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sábado, 6 de maio de 2017

-" As diversas pronúncias da língua portuguesa "

A língua portuguesa possui uma relevante variedade de pronúncias ( ou sotaques), muitos deles com uma acentuada diferença lexical em relação ao português padrão, diferenças que, geralmente, não prejudicam a inteligibilidade entre os locutores.
Sendo considerado o português europeu padrão o que é falado entre Douro e Tejo, todos os aspetos e sons de todos os sotaques de Portugal podem ser encontrados no Brasil.
O português africano, em especial o português santomense tem muitas semelhanças com o português de algumas regiões do Brasil. Também os dialetos do sul de Portugal apresentam muitas semelhanças com alguns brasileiros, especialmente no uso intensivo do gerúndio.
Mesmo com a independência das antigas colónias africanas, o português padrão de Portugal é o padrão preferido pelos países africanos de língua portuguesa.

VÍDEO (a carregar)

sexta-feira, 5 de maio de 2017

-" 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa "


Festeja-se hoje o Dia da Língua Portuguesa e das Culturas na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o qual, valorizando o idioma como vínculo e património comum de diferentes povos e países, marca igualmente o começo de uma série de comemorações em diferentes pontos do globo.
Como há dias afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a língua portuguesa é a mais falada no hemisfério sul e estima-se que, em meados deste século, venha a ser falada por 400 milhões, considerando o potencial dos países africanos da CPLP.


sábado, 26 de novembro de 2016

-"Empréstimos do Português ao idioma URDU


URDU é a língua oficial do Paquistão, de parte do Afeganistão e uma das 24 línguas nacionais da União Indiana. É uma língua indo-europeia que se formou com influência das línguas persa, turca e árabe. Escreve-se num alfabeto árabe modificado. Em tempo, foi considerada "a língua de cultura".




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Depois da chegada de Vasco da Gama a Calecute e os portugueses se terem fixado em várias áreas da Península Industânica, a sua influência começou a fazer-se sentir, de diversas formas, inclusive nas línguas, essencialmente no Urdu, no Gujarate, no Concanin e em dialetos falados nos arredores de Bombaim e no sul da Índia.
A primeira relação de palavras de origem portuguesa existentes no Urdu foi divulgada por Moulvi Abdul Haq, num artigo que publicou em 1949.
Um estudo mais apurado foi levadoa a cabo por Muhammad Umer, o que foi tema dum livro que publicou em 1955.
As palavras emprestadas pelo português e os esclarecimentos correspondentes, foram retirados de ambas as fontes acima referidas.


Se comer uma ALFONSO, uma variedade de manga, lembre-se que a palavra é uma variante do português. Em algumas partes do sul da Índia também lhe chamam hapus ou aapus.
ANANÁS, é mais uma palavra emprestada pelo português, quando trouxeram para a Índia este fruto originário das Américas Central e do Sul.
SANTRA ou SANGTRA, é o nome da laranja em Urdu, fruto que foi introduzido pelos portugueses, e é uma corruptela do nome de Sintra, uma localidade cerca de Lisboa, famosa pela cultura desse fruto.
PAPEETA, em Urdu, é o nome da papaia, fruto que os portugueses truxeram das Caraíbas.
ALMAARI, deriva da palavra portuguesa armário.
CHAABI, vem da palavra chave. Em algumas línguas do Ocidente da Índia, como o Gujarate, usa-se o termo CHAVI, como se vê muito semelhante ao termo original.

ANGREZ, é a palavra que designa um homem inglês e que tem uma interessante derivação: ANGREZAN ou ANGREZNI, uma mulher inglesa. Tem outra derivação mais interessante ainda: ANGREZIYET, ou seja, inglesisses.
AYA, tem o mesmo significado da palavra portuguesa aia.
ALPIN ou AAPIN, deriva do português alfinete.
ISTARI, ferro de engomar, vem da palavra estirar.
BAALTI, tem origem na palavra portuguesa balde e em algumas zonas também bacio.
PAADRI, vem da palavra portugues padre.
GIRJA, deriva da palavra igreja.
PAGAAR, significa salário, em Urdu, e começou por ser usado na costa Oeste e Sudoeste da Índia, especialmente em Gujarate e Bombaim. Mais tarde começou a ser usado com variações regionais. Como é óbvio, deriva da palavra pagar.
PIRACH ou PIRICH, deriva da palavra pires.
PIPA, é o mesmo que em português.
SAYA, é a peça de roupa saia.
NEELAAM, leilão.
TOLIYA, toalha em português.
Existem muito mais palavras de origem portuguesa no idioma Urdu, mas estas já nos dão uma ideia da influência que a língua portuguesa teve.

quinta-feira, 17 de março de 2016

-"Veja se sabe escrever em "bom português"



Será que sabe mesmo escrever “em bom português”?...


