a 14 horas de trabalho) íamos puxando para dentro os que estavam meio cá meio lá, tentando manter os outros de fora para se conseguir fechar também esta porta. 
Um velho no topo da escada socorre-se de mim (eu era o que tinha ali, no momento, mais galões nos ombros) e grita-me repetidas vezes:.


 - Os meus filhos!!! Os meus filhos!!!

 - Onde é que eles estão?  Perguntei-lhe tentando gritar mais alto do que todos os outros 50 ou 60 que nos rodeavam dentro e fora...

 - Aí dentro !!! Eram 3. Entre pequenos e mais velhos. E estavam mesmo ao meu lado… Consigo sair a custo do avião e já na escada, começo a puxá-lo para dentro por um braço enquanto todos os outros aproveitam a boleia e forçam a entrada, escada acima, contrariando a tripulação de cabina que, atrás de mim, tenta impedir aquele caos, empurrando toda a gente para fora. E no meio do mais fantástico puxa-empurra, desesperado, tudo aos gritos, tudo em lágrimas, todos com os mais dramáticos e irrecusáveis argumentos a pedir para entrar, não sei quando, às tantas, consegui ouvir alguém do chão gritar:

- A escada vai cair!!!O excesso de peso e as grandes oscilações faziam com que os apoios hidráulicos que elevavam a escada à grande altura da porta do Boeing 747 estivessem já curvos e bamboleantes. O topo da escada, junto à porta do avião, já estava um bom palmo abaixo do nível da porta.
Deu-se então uma luta final realmente titânica para conseguir fechar aquela porta, ela que ainda por cima fecha de fora para dentro... tentando convencer as pessoas no topo da escada do perigo que todos nós corríamos. Fechada a porta conseguimos reduzir o nosso drama só ao interior daquela autentica nave de loucos.No chão, à volta do avião, haveria 100 a 200 homens mulheres e crianças e a bordo do nosso Boeing B 747 havia cerca de 600… entre os originários de Nova Lisboa e passageiros embarcados em Luanda.
O que se passava no exterior com tantas pessoas desesperadas, com tantas crianças violentamente expostas a este drama, deixou de nos preocupar.
O drama e a insegurança estabelecida dentro do avião eram-nos prioritários agora. 
Todos se achavam no direito de seguir viagem para Lisboa. Os argumentos eram os mais variados.
Havia quem, bem trajado e com ar saudável, acabado de sair de sua casa em Luanda, mostrasse um Rx para uma operação urgente. Havia famílias subitamente separadas, dentro e fora do avião, pais e filhos separados por uma simples porta, impenetrável.
Havia enfim um sem número de problemas reais ou fictícios e nenhum critério ou orientação para começar, sequer, a solucionar aquilo: o avião só podia transportar legalmente 400 passageiros e mais os cerca de 36 tripulantes, (tripulação reforçada) além dos dois ou três representantes do IARN, organismo Estatal de Apoio aos Refugiados Nacionais que seguiam em todos os voos da Ponte Aérea.
Não me lembro de nenhuma acção de apoio, nesta situação, destes mesmos elementos, supostamente de apoio. Estavam sentados no lugar certo e por ali ficaram… Se fizeram alguma coisa, não me lembro. As minhas desculpas.
Havia também um garrido grupo de 25 bem arranjadas prostitutas de Luanda.

Nesta tremenda confusão, uma passageira, muito bem vestida, obviamente originária de Luanda e também desesperada por se ver ameaçada de ser devolvida ao Inferno se fosse desembarcada, agarrou a mão de uma muito jovem assistente de bordo da TAP que passava, abriu a carteira, tirou de dentro dela uma pequena pistola de cano cromado, punho em madrepérola, apontou-a à sua própria cabeça e disse calmamente à apavorada assistente:
- Olhe menina, se eu não for para Lisboa, mato-me aqui mesmo! 
Talvez a melhor imagem do desespero das pessoas, melhor ou pior vestidas, naqueles dias...
É claro que a jovem Assistente apareceu no upper-deck em perfeito estado de histerismo.
Convém lembrar que entretanto já se tinham passado mais de 14 horas desde a apresentação da tripulação em Lisboa, por volta da meia-noite anterior…
E perante a inoperância da escala de Luanda, propositada ou não e da falta de soluções dos mais altos responsáveis a bordo, dois elementos da tripulação resolveram, por sua alta recreação, meter mãos à obra e começaram intermináveis viagens entre o avião e a Aerogare dialogando passageiro a passageiro para avaliar das verdadeiras e inadiáveis razões que cada um teria para seguir mesmo naquele voo.
Foram um Técnico de Voo e um Comissário de Bordo:  Não me lembro do nome do Técnico de Voo, mas sei que era o pai de uma funcionária jovem e bonita da Operações de Voo da TAP. O Comissário era o C/B Duarte André.
Umas 5 horas depois... com cerca de 8 horas totais nesta segunda escala no Aeroporto de Luanda, lá conseguimos descolar. 440 pessoas a bordo.
À saída de Luanda a tripulação já levava, talvez, 17 horas de trabalho. Naquelas condições.
 Imagem meramente ilustrativa

O voo decorreu sem mais incidente algum. Aterrámos em Lisboa ao fim de 26 longas, atribuladas e inacreditáveis horas de trabalho, seguido.Alguns de nós com a consciência tranquila.

