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sábado, 30 de agosto de 2008
Entre Vieira, Pessoa e Agostinho – seis breves notas em triálogo com o Arnaldo, o Casimiro e o Klatuu.
1. Como todos nós, mais ou menos, Vieira foi um homem do seu tempo, por mais (mas nunca totalmente) que o tivesse transcendido.
2. Não sei o que seria Vieira se tivesse nascido no tempo de Pessoa. Decerto, um Vieira bem diferente. A ponto de se reconhecer na "heresia" pessoana? Talvez até, pelo menos em parte.
3. Vieira era, a meu ver, um espírito muito pragmático, mesmo no plano ideativo. Dir-se-á que pôs o V Império ao serviço de uma visão cristocêntica do ser e do tempo. Poder-se-á, contudo, também dizer o contrário: que pôs a mundividência cristocêntrica do seu tempo ao serviço da “sua” ideia de V Império.
4. O mesmo exercício especulativo se pode fazer com Pessoa. Se ele tivesse nascido em 1608, decerto teria sido bem mais cristocêntico. Talvez até mais do que Vieira…
5. Num ponto, decerto, eles divergem, e aqui entra o Agostinho, e o seu grande ponto de ruptura em relação ao Pessoa. Para Pessoa, tudo se passa, sobretudo, num plano interior, ou, para ser mais cáustico, num plano lúdico-literário*. Para Vieira, como depois para Agostinho, o V Império (também não gosto da expressão, mas adiante) tem que ter uma tradução política, social e económica. Decerto, também interior, ou “espiritual”. Mas não apenas…
6. E, por isso, estando no plano ideativo mais próximo de Pessoa (vide a sua obra “Um Fernando Pessoa”), no plano da praxis, Agostinho é um vieirino, tanto quanto se pode ser vieirino neste nosso tempo. Mas sobre isso, sobre a construção práxica do V Império no século XXI, mais notas escreverei adiante**.* Como se, para Pessoa, tudo fosse um mero jogo, uma mera construção literária. Nessa medida, tanto poderia ter escrito sobre o V Império como sobre a União Soviética (é o que pensam, ainda que não o digam, muitos dos ditos “pessoanos”). Não é, de todo, o que eu penso: acho que há um Pessoa genuíno para além de todo o jogo literário, mesmo para além de todos os seus heterónimos. E não considero que seja uma questão de fé. Ele está lá, para quem o quiser ver…
** Convocando também o Clavis, que tem igualmente procurado fazer esse exercício.
Publicada por Renato Epifânio em 12:34:00
Etiquetas: Comentários, CPLP, lusofonia, Polémica, V Império
1 comentários:
Comentários ao texto
"RESPOSTA DE ARNALDO NORTON AOS COMENTÁRIOS que Casimiro Ceivães e Klatuu fizeram ao seu texto publicado em 27 de Agosto de 2008"
6 Comentários -
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Casimiro Ceivães disse...
Meu caro, obrigado pela réplica :)O diabo disto é que o Arnaldo Norton pôs de uma vez só um montão de cartas em cima da mesa! Mas deixe cá ver se lhe treplico ao essencial num espaço que não seja desrazoável (seguirei a regra de postar). Devo dizer que acharei patusco se não houver outros comentários. É que este texto e esta discussão são importantes. Enfim, tempo de férias talvez.
28 de Agosto de 2008 21:18
Klatuu o embuçado disse...
Vou deixar a primazia ao Casimiro... Até lá deixo-lhe isto:
«A superstição incendeia o mundo. A filosofia apaga as chamas.»
Voltaire
28 de Agosto de 2008 21:24
Arnaldo Norton disse...
Meu caro casimiro !O meu "batalhão" não é muito aguerrido,por isso espero que não venha com artilharia muito pesada.Quanto ao "postar",como sabe, a ideia não foi minha.Embora não deixe de a achar interessante, seria mais simpática se tivessemos sido consultados, não acha ?...Cumprimentos
29 de Agosto de 2008 17:01
Arnaldo Norton disse...
Meu caro Klatuu !Como ao primeiro, a este comentário nada tenho a responder.Ah !...é verdade, Voltaire ! Pois...Eu deixo-lhe ficar este: "os bombeiros também morrem queimados". (Autor desconhecido)
29 de Agosto de 2008 17:07
Casimiro Ceivães disse...