Atazanar: O verbo correto é “atenezar” e não “atazanar” ou ainda “atanazar“. “Atenezar” significa apertar com uma tenaz e, por extensão do sentido, afligir, atormentar ou angustiar.
Catrapázio: A palavra certa é “carpácio”, que significa uma carta ou uma mensagem muito grande. Em sentido figurado, o termo pode ainda ser usado para descrever um livro ou material de leitura volumoso e muito aborrecido.
Mal e porcamente: A expressão original é “mal e parcamente”, e não “mal e porcamente”.
Ovelha ranhosa: À semelhança de “mal e porcamente”, a expressão “ovelha ranhosa” também começou por ser bastante diferente. A expressão idiomática original é “ovelha ronhosa” porque, como explica Manuel Monteiro, vem de “ronha” e não de “ranho”.
Pelos vistos: A expressão correta é “pelo visto”, sendo que “visto” é o particípio passado do verbo “ver”. Assim, “pelo visto” é sinónimo de “pelo observado” ou “pelo verificado”, também particípios passados.
Piar fino: Fiar fino”, “fiar mais fino” ou “fiar muito fino” — e não “piar fino”. Herberto Helder, em A Morte Sem Mestre, diz “que ele próprio ia pagar com a vida por essas outras razões, mas que logo ressuscitaria e depois é que todos veriam como tudo ia fiar mais fino“.
A expressão surge também referida em vários dicionários, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporâneo, da Academia das Ciências, como sinónimo de “exigir esforço, cautela e minúcia”.
Por portas e travessas: A expressão correta é “por portas travessas”, sendo que “travessas” é um adjetivo e não um substantivo.
Portugal dos Pequeninos: Apesar de ser conhecido como “Portugal dos Pequeninos”, o parque temático de Coimbra chama-se “Portugal dos Pequenitos”.
Rebaldaria: Uma “rebaldaria” é, na verdade, uma “ribaldaria“. O termo vem do francês antigo “ribalt” (“ribaud” no francês atual), que quer dizer patife, malandro ou libertino.
Salganhada: A palavra correta é “salgalhada”. De acordo com Manuel Monteiro, o termo vem de “salgar” e significa trapalhada, confusão ou mixórdia.



domingo, 17 de agosto de 2014

-" Crioulos de base lexical portuguesa "

O crioulo surge pela necessidade de comunicação entre falantes de línguas diferentes num meio dominado por uma língua de prestígio.
Os linguistas não são unânimes quanto à classificação dos crioulos, dando-lhe, uns, a classificação de língua mas a maioria considera-os dialetos.
No estudo dos crioulos, a maior curiosidade é a quase inexistência de crioulos espanhóis. As línguas crioulas de base hispânica tiveram origem ou foram influenciadas por um crioulo português pré-existente. Mesmo em lugares onde a colonização portuguesa não se fez presente com grande alcance de dominação cultural, como em Palenque, na Colômbia, ainda hoje se fala um crioulo espanhol no qual se veem claras influências portuguesas.
O contacto da língua portuguesa com outras línguas da África, da Índia, da Ásia Oriental e das Américas, Central e do Sul, deu origem a vários crioulos de base lexical portuguesa.
 













sábado, 9 de agosto de 2014

- " Tecnologia digital para preservar os jornais portugueses do Havaí

WU, Nina. Endangered collection.
Extraído do jornal Honolu, Havaí, .Publicado em: 06 out. 2013.

No Havaí, Estado norte-americano situado em meio ao Oceano Pacífico, há uma comunidade lusófona e lusodescendente de cerca de 60 mil habitantes – 4,3% da população, de acordo com o Censo dos Estados Unidos da América.