E para os nossos passageiros de Nova Lisboa, de retorno à Pátria, como aconteceu a tantos outros, foram estas as melhores condições que se lhe ofereceram:



Quanto a mim, quando cheguei a casa, sentei-me na sala, exausto, contei a história e desatei a chorar. Descontrolado. Muito provavelmente de cansaço. E outras coisas…

Depois de 26 horas de trabalho contínuo.
Um total de 15h40 de voo.
Sendo 9h30 de voo nocturno, durante duas noites consecutivas.
Duas escalas em Luanda com um total de cerca de 10 horas no chão
Sempre em serviço, embora com tripulação reforçada. 
Fizémos 4 aterragens.

Gabriel Cavaleiro à(s) quinta-feira, abril 07, 2011 (Actualizada em 03 de Novembro de 2016)

Fonte: http://riodosbonssinais.blogspot.pt/2011/04/ponte-aerea-de-1975.html?m=1

domingo, 20 de março de 2016

-"Toda a vida europeia morreu em Auschwitz !"

   


Artigo de Sebastian Vilar Rodriguez publicado num jornal espanhol
em 2011.

Desci uma rua em Barcelona, e descobri repentinamente uma verdade terrível. – A Europa morreu em Auschwitz. Matámos seis milhões de Judeus e substituímo-los por 20 milhões de muçulmanos. Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade e talento. Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo. A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comércio internacional e, acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimámos.
E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho.
Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime. Fechados nos seus apartamentos eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planeiam o assassinato e a destruição dos seus ingénuos hospedeiros.
E assim, na nossa miséria, trocámos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição. Trocámos a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu apego à vida porque a vida é santa, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.
Que terrível erro cometido pela miserável Europa.

segunda-feira, 14 de março de 2016

-"O deficiente sistema de ensino dos EUA"

O presente vídeo mostra-nos a deficiência do sistema educacional americano e como ele está por detrás da crise económica. Faz-nos a preocupante revelação de que a grande maioria dos doutorados em universidades americanas são estrangeiros que, regra geral regressam aos seus países de origem.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

-"Inquérito sobre o Rendimento Básico Incondicional"

Um inquérito sobre o Rendimento Básico Incondicional, realizado na Suiça, revelou que 9 em cada 10 suiços continuariam a trabalhar, mesmo recebendo o RBI.
 


22% estabeleceriam-se por conta própria                                                   só 2% deixariam de trabalhar

59 % dos inquiridos com menos de 35 anos acreditam que o Rendimento Básico Incondicional será, em breve, uma realidade. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

- "200 milhões de raparigas e mulheres vítimas de mutilação genital"

em 30 países, revela um relatório estatístico da UNICEF.
A “Excisão Feminina” consiste, nos países árabes, na remoção apenas da parte superior do clitóris. Em África, pratica-se a clitoridectomia, ou remoção total do clitóris e por vezes mesmo a remoção dos pequenos lábios.
Segundo o relatório UNICEF metade do conjunto de raparigas e mulheres que foram excisadas vivem em três países: - Egipto, Etiópia e Indonésia.
As raparigas até aos 14 anos constituem 44 milhões das excisadas, registando-se a maior prevalência de Mutilação Genital Feminina (MGF) nessa faixa etária na Gâmbia (56%), na Mauritânia (54%). Na Indonésia, cerca de metade de todas as raparigas até aos 11 anos foram submetidas à prática. Os países com a maior prevalência na faixa dos 15 aos 49 anos são a Somália (98%), a Guiné (97%) e o Djibouti (93%).