Caro Arnaldo, consegui ter tempo para uma primeira (!) resposta, que vou publicar já a seguir. Acho que ainda não toco na parte que mais lhe interessará, mas estas coisas não se separam facilmente. Ouça, você disparou em cheio sobre o paiol e agora diz que não é aguerrido? :)Os comentários... pois, isto é uma trabalheira. Mas, não pensando só no nosso sossego, acabo por dar razão ao Klatuu. Um abraço
29 de Agosto de 2008 20:20
"RESPOSTA DE ARNALDO NORTON AOS COMENTÁRIOS que Casimiro Ceivães e Klatuu fizeram ao seu texto publicado em 27 de Agosto de 2008"
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Casimiro Ceivães disse...
Meu caro, obrigado pela réplica :)O diabo disto é que o Arnaldo Norton pôs de uma vez só um montão de cartas em cima da mesa! Mas deixe cá ver se lhe treplico ao essencial num espaço que não seja desrazoável (seguirei a regra de postar). Devo dizer que acharei patusco se não houver outros comentários. É que este texto e esta discussão são importantes. Enfim, tempo de férias talvez.
28 de Agosto de 2008 21:18
Klatuu o embuçado disse...
Vou deixar a primazia ao Casimiro... Até lá deixo-lhe isto:
«A superstição incendeia o mundo. A filosofia apaga as chamas.»
Voltaire
28 de Agosto de 2008 21:24
Arnaldo Norton disse...
Meu caro casimiro !O meu "batalhão" não é muito aguerrido,por isso espero que não venha com artilharia muito pesada.Quanto ao "postar",como sabe, a ideia não foi minha.Embora não deixe de a achar interessante, seria mais simpática se tivessemos sido consultados, não acha ?...Cumprimentos
29 de Agosto de 2008 17:01
Arnaldo Norton disse...
Meu caro Klatuu !Como ao primeiro, a este comentário nada tenho a responder.Ah !...é verdade, Voltaire ! Pois...Eu deixo-lhe ficar este: "os bombeiros também morrem queimados". (Autor desconhecido)
29 de Agosto de 2008 17:07
Casimiro Ceivães disse...
Caro Arnaldo, consegui ter tempo para uma primeira (!) resposta, que vou publicar já a seguir. Acho que ainda não toco na parte que mais lhe interessará, mas estas coisas não se separam facilmente. Ouça, você disparou em cheio sobre o paiol e agora diz que não é aguerrido? :)Os comentários... pois, isto é uma trabalheira. Mas, não pensando só no nosso sossego, acabo por dar razão ao Klatuu. Um abraço
29 de Agosto de 2008 20:20
Ao Arnaldo Norton, reflexão sobre o Império e a Estratégia Imperial (I)
Caro Arnaldo Norton, impensada e solitariamente levantei a luva da sua importantíssima provocação, e eis-me agora com um mundo de coisas para treplicar. Tantas, na verdade, que tenho de começar por picar os pontos essenciais da pergunta (múltipla) que lançou e, descendo dos princípios para a confusa realidade quotidiana, responder hierarquizando as questões.Partamos assim do Império, que sendo o Fim é o melhor lugar do Princípio.Eu não disse que Pessoa não estimasse e admirasse Vieira; não acrescentei - mas digo-o agora - que duvido de que Vieira estimasse as ideias de Pessoa, se as pudesse ter conhecido (vou manter arredada por ora a Terceira Pessoa da nossa profética trindade, o Agostinho). E a razão funda desta desestima é a de que Vieira era católico, enquanto Pessoa - conforme o último livro que ia lendo - era ou fazia-se (nunca o saberemos) teosofista, neo-pagão, admirador de Crowley, pseudo-templário ou invocador de diversas serpentes; coisas perdoáveis ou estimáveis num artista (e num génio) mas tudo coisas a ver com cautela (porque há caminhos que não têm regresso) se entrarmos nas vias de conhecimento, gnose ou revelação (que não são já as da teologia e da metafísica, racionais ainda) mas as do profetismo, do esoterismo, do ocultismo ou do misticismo (deixo a cada leitor a sua escolha pessoal).Ora para Vieira o V Império há-de ser a culminação da História na redenção da humanidade (e da Criação), e portanto há-de ser obra divina; o