No século XIX, quando havia o então Reino do Havaí, já estava instalada uma ativa comunidade portuguesa. Vindos dos Açores e da Madeira, eles levaram ao meio do Pacífico as malassadas, o pão doce parecido com as filhós, e o ukulele, instrumento musical de cordas semelhante ao cavaquinho. Duas manifestações culturais portuguesas vistas pelo mundo como genuinamente havaianas.
Essa comunidade portuguesa atravessou metade do planeta e chegou ali a publicar vários jornais com notícias em Língua Portuguesa.
No Havaí, há uma comunidade lusodescendente de cerca de 60 mil habitantes — 4,3% da população do Estado norte-americano, segundo o Censo dos EUA.
Por cinco centavos de dólar uma cópia, os leitores do jornal de Língua Portuguesa O Luso em novembro de 1915 poderiam encontrar histórias de primeira página sobre a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Mexicana sob as manchetes “Notícias da Guerra” e “Notícias do México”.

O semanário de quatro páginas teve a maior circulação dentre os jornais de Língua Portuguesa publicados no Havaí entre 1885 e 1927 e foi o de duração mais longa.
As únicas cópias originais conhecidas de O Luso e de outros oito jornais de Língua Portuguesa da época são parte de uma coleção da Sociedade Histórica do Havaí, alojada nos Arquivos e Sítios Históricos dos Lares Missionários do Havaí.
“É uma coleção rara, ameaçada de extinção”, disse Barbara Dunn, diretora administrativa e bibliotecária da Sociedade. “A informação é valiosa. É uma voz do final do século XIX que está à espera de ser descoberta.”

Como parte da iniciativa de digitalização mais recente desta Sociedade, os jornais serão incluídos no acervo dos Arquivos Luso-Americanos Ferreira-Mendes, da Universidade de Massachusetts em Dartmouth, que já oferece acesso público em linha na Internet de jornais dos Estados de Massachusetts e da Califórnia.O órgão dos arquivos em Dartmouth entrou em contacto com a Sociedade em junho de 2010 para iniciar o projeto, que ajudou a custear após descobrir a existência dos jornais do Havaí através de registos da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos [em Washington].
No final da primavera no Havaí [entre maio e junho de 2013], a Sociedade embarcou três volumes empacotados sob medida dos jornais — segurados e avaliados em cerca de 15 mil dólares — para a ArcaSearch, uma empresa do Estado de Minnesota especializada na digitalização de documentos antigos.A ArcaSearch recentemente embarcou de volta os jornais, e as suas páginas delicadas e amareladas foram embrulhadas em um papel à prova de ácidos e retornadas às prateleiras de conservação da Sociedade.De um ponto de vista histórico, Barbara Dunn disse que os jornais refletem o pensamento da comunidade portuguesa do Havaí de finais do século XIX e início do século XX e o que lhe era importante na época.
O primeiro português registado que veio para as ilhas, de acordo com algumas anotações históricas, foi John Elliot de Castro, que navegou para o Havaí em 1814 e eventualmente tornou-se um médico pessoal do rei Kamehameha I [que unificou o arquipélago e fundou o Reino do Havaí em 1810; o reino durou até 1893, quando foi anexado aos Estados Unidos].
Várias ondas de famílias portuguesas imigraram para o Havaí principalmente entre 1878 e 1913 (baseado nos registos náuticos) vindos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar.Eles também eram comerciantes, agricultores, paniolos [vaqueiros do Havaí] e líderes respeitados na comunidade.“É interessante saber quem eram os editores e as casas publicadoras”, disse Barbara Dunn.G. F. Affonso, do semanário da cidade de Hilo chamado A Seta, também trabalhou para o jornal The Honolulu Advertiser, e J. M. de Freitas, da Aurora Hawaiiana, era um membro do conselho eleitoral local.Além de anúncios, desenhados à mão, de empresas tanto de portugueses quanto de norte-americanos — de vinhos por A. Fernandes e de mobiliário pela C. E. Williams & Son —, os jornais ofereciam notícias locais, nacionais e internacionais, juntamente com anúncios de nascimentos, mortes e casamentos.Incluíam ainda cartas dos leitores, anúncios especiais e, por vezes, seleções da literatura portuguesa.
–– “Nove jornais para uma comunidade pequena e iletrada ––