Países onde se pratica a excisão feminina

Na maior parte dos países, é predominante o número de raparigas que foram excisadas antes de completar os cinco anos de vida.
Centenas de mulheres continuam a morrer em virtude desta ‘operação’. Infecções, sangramentos até à morte, perda de vitalidade, falta de higiene dos instrumentos, tudo leva a que a excisão seja um perigo para a saúde. Em alguns países, o clitóris é cortado com uma simples pedra afiada e para evitar o sangramento são colocadas sobre a ferida cinzas ainda quentes ou borras de café.
Todos os objetos afiados podem ser usados para a operação, desde lâminas de barbear, facas de cozinha, tesouras e pedaços de vidro. Estes ‘instrumentos’ são frequentemente usados em diferentes raparigas no mesmo dia e raramente são limpos e muito menos esterilizados, causando a transmissão de vários vírus como o HIV e outras infecções na área genital.
As razões apresentadas para a excisão variam entre o facto da mulher que mantém o clítoris ser considerada impura e não apta para o casamento até à crença que o facto de um pénis tocar no clitóris ser fatal para o homem.
Outras apontam para que este seja um tratamento contra a feitiçaria, a segurança sobre a virgindade, honra de família ou simplesmente para as afastar do sexo, tornado-as simples objetos de prazer para o marido. Em Dezembro de 1993 as Nações Unidas adotaram a ‘Declaração sobre a Violência contra a Mulher’, um reconhecimento implícito por parte da comunidade internacional da existência de um fenómeno universal de violência de género (pois afeta apenas as mulheres), no qual se incluem as mutilações genitais femininas. Um pequeno passo para um tão grande problema que ameaça continuar por mais um milénio, visto os chamados “Países Civilizados” não estarem disposto a por cobro a esta tragédia.
Oxalá este artigo possa contribuir para envergonhar alguns dos “responsáveis” que o possam ler.



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

-" À amnésia convulsiva de Soares juntam-se os abutres e agitadores da esquerda à direita de Portugal "

Artigo de Vítor Santos – maior tv, publicado em Jornal O Povo (Fortaleza-Brasil)


“se quer dar o exemplo, num momento tão difícil, pode abdicar dos apoios

públicos à sua fundação”…

A m n é s i a   co n v u l s i v a   d e   S o a r e s
Mário Soares decidiu promover um manifesto que pede a demissão do Governo. Obviamente que, quaisquer um pode discordar de Passos Coelho e do seu executivo, pela forma como está a conduzir o país.
Mas o ex-presidente da República esquece-se do desastre que foram os governos socialistas, nomeadamente, os liderados pelo seu camarada José Sócrates e, sobretudo, os seus, enquanto primeiro-ministro.

Respondeu-lhe bem João Almeida do CDS-PP, por escrito, fazendo-lhe um desafio público: “se quer dar o exemplo, num momento tão difícil, pode abdicar dos apoios públicos à sua fundação”…
Também Sérgio Azevedo, deputado do PSD, afirmou que “se houvesse personalidade que sempre se aproveitou e tirou partido de qualquer regime foi este senhor. Agora, é só tirar as ilações”.

Mas voltando ao manifesto do senhor Ex-presidente da República que mais não foi do que um encontro de arruaceiros instigando violência pública gratuita, vejo presentes os oportunistas de sempre, da direita à esquerda.
E, o que mais me impressionou, foi ver o senhor Pacheco Pereira (PSD) sentado ao lado do amnésico Soares criticando de uma forma absolutamente demagoga, diria mesmo insultuosa, as medidas do actual Governo.
Os abutres desde a esquerda à direita juntaram-se à amnésia de Mário Soares. Porque será?
A amnésia de Soares, há muito conhecida, é tão selectiva como conveniente. É incrível que haja ainda quem, lhe dê ouvidos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

-"A maioria dos alemães apoia Portugal"

Tradução da carta que a cidadã alemã Ute Pferdhirt enviou à redação do Jornal “O Público” no dia 11 do mês passado


Exmos.Senhores !

Esta carta vai escrita em alemão porque, embora eu possa ler, não consigo falar ou escrever português.
Ontem, li o excelente artigo de Manuel Carvalho “Foi Você que pediu o FMI ?” publicado no Vosso jornal  http://www.publico.pt/economia/noticia/foi-voce-que-pediu-o-fmi-1580105 .
e hoje recebi da “Central Federal Alemã para Formação Política” uma Newsletter com um artigo versando o mesmo tema http://www.nachdenkseiten.de/?p=15789#top .
Levo isto ao Vosso conhecimento para que, caso assim o entendam, possam facultar aos Vossos leitores o link para o referido artigo, porque pretendo que, pelo menos eles, fiquem a saber que a maioria dos alemães

- considera um enorme erro as medidas de austeridade que o MFI impôs à população portuguesa;
- espera que o seu apoio possa ser mais um argumento para uma próxima manifestação de protesto;
- deseja que o governo português abrande as medidas de austeridade

e, por último, mas não menos importante, que se saiba que os alemães não são a Angela Merkel e que na sua grande maioria repudiam as medidas que estão a ser impostas a países como Portugal .


Nota:
tradução e publicação com o acordo da autora


sexta-feira, 20 de julho de 2012

-"Morreu JOSÉ HERMANO SARAIVA"

PORTUGAL ESTÁ MAIS POBRE !