fim da cisão, da falha, do abismo que duram desde a fundação do mundo. É, em termos cristãos, o mistério do Oitavo Dia: coroação da tripartida Obra de Deus na Criação do Pai, na Redenção do Filho, na Consolação Nupcial e Final do Espírito Santo.Já para Pessoa, o V Império há-de ser uma coisa inteiramente outra: não consegue ele conceber, perdido sempre nos seus "caminhos da serpente", outra coisa que não a auto-iluminação pessoal, a auto-elevação pessoal de cada homem a uma condição "angélica", uma vez que Deus não falará nunca, não mostrará nunca a Sua face (não porque o não queira, mas porque a não tem: "o Cristo não é mentira, mas (...) é da essência do Cristo não poder ser encontrado"). O Império será, naturalmente, a morada - ou a alma colectiva - dos homens tornados plenamente conscientes de que, para serem como Deus (ou para prescindirem da sua insuportável ausência) hão-de ser tão múltiplos que uma só Face também já não tenham.Compare-se isto com a visão católica de Vieira: a desvairada multidão de Povos que Portugal ajuntou, na "globalização" das Descobertas (ante-anunciada no Índio que uma pintura manuelina apresenta como um dos Reis Magos) é, essencialmente, a re-união do Único Povo (disperso na História) sob a égide do rei do mundo, delegado terreno da Única Fonte (que é o Amor infinito, divina forma do Nada de onde brota todo o Ser).Vale a pena, a meu ver, pensar nisto (pensar aqui, quero eu dizer) porque aquilo que seja para nós o Império condiciona aquilo que veremos como o caminho para o atingir: quer do ponto de vista do caminho pessoal para a santidade ou a iniciação (esse, não nos ocupa aqui), quer do ponto de vista do caminho colectivo: aquilo a que chamarei (para a distinguir das pequenas tácticas da guerrilha política) a Estratégia Imperial.E a Estratégia Imperial (por ser diferente o lugar que nela a nossa alma tem) não é a mesma, diria mesmo que é a oposta, conforme entendamos que sejam caminhos do Império tudo o que contribua para a infinita difracção de cada alma no prisma infinito dos caminhos da possibilidade ("Sermos tudo", como dizia Pessoa, sermos "Como os deuses que conhecem o bem e o mal", como dizia a velhíssima Serpente bíblica...) ou que sejam esses caminhos tudo o que contribua para o combate e a contenção da parte material (terrena, se preferirmos), do Manto de Trevas que recobre o mundo em que estamos (e que, por isso mesmo, nos recobre a nós também).Dito de outra forma: há uma determinada Estratégia Imperial quando o objectivo é o da libertação, à imagem do Nada, da infinita aparência das coisas, e há uma outra Estratégia Imperial quando o objectivo é o da libertação, à imagem da Vitória, da infinita apetência das coisas (não há nada mais ávido do que os demónios...).No fundo, o que esta escolha pressupõe é saber se o nosso Ser é como o Oceano, informe e idêntico a si mesmo num imenso infinito sonho, ou se é como o Reino, hierárquico e polarizado num Rei e num Centro ou Eixo (simbolizado pela Cruz para um cristão e num Pólo, numa Árvore Sagrada ou numa Montanha em outras espiritualidades).Para que não nos percamos (ainda estamos longe da CPLP mas, oh Arnaldo Norton, você é que despejou o cesto em cima da mesa...), poder-se-á começar a entender porque é que há duas leituras possíveis (mas, inconciliáveis?) do significado dos tempos de "paz e espiritualidade" antevistos pelo profeta Daniel...Para uma ocasião seguinte, porque isto vai longuíssimo já, ficarão a globalização, o capitalismo e uma certa "moderna Europa" como os rostos visíveis do nosso actual adversário e, por isso mesmo, como as maiores armadilhas para Portugal, nesta fase histórica do seu destino...
Publicada por Casimiro Ceivães em 20:31:00
Etiquetas: Comentários, CPLP, lusofonia, Polémica, V Império
1 comentários:
Klatuu o embuçado disse...