A arquivista de bibliotecas dos Arquivos Ferreira-Mendes, Sónia Pacheco, diz que a meta da organização é digitalizar todos os jornais e revistas de Língua Portuguesa publicados nos Estados Unidos e torná-los disponíveis em linha na Internet.
É preferível escanear os originais em vez de microfilmá-los, disse; e para isso a descoberta dos jornais no Havaí foi estimulante.
1887


                                                                              1912
                                                                       


                                                                                   1917
                                                                           


1933
                                                                                                                                                      
Sónia Pacheco planeia ir ao Estado do Havaí no final do ano, quando os jornais já estiverem disponíveis em linha, para dar uma apresentação sobre como pesquisar nos arquivos. Enquanto o banco de dados será em inglês, os termos de pesquisa devem ser em Língua Portuguesa.
“Muitas pessoas estão familiarizadas com a história, mas não entendem o que está escrito nos exemplares, e o surpreendente é que lá foram nove títulos de jornais para uma comunidade pequena e, em sua maioria, iletrada”, disse. “Para os genealogistas, esta é uma oportunidade enorme. Para os historiadores sociais, isto abre um novo mundo.”
Como parte da primeira fase da digitalização, a Sociedade no ano passado trabalhou juntamente com a Biblioteca Hamilton, da Universidade do Havaí em Manoa, para postar os microfilmes dos jornais ao repositório digital eVols [da universidade havaiana], graças a uma contribuição do Fundo George Mason [de financiamento de projetos académicos do Estado do Havaí].




Doris Naumu é presidente da Sociedade Histórica Genealógica Portuguesa do Havaí.
O acesso aos jornais será de grande valor, de acordo com Doris Naumu, presidente da Sociedade Histórica Genealógica Portuguesa do Havaí, uma organização sem fins lucrativos gerida por voluntários e que ajuda as pessoas na pesquisa das árvores familiares.“Acho que toda a genealogia agora está melhor com a tecnologia moderna”, disse Doris Naumu.“Agora que estão a ensinar as pessoas como reconhecer traços de seus antepassados, é bom conhecer as histórias, bem como os nomes, porque eles ganham vida para você. É bom aprender tudo isto.”Doris Naumu descobriu, através de listas telefónicas velhas, que o ramo português de sua família gerenciou lojas de joalharia.
As metas da Sociedade Histórica do Havaí são preservar e tornar os jornais históricos mais acessíveis ao público. Com a digitalização dos jornais, o público não precisará manusear as páginas quebradiças, o que lhes causa maior deterioração. E colocando-as em linha na Internet, elas estarão disponíveis para mais pessoas ao redor do mundo.“Assim como a Sociedade Histórica do Havaí, queremos de facto tornar todos estes materiais disponíveis, com acesso livre e aberto”, disse Barbara Dunn.Para a Sociedade, o projeto é apenas o primeiro passo em direção aos esforços de digitalizar todo o seu acervo, que inclui 64 jornais publicados em inglês, havaiano e português.  :::
(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

-"A Guiné Equatorial e a Língua Portuguesa "

A Assembleia Nacional da Guiné Equatorial já aprovou, por maioria, o português como terceira língua oficial do país e, pela importância que tem a sua presença na CPLP, convém que a conheçamos melhor !





Língua e Português Medieval na ilha de Ano Bom

O idioma oficial da ilha é o
 castelhano, assim como em toda Guiné Equatorial. Ainda assim, o castelhano é a segunda língua da população da ilha, sendo usado na indústria do turismo e ensinado às crianças para esse fim. O idioma usado de facto é o Fá d’Ambô um idioma derivado do português e do crioulo antigos. O Fá d'Ambô é um patrimônio cultural imaterial lusófono de valor inestimável, uma vez que preserva as características originais da língua-mãe. Devido ao isolamento geográfico e a não influência dos meios de comunicação, tais como jornais, TVs e rádios, estima-se que a população anobonense fale como falavam os primeiros habitantes da ilha, seus antepassados medievais. 


Ilha Fernão do Pó (Bioko)


Fernando Pó (século XV) foi o navegador e explorador português que descobriu, em 1472, as ilhas do Golfo da Guiné, entre as quais a ilha que foi batizada com o seu nome e que, atualmente, se designa por ilha de Bioko e faz parte da Guiné Equatorial.. Ele também descobriu a foz do rio Wouri a que chamou "Rio dos Camarões" que depois deu o nome ao actual estado africano dos Camarões.
A ilha foi possessão portuguesa entre 1474 e 1778, quando foi cedida a Espanha pelo Tratado de “El Pardo” em troca de terras ocupadas pelos espanhóis na América do Sul que seriam posteriormente anexadas ao Brasil (faixas de terras do atual Rio Grande do Sul).