Perdeu um grande historiador, um político, um diplomata e um dos maiores comunicadores portugueses da atualidade. Partiu fisicamente mas continuará a viver na sua obra e na recordação dos belos momentos que nos proporcionou.







quinta-feira, 12 de julho de 2012

-"Mundo lusófono pode ser potência global"

Durante um jantar com empresários num hotel do Rio de  Janeiro,  o  primeiro-ministro  português  considerou  que
"o mundo lusófono tem tudo para se constituir uma potência global e afirmou haver entusiasmo dos presidentes do Brasil, Angola e Moçambique com a ideia de uma “aliança de prosperidade recíproca”.
Imaginem só o potencial humano, empresarial, político, económico, social e cultural que temos aqui em reserva. Tive, por isso, oportunidade, há alguns meses já de falar, com a presidente Dilma, com o presidente Eduardo dos Santos, com o presidente Guebuza, entre outros, e todos nós, entusiasmados, concordamos sobre as inúmeras vantagens de estabelecer uma aliança de prosperidade recíproca para os nossos empresários e cidadãos, assente numa sólida relação política, social e empresarial.
Os países de língua portuguesa têm disponibilidade de capitais, de recursos, de conhecimentos técnicos e humanos únicos em muitos setores de atividade, ou seja, têm todos os ingredientes para construírem um “grande mercado”.
Passos Coelho apontou ainda que cada país lusófono “é uma porta de entrada para uma comunidade maior” e defendeu que, tendo os portugueses sido “pioneiros da globalização”, não faz sentido que desperdicem “os maiores proveitos da atual globalização”.
Em particular quanto às relações com o Brasil, o primeiro-ministro advogou que está sendo construída “uma verdadeira aliança estratégica”, assinalando que escolheu o Brasil para a sua primeira visita fora da Europa, assim como Dilma Rousseff escolheu Portugal para a sua primeira visita fora do continente americano.".
Fonte: Lusa

quinta-feira, 28 de junho de 2012

-"A ditadura do Capital"

"Austeridade a mais pode "repetir" o que se passou na Alemanha pré-nazi

Quem o diz é Ewald Nowotny, governador do Banco da Áustria e membro do conselho de governadores do BCE, que traça um paralelo com as políticas de austeridade na Alemanha no começo dos anos 30, ambiente que facilitou a chegada ao poder de Adolfo Hitler.

Surpreendentemente, um membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) alerta para os perigos de políticas de excessiva austeridade fazendo um paralelo histórico com o que se passou na Alemanha no princípio dos anos 1930, depois da eclosão da Grande Depressão nos Estados Unidos.
Numa conferência, Nowotny recordou que as políticas de austeridade excessivas seguidas pelo então chanceler Heinrich Bruning, um especialista em finanças, na parte final da República de Weimar, produziram uma situação de crise profunda, desemprego em massa, e agravamento da situação política interna que criou as condições para a subida do nazismo ao poder.
O filme desta degradação política durou pouco mais de dois anos, e pode-se resumir da seguinte forma:
Em março de 1930, o presidente Paul von Hindenburg nomeou Bruning chanceler, mesmo sem maioria parlamentar de apoio, passando a governar por decretos de emergência, nomeadamente aplicando uma receita de austeridade extrema, no meio de uma Grande Depressão então global. Desemprego em massa criando franjas de miséria, empobrecimento da classe média com radicalização política de diversos segmentos, movimentos nos grandes grupos empresariais e financeiros e grande turbulência política levaram à queda de Bruning em maio de 1932.
A partir dessa altura sucederam-se vários governos e duas eleições legislativas nesse ano, em julho e novembro, em que o partido de Hitler se afirma como principal força política, com mais de 30% de votos. A 30 de janeiro de 1933, Hitler é nomeado chanceler."

COMENTÁRIO DO EDITOR

As consequências centrais (sem considerarmos as colaterais) do que acima foi descrito já todos conhecemos: o Holocausto, o uso de armas nucleares em combate e cerca de CEM MILHÕES de mortos. no que foi considerado o conflito mais letal da história da humanidade!
Na Alemanha, depois do período de hiperinflação de 1921 a 1924, seguiu-se um período de crescimento até 1929, que ficou conhecido como "goldener Zwanziger" (os dourados anos vinte), após o que a bolha rebentou e o povo ficou sujeito às condições humilhantes da austeridade que lhes foi imposta. Com austeridade que os arrastava para a miséria e recordando o sofrimento da década anterior, em que houve pessoas que morreram à fome e que os afortunados que podiam ir às compras tinham de levar o dinheiro numa mala de viagem (tal era a inflação), não admira que tenham apoiado uma "marioneta" psicótica como Hitler.
Será bom que os europeus estudem melhor a história ! ... Que aprendam com o passado e que tenham sempre presente que podem cair numa situação idêntica à dos alemães nos dourados anos vinte. E os alemães também ! ...

ANorton





domingo, 17 de junho de 2012

-"O assassinato dos idiomas"

A UNESCO, departamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, num estudo que realizou, aponta a pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política como principais responsáveis pelo possível extermínio de cerca da metade dos 6.500 idiomas falados em todo o mundo.
Alerta, também, para o facto de o desaparecimento de uma língua acarretar a perda definitiva de uma parte insubstituível do conhecimento humano pois  quando uma língua morre leva consigo a cultura do povo que a falava.