O Pessoa ligava tanto às ideias do jesuíta como a um chinelo velho... :)Quanto ao mais, lá terá de ser.
30 de Agosto de 2008 9:20
Caro Arnaldo Norton, impensada e solitariamente levantei a luva da sua importantíssima provocação, e eis-me agora com um mundo de coisas para treplicar. Tantas, na verdade, que tenho de começar por picar os pontos essenciais da pergunta (múltipla) que lançou e, descendo dos princípios para a confusa realidade quotidiana, responder hierarquizando as questões.Partamos assim do Império, que sendo o Fim é o melhor lugar do Princípio.Eu não disse que Pessoa não estimasse e admirasse Vieira; não acrescentei - mas digo-o agora - que duvido de que Vieira estimasse as ideias de Pessoa, se as pudesse ter conhecido (vou manter arredada por ora a Terceira Pessoa da nossa profética trindade, o Agostinho). E a razão funda desta desestima é a de que Vieira era católico, enquanto Pessoa - conforme o último livro que ia lendo - era ou fazia-se (nunca o saberemos) teosofista, neo-pagão, admirador de Crowley, pseudo-templário ou invocador de diversas serpentes; coisas perdoáveis ou estimáveis num artista (e num génio) mas tudo coisas a ver com cautela (porque há caminhos que não têm regresso) se entrarmos nas vias de conhecimento, gnose ou revelação (que não são já as da teologia e da metafísica, racionais ainda) mas as do profetismo, do esoterismo, do ocultismo ou do misticismo (deixo a cada leitor a sua escolha pessoal).Ora para Vieira o V Império há-de ser a culminação da História na redenção da humanidade (e da Criação), e portanto há-de ser obra divina; o fim da cisão, da falha, do abismo que duram desde a fundação do mundo. É, em termos cristãos, o mistério do Oitavo Dia: coroação da tripartida Obra de Deus na Criação do Pai, na Redenção do Filho, na Consolação Nupcial e Final do Espírito Santo.Já para Pessoa, o V Império há-de ser uma coisa inteiramente outra: não consegue ele conceber, perdido sempre nos seus "caminhos da serpente", outra coisa que não a auto-iluminação pessoal, a auto-elevação pessoal de cada homem a uma condição "angélica", uma vez que Deus não falará nunca, não mostrará nunca a Sua face (não porque o não queira, mas porque a não tem: "o Cristo não é mentira, mas (...) é da essência do Cristo não poder ser encontrado"). O Império será, naturalmente, a morada - ou a alma colectiva - dos homens tornados plenamente conscientes de que, para serem como Deus (ou para prescindirem da sua insuportável ausência) hão-de ser tão múltiplos que uma só Face também já não tenham.Compare-se isto com a visão católica de Vieira: a desvairada multidão de Povos que Portugal ajuntou, na "globalização" das Descobertas (ante-anunciada no Índio que uma pintura manuelina apresenta como um dos Reis Magos) é, essencialmente, a re-união do Único Povo (disperso na História) sob a égide do rei do mundo, delegado terreno da Única Fonte (que é o Amor infinito, divina forma do Nada de onde brota todo o Ser).Vale a pena, a meu ver, pensar nisto (pensar aqui, quero eu dizer) porque aquilo que seja para nós o Império condiciona aquilo que veremos como o caminho para o atingir: quer do ponto de vista do caminho pessoal para a santidade ou a iniciação (esse, não nos ocupa aqui), quer do ponto de vista do caminho colectivo: aquilo a que chamarei (para a distinguir das pequenas tácticas da guerrilha política) a Estratégia Imperial.E a Estratégia Imperial (por ser diferente o lugar que nela a nossa alma tem) não é a mesma, diria mesmo que é a oposta, conforme entendamos que sejam caminhos do Império tudo o que contribua para a infinita difracção de cada alma no prisma infinito dos caminhos da possibilidade ("Sermos tudo", como dizia Pessoa, sermos "Como os deuses que conhecem o bem e o mal", como dizia a velhíssima Serpente bíblica...) ou que sejam esses caminhos tudo o que contribua para o combate e a contenção da parte material (terrena, se preferirmos), do Manto de Trevas que recobre o mundo em que estamos (e que, por isso mesmo, nos recobre a nós também).Dito de outra forma: há uma determinada Estratégia Imperial quando o objectivo é o da libertação, à imagem do Nada, da infinita aparência das coisas, e há uma outra Estratégia Imperial quando o objectivo é o da libertação, à imagem da Vitória, da infinita apetência das coisas (não há nada mais ávido do que os demónios...).No fundo, o que esta escolha pressupõe é saber se o nosso Ser é como o Oceano, informe e idêntico a si mesmo num imenso infinito sonho, ou se é como o Reino, hierárquico e polarizado num Rei e num Centro ou Eixo (simbolizado pela Cruz para um cristão e num Pólo, numa Árvore Sagrada ou numa Montanha em outras espiritualidades).Para que não nos percamos (ainda estamos longe da CPLP mas, oh Arnaldo Norton, você é que despejou o cesto em cima da mesa...), poder-se-á começar a entender porque é que há duas leituras possíveis (mas, inconciliáveis?) do significado dos tempos de "paz e espiritualidade" antevistos pelo profeta Daniel...Para uma ocasião seguinte, porque isto vai longuíssimo já, ficarão a globalização, o capitalismo e uma certa "moderna Europa" como os rostos visíveis do nosso actual adversário e, por isso mesmo, como as maiores armadilhas para Portugal, nesta fase histórica do seu destino...
Publicada por Casimiro Ceivães em 20:31:00
Etiquetas: Comentários, CPLP, lusofonia, Polémica, V Império
1 comentários:
Klatuu o embuçado disse...
O Pessoa ligava tanto às ideias do jesuíta como a um chinelo velho... :)Quanto ao mais, lá terá de ser.
30 de Agosto de 2008 9:20
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
RESPOSTA DE ARNALDO NORTON AOS COMENTÁRIOS
que Casimiro Ceivães e Klatuu fizeram ao seu texto publicado em 28 de Agosto de 2008
Visto Klatuu o embuçado ter tomado a iniciativa de publicar no blogue o comentário que Casimiro Ceivães teve a amabilidade de fazer ao meu texto “ O 5º Império e a CPLP”, seguindo o seu conselho e, partindo do princípio que nada há contra, embora não saiba se este meu texto tem substância suficiente para isso, usarei o mesmo meio para fazer uso do meu direito de resposta.
Antes de começar, deixem-me dizer que o convite com que terminei o meu texto, era, sem dúvida, provocatório e tinha somente a finalidade de despertar os participantes no blogue que, me parece, anda um pouco distante da CPLP. Consegui que dois companheiros voltassem ao tema o que já se pode considerar muito bom.
que Casimiro Ceivães e Klatuu fizeram ao seu texto publicado em 28 de Agosto de 2008
Visto Klatuu o embuçado ter tomado a iniciativa de publicar no blogue o comentário que Casimiro Ceivães teve a amabilidade de fazer ao meu texto “ O 5º Império e a CPLP”, seguindo o seu conselho e, partindo do princípio que nada há contra, embora não saiba se este meu texto tem substância suficiente para isso, usarei o mesmo meio para fazer uso do meu direito de resposta.
Antes de começar, deixem-me dizer que o convite com que terminei o meu texto, era, sem dúvida, provocatório e tinha somente a finalidade de despertar os participantes no blogue que, me parece, anda um pouco distante da CPLP. Consegui que dois companheiros voltassem ao tema o que já se pode considerar muito bom.
Porque é, também, na divulgação da CPLP que estamos interessados, não é ?...
COMENTÁRIO DE CASIMIRO CEIVÃES AO TEXTO DE ARNALDO NORTON «O 5º Império e a CPLP»
(O Casimiro não optou por esta forma de destaque, mas fi-lo eu – e de novo aconselho a mesma aos colaboradores deste Blogue para os comentários de substância.)
Casimiro Ceivães disse...
Caro Arnaldo Norton, tanta coisa...