Na Austrália, nos últimos 100 anos, foram extintas centenas de línguas aborígenes e outras tantas estão em processo de desaparecimento devido às políticas de assimilação cultural.
No continente asiático, as 2.200 línguas lá faladas correm, igualmente, sério risco de desaparecerem.
Na região do Pacífico, onde se concentra um terço de todas as línguas faladas no mundo, o fenómeno é idêntico
Nos Estados Unidos, pelo menos 150 línguas indígenas, que conseguiram sobreviver à chegada dos europeus, estão agora ameaçadas de extinção.
No Brasil, acontece o mesmo com muitas línguas ainda faladas pelos índios que resistem à assimilação.
Na África, 550 línguas das 1.400 existentes poderão desaparecer em breve.
As 230 línguas faladas na Europa ou estão em processo de diluição ou travam uma luta tenaz contra os que as querem extinguir.
Mas não são apenas as línguas minoritárias que estão ameaçadas de desaparecimento.
O dialeto, modalidade regional de uma língua caracterizada por certas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou léxicas, também segue o mesmo rumo em muitos países.

Na Europa Central, riquíssima em dialetos, poucos são os que ainda são usados.

Os idiomas francês, espanhol, chinês e russo sufocaram as línguas minoritárias em seus países sem, contudo, terem conseguido fazê-las desaparecer.
Das lutas pela preservação do seu idioma e da sua identidade são dignas de destaque a que os irlandeses travaram após a selvagem ocupação inglesa que proibiu o uso do galês e a que os povos de Espanha vêm travando contra a criminosa tentativa de anulação ou adulteração dos seus idiomas pela dissimulada infiltração da língua castelhana.  
 

terça-feira, 5 de junho de 2012

-"A importância da CPLP"

No mapa publicado abaixo pode se ver a importância estratégica da CPLP e as potencialidades, tanto no campo político como comercial, que ela encerra. Dirigida por políticos inteligentes e concretizada por empresários eficientes, a CPLP poderá ter papel importante no cenário mundial.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

-" Um exemplo a seguir "

Cabo Verde perto de atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio

O arquipélago baixou o índice da pobreza para metade em 10 anos



Dados revelados no Dia Mundial de Erradicação da Pobreza pelo Coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Pobreza, mostram que Cabo verde está a apenas 2% de atingir as metas traçadas pela ONU.

Para a redução da pobreza contribuíram, nos últimos dez anos, a construção e reabilitação de cerca de mil casas, o acesso a água potável e a saneamento básico dado a cerca de 80 mil pessoas, mais de 10 mil pessoas alfabetizadas e perto de 30 mil euros investidos na melhoria de vida das populações mais pobres.


O vídeo que se segue é uma homenagem ao meu amigo Lima, um extraordinário enfermeiro cabo-verdiano, infelizmente já desaparecido, que conheci em Angola, como testemunho da minha admiração.
Admiração extensiva a todo o povo de Cabo Verde.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

-" A infantilidade de Àngela Merkel "


No dia 25 do mês passado, à noite, a Senhora Merkel deu uma entrevista à estação de televisão pública alemã, na qual defendeu a perda de soberania e o julgamento no Tribunal Europeu de Justiça  dos países que não cumpram os critérios de estabilidade.
Logo, no dia seguinte, a eurodeputada portuguesa Edite Estrela comentou da seguinte forma as afirmações de Ângela Merkel:

«Acho que há aqui uma falta de visão estratégica e até alguma infantilidade na análise dos problemas com que estamos confrontados».

«Acho lamentável que no actual contexto difícil que a união europeia atravessa que Angela Merkel só pense em multas, sanções, castigos e só faça ameaças em vez de serem tomadas as decisões que se impõem».

«A senhora Merkel está a acordar tarde e mal para a crise das dívidas soberanas e já deveria ter percebido que se tivessem sido tomadas, em Fevereiro de 2010, as medidas de ajuda à Grécia, medidas essas que depois acabaram por ter de tomar por força dos acontecimentos e a reboque das pressões dos mercados, provavelmente estaríamos todos agora em melhores condições»

«No que diz respeito ao desrespeito dos critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, a Alemanha e a França foram precisamente os primeiros países a desrespeitar».
“Os alemães são dos principais beneficiados da moeda única e do mercado interno e não devem esquecer que nos momentos difíceis da Alemanha, a Europa foi solidária principalmente quando pagou a reunificação alemã.

«Sou a favor da disciplina orçamental, sou a favor do cumprimento dos critérios do pacto de estabilidade e crescimento, mas estamos agora a viver momentos excepcionais. Ou seja há uma crise global que não havia até 2008 quando a Alemanha e a França desrespeitaram o PEC»

Concordo, inteiramente, com os comentários de Edite Estrela e embora haja mais a dizer o princípal foi dito.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

-" O discurso de um ladrão 500 anos depois "

O jornalista César Príncipe, num excelente artigo, corporiza o inglês Francis Drake, ladrão dos mares e de cidades costeiras, para explicar as causas dos recentes motins e roubos em Inglaterra.
De facto, ninguém mais apropriado para analisar as causas dos roubos do que um pirata especialista em  assassínios, violações e roubos, credenciado pelo governo do seu país, e para acentuar a inevitabilidade de um país que institucionalizou o roubo sentir o efeito disso no seu próprio seio.