Tentando ser sucinto:
– A "Globalização" não tem nada, mas mesmo nada, que ver com o V Império, quer na forma própria deste (a formulada por Vieira) quer nas suas formas menores sugeridas ou sonhadas por Pessoa e Agostinho. Como não tem nada que ver com a política, digamos assim, "portuguesa" que Portugal apesar de tudo foi de vez em quando seguindo até 1968. Direi até que, mais do que não ter nada – tem o facto de ser a globalização o obstáculo maior, ou o adversário maior, senão do Império, pelo menos da política portuguesa (deveria agora dizer "lusófona"? mas chamemos os bois pelos nomes) como ela ainda poderia ser entendida e cumprida.
Aqui, permita que lhe diga, acho que o seu comentário peca por confundir globalização com capitalismo, o que podemos considerar uma consequência indesejável e não um fim a atingir. A Globalização é a interacção dos povos de todo o Mundo comandada pela ideia, aceito que utópica, de se conseguir a uniformidade das condições de vida.
Não consigo ver como seria possível o Quinto Império sem a globalização !
Ao segundo parágrafo ( que acho desnecessário transcrever ), aplica-se também a resposta anterior.
Sobre o terceiro parágrafo nada há a dizer, a não ser que fico lisongeado por concordar comigo.
– A CPLP, de momento, é um nada que não aspira sequer a ser coisa alguma por falta evidente de direcção política (ou metapolítica).– A "força" da comunidade Lusófona tem contra ela o facto de Angola, a sua segunda maior região, ser neste momento simplesmente terra ocupada "manu militari", e tem contra ela o facto de o Brasil ser ainda uma espécie de Nau Catrineta planetária (que os meus amigos brasileiros me perdoem a comparação). É, em número de habitantes, significativa; mas a quantidade não se transmuta em qualidade (pelo contrário...), nem mesmo quando nos convémNão é pela quantidade que o Império se fará, ou o Império será, inevitavelmente, pura e duramente chinês.
Respeito a sua opinião, embora não possa concordar com ela. Basta vermos qual o País que mais tem feito pela Comunidade. Além disso, não consegui que respondesse a todos os quesitos que apresentei.
– Apesar de Pessoa ter tido uma muito peculiar ideia de Império (sendo paradoxal e perigosa a tentação do seu emparelhamento a Vieira), não creio que se possa dizer que se distinguisse pela "cultura, paz e bom entendimento entre povos". Não é que isso seja um mau objectivo: é, apenas, um enunciado insuficiente.
Aqui é que estamos francamente em desacordo!
Sobre Pessoa, sobre o perigo de o relacionar com Vieira e o Quinto Império, não irei utilizar palavras minhas para que não veja nelas qualquer resquício de acinte; socorrer-me-ei de vários autores que, espero, considere fidedignos.
Passo a citar :
“Pessoa considerava o Padre António Vieira o maior artista da nossa terra, indiscutivelmente, o mais insígne teólogo do Quinto Império.”
( Manuel J Gandra, in” Sebastianismo” ).
“AntónioVieira a quem Pessoa designou o“imperador da Língua portuguesa”
“É preciso lembrar que Pessoa fala do “Quinto Império” como dos novos tempos anunciados na profecia de Daniel, que o padre António Vieira anunciou para breve.”
( Mestre Lima de Freitas, in “O Esoterismo na Arte Portuguesa”)
Sobre a afirmação de que Pessoa não tinha uma ideia de Quinto Império que se distinguisse pela “cultura, paz e bom entendimento entre povos”, creio que basta transcrever o seguinte:
“A profecia de Daniel ( tão grata ao Padre Vieira) fazia o anúncio de um Quinto Império de paz, liberdade, amor fraternal e de espiritualidade suprema.
( Mestre Lima de Freitas, in “O Esoterismo na Arte Portuguesa”)
Para finalizar, e um pouco dentro do espírito do último parágrafo do seu comentário, posso dizer-lhe que estou convencido que a nossa única saída é mais uma vez o Atlântico, e que compensará apostar fortemente nessa solução. Acho que ainda vamos a tempo de começar pelo princípio e concentrarmos toda a nossa energia na instrução e educação da juventude com programas de ensino onde se faça a divulgação dos povos da CPLP. Não é continuando a remar de costas voltadas que se conseguirá atingir o objectivo. Além disso, seria necessária uma reforma profunda dos meios de comunicação social de todos os Países da CPLP, reformando métodos e,principalmente, mentalidades.