Antes da análise do pirata Francis Drake, um vídeo com os acontecimentos a que ele se refere.




Discurso de Francis Drake
por César Príncipe [*]

Sou Francis Drake. Nasci robusto e prometedor no ano de 1540, em Devon. Faleci de gloriosa disenteria em 1596, no Panamá. Fui vice-almirante de Isabel I, que me concedeu Carta de Corso e me alçou à Dignidade de Cavaleiro. Sou Sir Francis Drake. Assaltei, saqueei, incendiei, matei e violei, com gula predatória e talante diplomático, desde a Europa às Américas, da África à Ásia. Não poupei Portugal, o mais velho aliado: investi da Metrópole às Colónias. Por esse mundo de realezas e tribos, aterrorizei cidades, vilas e aldeias. Vasculhei e pilhei barcos e portos, palácios e templos, celeiros e plantações. Dediquei-me ao nobilitante tráfico de escravos. Enchi a Coroa de tesouros e ornei a cabeça de louros. Sou um dos nomes fundadores e inspiradores do Império Britânico, um referente da Nova Globalização: o corso de porta-avião e assalto humanitário. Vim, hoje, ao Palácio de Westminster, ao Parlamento, para enaltecer a epopeia dos mares e esclarecer a crise que grassa em terra. É idêntico o desígnio que nos move. Mudou a estilística. Antes exibia-se a Carta de Corso. Agora brande-se a Carta dos Direitos Humanos sempre que se aborda um petroleiro ou um fundo soberano. Há que atender, contudo, à presente circunstância: somos uma colónia de uma antiga colónia. Também mudou a rainha. Reina outra Isabel, a II. God Save the Queen. Sou Francis Drake. Não pedi a palavra ao speaker, ao presidente, a John Bercow. Até onde sabemos, eu, a rainha e o povo britânico, a Excelentíssima e Gentil Esposa do Presidente, Sally Bercow, também não pediu autorização para irromper nua (velada por um lençol) à janela do apartamento (pago pelos cidadãos), defronte do Palácio de Westminster, deixando-se entrever a um tablóide londrino e à comunidade internacional. [1] Também anunciou a firme disposição de participar no Celebrity Big Brother. Não será Francis Drake, uma legenda eterna da Grã-Bretanha, a submeter-se ao regimento da Câmara dos Comuns.

Senhores Políticos, Senhores Polícias, Senhores Juízes, Senhores Jornalistas, súbditos de Isabel,

Ocorreram, em diversas cidades reais, actos que os negociantes da comunicação e as autoridades governamentais e policiais prontamente qualificaram como tumultos, distúrbios, delitos, actos criminosos, vandalismo, gangsterismo. Ora, o que se passou constitui, para além do óbvio, uma bênção dos céus. Poucas sociedades se poderão orgulhar de ter uma juventude tão brava e com tanta iniciativa, crianças tão audazes e auto-determinadas. Não desperdicemos esta geração combatente. A estranheza e o sobressalto apenas se explicam por desconhecimento da nossa conduta secular e pelo facto de estarmos habituados a manter a paz em casa e a guerra no estrangeiro. De supetão, legiões de ingleses saltaram para as ruas e, durante alguns dias, paralisaram o braço da Lei porque se sentiram iraquianos, afegãos, somalis, líbios. V. Excias. não compreendem o que custa ser iraquiano em Londres, afegão em Manchester, somali em Bristol, líbio em Salford. Eu, Francis Drake, entendo todos os roubos, todos os incêndios, todos os desacatos dos angry young men / das angry young women. [2] Nada de relevante relativamente às pilhagens, destruições e massacres que, dentro das melhores tradições e basilares princípios, levamos a cabo pela esfera terráquea. Não passam de danos colaterais face aos saques e aos escombros que provocamos no Mapa das Matérias-Primas e nos Pontos de Mira Estratégicos. Neste preciso instante. No momento da rebelião caseira. Mas como reagimos entre paredes? Prendemos infantes de 11 anos. Condenamos a quatro anos meros incitadores. Duplicamos as penas. Abarrotamos os cárceres de incriminados e suspeitos. Proclamamos que os desordeiros jamais ocuparão a Praça de Trasfalgar-Tahrir nem pisarão os corredores do Ceptro e os redutos da Libra.

Excelências,

Eles, os filhos da Albion e da Commonwealth, limitam-se a seguir, com espontaneidade, o profissionalismo de Tony Blair e David Cameron. Respondem com a mesma linguagem mas com pobreza de meios. Com uma desculpa. Somente aspiram a uma modesta parte do PIB planetário. Quem sabe: apenas ambicionarão de forma injusta e arbitrária o que é seu, o que é justo e lógico. Porventura um emprego. Talvez uma morada. Por certo boa saúde fora das clínicas de sangue azul e boa educação fora de Oxford e Cambridge. Dêem-lhes as armas de Terra, Mar e Ar e sereis vós os julgados. Não se iludam os estadistas do provisório e os cientistas do acessório: a sublevação não se deve ao BlackBerry Messenger nem ao Twitter. Já no séc. XI havia tumultos em Londres e se ergueu a Torre que foi Casa Real e Centro de Execuções. Sou Francis Drake. Ouçam-me. A ira dos amotinados não se contém com canhões de água, bombas de gás, balas de borracha, gradeamentos e bastões, estigmas de manchettes. Não chegam 16 mil agentes da Scotland Yard em Londres nem tropas de prevenção em Glasgow. A intifada inglesa revelou a fúria acumulada, o fracasso das instituições, a perversão do modelo. Resolver-se-á a crise económico-financeira, a crise social, educacional e familiar com a reposição dos contentores de lixo, dos vidros das montras, o reabastecimento das lojas, uma série de purgas de bairro, uma campanha de placards com os rostos dos suspeitos? Sou Francis Drake. Conheço as águas. A tormenta apaziguou. É assim no Atlântico, no Índico, no Pacífico. É assim até à próxima.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,

Por enquanto, podereis dormir sem sedativos e sem gorilas à cabeceira. A ordem regressou aos televisores. Repousai nos privilégios de casta e de castelo. Tranquilizai a City , o lugar da Terra onde se concentra mais dinheiro sujo, cofre-forte da guerra, da especulação, da corrupção, da escravidão, do tráfico. God Save the Queen . A NATO e as Monarquias do Golfo não armaram os rebeldes. Os insurrectos não assaltaram a Bastilha do Tamisa, a Tower, onde esteve clausurada Isabel, a I, antes de reinar 45 anos e me confiar missões de mar alto e investidas de litoral. Espero que Isabel II, reinante há 58 anos, não passe pela descortesia de assistir das varandas de Buckingham ao clamor das turbas, ao avanço dos operários- chips , dos estudantes- chats , dos polícias humilhados pelos governantes, dos loiros tornados negros, da embaixadora dos Jogos Olímpicos denunciada pela mãe. É que os brigadistas de Tottenham desconfiam de Cameron, embora este, em jovem, se divertisse a escacar lojas e restaurantes ao lado de Boris Johnson, colega, actual mayor . Cameron só admite que se estilhacem vitrinas e se lese o património por graça, por praxe, como exuberância de pedigree. Jamais por desespero, protesto, repúdio, rompimento dos limites psico-emocionais, alarme de sobrevivência. Boris, esse que respeitabilidade colherá no seio dos jovens irritados? Dirá aos ingleses em polvorosa o que disse aos gregos em transe: a melhor ajuda é deixá-los sozinhos. [2] Que esperança tendes para dar a tanta descrença?

Meritíssimos Juízes,

Os governantes entregam os vândalos ao vosso cuidado, exortando as instâncias de fim de linha a ditar sentenças céleres, implacáveis, memoráveis, que não se enredem em jurisprudências. Até concordaria se não fosse levado a algumas reservas, no sentido de poupar o ido Império à desmoralização geral ou ao perigoso culto da anti-violência. É indispensável o mínimo de moral para impor o máximo de imoralidade. Que vemos nos casos em que o Estado e os seus protegidos cometem crimes de alta parada? A Justiça é lenta, vacilante, persuadida a conter-se. Recordemos David Kelly, biólogo, ligado ao Ministério da Defesa, perito em desarmamento da ONU. Pôs em causa o fabrico e o armazenamento de armas de destruição em massa por parte do Iraque. Foi ostracizado e vítima de aparente suicídio . Que tem feito a Justiça para apurar esta suposta interrupção voluntária da existência? Norman Baker, deputado sem temor, empreendeu uma investigação por conta própria e concluiu: Um suicídio pode ser encenado para esconder as pistas dos assassinos. Todos os indícios me levam a crer que foi isso que aconteceu no caso do Dr. Kelly. [3] E como actuou Tony Blair, uma das criaturas mais sinistras da última década, no caso da super-corrupção, envolvendo a BAE Systems, a maior empresa europeia de equipamentos militares e de segurança e a família real saudita? O Serious Fraud Office/SFO foi aconselhado a congelar a investigação em 2006 e a Câmara dos Lordes, Corte Suprema da Justiça, desautorizou vários tribunais que se pronunciaram pelo andamento do processo. Havia biliões em jogo. Um ano depois, o rei saudita desembarcou em Londres com a comitiva, acomodada em seis aviões e 84 limusinas, deslocou-se de carruagem puxada a cavalos brancos, recebeu as honras da Guarda Real, brindou com a rainha, saudado por Gordon Brown e David Cameron.