Obrigado pela mensagem de boas-vindas e aceite os meus cumprimentos.
Arnaldo Norton
COMENTÁRIO DE CASIMIRO CEIVÃES AO TEXTO DE ARNALDO NORTON «O 5º Império e a CPLP»
.
(O Casimiro não optou por esta forma de destaque, mas fi-lo eu – e de novo aconselho a mesma aos colaboradores deste Blogue para os comentários de substância.)
Casimiro Ceivães disse...
Caro Arnaldo Norton, tanta coisa...
.
(O Casimiro não optou por esta forma de destaque, mas fi-lo eu – e de novo aconselho a mesma aos colaboradores deste Blogue para os comentários de substância.)
Casimiro Ceivães disse...
Caro Arnaldo Norton, tanta coisa...
Tentando ser sucinto:
– A "Globalização" não tem nada, mas mesmo nada, que ver com o V Império, quer na forma própria deste (a formulada por Vieira) quer nas suas formas menores sugeridas ou sonhadas por Pessoa e Agostinho. Como não tem nada que ver com a política, digamos assim, "portuguesa" que Portugal apesar de tudo foi de vez em quando seguindo até 1968. Direi até que, mais do que não ter nada – tem o facto de ser a globalização o obstáculo maior, ou o adversário maior, senão do Império, pelo menos da política portuguesa (deveria agora dizer "lusófona"? mas chamemos os bois pelos nomes) como ela ainda poderia ser entendida e cumprida.
– Não me refiro à "alterglobalização de Porto Alegre" (essa requereria uma outra conversa) mas à globalização que temos e que é (veja-se um notável texto de Paulo Feitais aqui, julgo que de ontem) a dissolução de tudo nesse nada que é o dinheiro, nesse nada que é a correcção forçada da alma à brutalidade dos sistemas cegos. Uma globalização que, para continuar a pôr nomes nas coisas que um nome tenham, tem o rosto visível da língua inglesa e o corpo disforme dessa coisa que hoje comanda os Estados Unidos da América (muito para além do seu patético presidente) e que durante décadas comandou também a partir dessa inacreditável marioneta chamada União Soviética.
– Em qualquer caso, estou plenamente consigo em que "Império" é uma palavra a usar com cuidado, não se confundindo nunca com "imperialismo". Pelo contrário, onde existir este o Império estará ausente.
– A CPLP, de momento, é um nada que não aspira sequer a ser coisa alguma por falta evidente de direcção política (ou metapolítica).
– A "força" da comunidade Lusófona tem contra ela o facto de Angola, a sua segunda maior região, ser neste momento simplesmente terra ocupada "manu militari", e tem contra ela o facto de o Brasil ser ainda uma espécie de Nau Catrineta planetária (que os meus amigos brasileiros me perdoem a comparação). É, em número de habitantes, significativa; mas a quantidade não se transmuta em qualidade (pelo contrário...), nem mesmo quando nos convém. Não é pela quantidade que o Império se fará, ou o Império será, inevitavelmente, pura e duramente chinês.
– Apesar de Pessoa ter tido uma muito peculiar ideia de Império (sendo paradoxal e perigosa a tentação do seu emparelhamento a Vieira), não creio que se possa dizer que se distinguisse pela "cultura, paz e bom entendimento entre povos". Não é que isso seja um mau objectivo: é, apenas, um enunciado insuficiente.
– Não estando este ponto contido na sua pergunta, creio que vale a pena referi-lo: entre a CPLP que temos (imagem do anti-poder que nos governa) e o V Império que se não fará pela razão (ainda que o Renato Epifânio tenha hoje dito aqui que pouco mais há que nos guie...), há um imenso espaço aberto que é, se quiser, aquele que pode ser o do voo da águia: começando onde termina a baixa política e subindo – mas não penetrando – até às regiões que pertencem ao domínio do Sagrado, do Destino, ou dos Deuses, somos capazes de nos reencontrar, se nos procurarmos, ou melhor se nos procurarmos não a nós, mas àquilo que nos permite, colectivamente, ser.
Cumprimentos (e bem vindo a este lugar...)
Casimiro
Publicada por Klatuu o embuçado em 11:39:00 6 comentários
Etiquetas: Comentários, CPLP, lusofonia, Polémica, V Império
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
O V IMPÉRIO E A CPLP
Em 18 do passado mês, foi publicado, em um determinado blogue, um artigo sobre a Lusofonia e a CPLP. Foram feitos vários comentários interessantes, demonstrando alguns, porém, pouca informação.
Issso levou-me a escrever o seguinte comentário:
“Depois de ter lido todos estes interessantes comentários, desejo propor,a todos os intervenientes neste blogue, um exercício de raciocínio sobre a CPLP !...
Como é sabido, a “Globalização” foi uma criação dos portugueses.
Alguma vez pensaram na relação que se pode estabelecer entre a globalização e o “ 5º Império “ preconizado por Fernando Pessoa ?...
Neste “armário”de raciocínios em que prateleira podemos colocar a CPLP ?
A CPLP tem fraco poder económico e relativa influência política !...
Então, onde está a sua força que a torna apetecível para tantos Países ?
- Estará na filosofia de vida que deu origem à globalização ?
- Está numa cultura aberta e voluntáriamente permeável que lhe deu
origem ?
- Estará na sua invejável posição geográfica ?
- Não estará, também, numa Língua repartida pelo Mundo que está, cada
vez mais, em vias de se internacionalizar ?
Façam este exercício e digam-me o que pensam sobre ele.”
Recebi várias respostas e uma delas punha em causa a oportunidade do uso da palavra “império”. Esclareci esta dúvida da forma que segue:
“Em caso algum os princípios do 5º Império têm seja o que for a ver com “imperialismo”; o “império” a que se refere Fernando Pessoa é o predomínio da cultura, da paz e do bom entendimento entre os povos. Fernando Pessoa era de opinião que os “portugueses” (não esquecer que para ele a nacionalidade era a Língua), pela sua filosofia de vida e pela facilidade com que conviviam com outros povos, estariam destinados a esse empreendimento, aliás, como já o fizera o Padre António Vieira.
Não dá que pensar a constituição e o sucesso da CPLP ?...
Ainda para mais com o mau exemplo da Commonwealth !”
Já agora gostaria de conhecer a opinião dos utilizadores deste blogue.
Em 18 do passado mês, foi publicado, em um determinado blogue, um artigo sobre a Lusofonia e a CPLP. Foram feitos vários comentários interessantes, demonstrando alguns, porém, pouca informação.
Issso levou-me a escrever o seguinte comentário:
“Depois de ter lido todos estes interessantes comentários, desejo propor,a todos os intervenientes neste blogue, um exercício de raciocínio sobre a CPLP !...
Como é sabido, a “Globalização” foi uma criação dos portugueses.
Alguma vez pensaram na relação que se pode estabelecer entre a globalização e o “ 5º Império “ preconizado por Fernando Pessoa ?...
Neste “armário”de raciocínios em que prateleira podemos colocar a CPLP ?
A CPLP tem fraco poder económico e relativa influência política !...
Então, onde está a sua força que a torna apetecível para tantos Países ?
- Estará na filosofia de vida que deu origem à globalização ?
- Está numa cultura aberta e voluntáriamente permeável que lhe deu
origem ?
- Estará na sua invejável posição geográfica ?
- Não estará, também, numa Língua repartida pelo Mundo que está, cada
vez mais, em vias de se internacionalizar ?
Façam este exercício e digam-me o que pensam sobre ele.”
Recebi várias respostas e uma delas punha em causa a oportunidade do uso da palavra “império”. Esclareci esta dúvida da forma que segue:
“Em caso algum os princípios do 5º Império têm seja o que for a ver com “imperialismo”; o “império” a que se refere Fernando Pessoa é o predomínio da cultura, da paz e do bom entendimento entre os povos. Fernando Pessoa era de opinião que os “portugueses” (não esquecer que para ele a nacionalidade era a Língua), pela sua filosofia de vida e pela facilidade com que conviviam com outros povos, estariam destinados a esse empreendimento, aliás, como já o fizera o Padre António Vieira.
Não dá que pensar a constituição e o sucesso da CPLP ?...
Ainda para mais com o mau exemplo da Commonwealth !”
Já agora gostaria de conhecer a opinião dos utilizadores deste blogue.
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