Meritíssimos,

A Corte Suprema foi célere a abortar a Justiça. Foi implacável para com a Verdade. Foi memorável a rever a História dos Gangues Aristocráticos.

Só mais um reparo à morosidade da Justiça no que toca aos Grandes Burocratas e aos Grandes Magnatas: há semanas fomos notificados de outro aparente suicídio. [4] Desta vez, coube morrer misteriosamente a Sean Hoare, jornalista da News Corporation, de Rubert Murdock, que havia denunciado a prática de escutas ilegais e subornos policiais, que arrastaram o News of the World para o encerramento. David Cameron sempre manteve íntimas relações com quadros deste universo. Cameron não instiga os magistrados a redobrar diligências e a atropelar jurisprudências?

Senhores Jornalistas e Senhores Comentadores,

Reservo o final da oração aos chiens de garde do sistema. Sem dúvida que os bandos juvenis não foram cavalheiros de coco nem cavaleiros de penacho. Excederam-se. Provocaram danos no espaço cívico e na fazenda privada. São reprováveis tais desmandos. Mas não serão reprováveis os desmandos nacionais e internacionais de Blair, Cameron e Murdock? Que força vos impede de chamar criminosos e vândalos a estas e outras entidades? O que vos solta a língua e a pen para diabolizar os gangues periféricos? A Polícia abateu um cidadão. As arruaças causaram quatro mortes. Breivik, o terrorista norueguês, averbou 77 vítimas (69 mortais). Muitos de vós tratam o carrasco neo-nazi com complacência e prudência: assassino fotogénico, lobo solitário, autor confesso do ataque, fanático, islamofóbico, perturbado mental. Muitos de vós, demasiados, quase todos, tratam Kadhafi e Assad como ditadores e Mubarak como ex-presidente e ex-faraó e Abbdullah ibn Abdul Aziz Al Saud como Sua Majestade e guardião de dois lugares sagrados. [5]

A Ti, Isabel I, já não a bordo do Golden Hinal e do Elizabeth, que capitaneei ao Teu Serviço, mas das bancadas verdes de Isabel II, renovo o juramento de lealdade e frontalidade. Sei que não eras mulher de um só homem, que, por amor da grandeza anglo-saxónica, expuseste os frutos do Éden, não à janela como a esposa do speaker, mas no sigiloso e tumultuoso leito, conciliando as prazeres de uma estadia com os deveres de Estado. No entanto, viveste em aparente suicídio da volúpia, fabricando uma imagem de rainha santa, blindada por tecidos preciosos, ajaezada de rendas e cintilações. Os povos apreciam devassos com resplendor. Não descuraste sequer a pedra sepulcral:

AQUI JAZ ISABEL, QUE VIVEU E MORREU VIRGEM.

Saberás, pela própria experiência, que a Tua auréola de castidade serviu para atenuar a carga dos meus deboches e estupros e a sobrecarga dos veneráveis cortesãos e dos bispos de Cantuária. Nunca tive pejo em identificar-me Fui pirata a sério. Reconheço, pelo menos, 70 filhos em locais com indicadores estatísticos. Mas quantos marinheiros e missionários fabriquei e abandonei em povoações exóticas, mercê de cobrições furtivas? Deus os terá numerado com o ferrete da compaixão. São milhares os meus descendentes. Alguns terão organizado as manifestações de Agosto. Alguns terão organizado a repressão. Quem sabe se David Cameron nasceu de uma rixa de alcova com uma camareira da rainha? Tenho uma virtude: continuo pirata. Desprezo quem me incensa ou branqueia. Há dias surpreendi um site de História a arrebatar-me o título de Sir do Corso e da Armada Invencível, emprestando-me uma aura de cartógrafo curioso:

DEDICOU-SE À EXPLORAÇÃO GEOGRÁFICA.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,


Sois indignos de Francis Drake.
-------------
1. Pose para o Evening Standard (05/02/2011). Sally Bercow argumentou com a necessidade de pôr na agenda o erotismo do poder. Celebrity Big Brother / programa voyeur / TVFive.
2. Angry young men / angry young women /jovens irritados. Grupo literário, que se evidenciou a partir de 1950, com o denominador comum da indignação sociocultural/cólera criativa e que incluiu, entre outros, Alan Sillitoe, Bill Hopkins, John Wain, John Osborne, John Braine, Kingsley Amis, Shelagh Delaney, Doris Lessing.
3. Declaração de Boris Johnson, The Daily Telegraph (19/06/2011).
4. Norman Baker, deputado liberal-democrata, Daily Mail (20/09/2007).
5. Sean Hoare, encontrado morto na residência (18/07/2011).
6. Meca e Medina.

[*] Escritor/Jornalista. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Fonte: esta matéria foi enviada pelo nosso amigo Canojones