Ilha de Ano Bom
A ilha foi descoberta por exploradores portugueses (sob comando de Fernão do Pó) a caminho das Índias, em 1º de janeiro de 1473, daí o nome Ano Bom. Era uma ilha desabitada até o início da colonização em 1474, com africanos de Angola.
Em 1778, o seu domínio foi transferido para a Espanha, juntamente com o domínio da ilha de Fernando Pó (atual Bioko) e toda a costa da Guiné, em troca de territórios espanhóis no novo mundo. Enquanto a Espanha visava ampliar seu território em solo africano, Portugal desejava ampliar o seu domínio nas ricas terras de “Novo Portugal” (atual Brasil). A colônia formada pela Espanha foi posteriormente chamada de Guiné Espanhola.
A
 população opôs-se ao novo governo espanhol. Os nativos revoltaram-se contra seus novos comandantes e instalou-se uma anarquia. Posteriormente, em comum acordo, a ilha passou a ser administrada por um bureau com cinco nativos, no cargo de governador. Até o fim do século XIX a autoridade espanhola terminou restabelecida e a ilha tornou-se parte da Colônia de Elobey, Annobon, e Corisco. Em 1909 a guiné continental e todas as ilhas passaram a formar os Territorios Españoles del Golfo de Guinea ou Guinea Española.
Pigalu ou Pagalu (em português, papagaio).


Em 1968, a Guiné Espanhola emancipou-se de Espanha, formando o Estado da Guiné Equatorial. Durante o governo de Francisco Macias Nguema a ilha passou a ser chamada Pigalu. O isolamento geográfico da ilha (muito distante do continente ao qual pertence) e a proximidade de São Tomé e Príncipe (que está a menos da metade da distância até a capital) foram fatores determinantes para a preservação dos laços culturais com Portugal

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

- "A Língua de Todos Nós"

Por: Ganganeli Pereira
A língua portuguesa depois de expandir-se do seu berço, Gallaecia/Condado Portucalense, até ao Algarve, a partir do século XV difundiu-se também nas costas africanas, americanas e asiáticas, incluindo as ilhas atlânticas, através da expansão ultramarina portuguesa. O português é hoje falado por mais de 260 milhões de pessoas, sendo a quinta língua mais falado no mundo. É língua oficial dos países da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste, bem como em Macau e Guiné Equatorial, como segunda língua de opção. Continua também a ser falada, embora em pequena escala, nos antigos territórios da Índia Portuguesa, em Goa, Damão, Dadrá e Nagar-Aveli, e Diu, integrados na UI em 1961 à força. Em Goa há instituições, como, a Fundação do Oriente e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa, dedicadas ao ensino da língua portuguesa que é ensinada como língua de opção, nas escolas primárias, desde que haja número suficiente de alunos e professores disponíveis. A Universidade de Goa tem um departamento de português. Há também pequenas comunidades de pessoas que faziam parte do império português, até ao século XVII, que usam o crioulo português, espalhadas, pelas costas da Índia oriental e ocidental, Ceilão, Malaca, na Malásia, e na África Oriental. Na China e na União Indiana, além de Goa, também há a divulgação e o ensino da língua portuguesa aos estudantes universitários.


As comunidades portuguesas estabelecidas, em África do Sul, Venezuela, Estados Unidos de América, Canadá, França, Alemanha, Luxemburgo, Suiça e Inglaterra, são agentes da difusão da língua e cultura portuguesas, em cada um desses países. As comunidades de imigrantes que existiram em Portugal antes da crise económica (marroquinos, ucranianos, moldavos, russos, romenos, chineses e industânicos) também devem ter aprendido a falar a língua portuguesa, pelo menos como língua de trabalho no seu dia a dia. E com a atual crise da diaspora portuguesa, sobretudo da juventude universitária, a língua portuguesa está ainda mais difundida pelo nosso globo terrestre. Os seguintes vídeos são bem explicativos sobre a evolução da língua portuguesa no mundo: http://www.youtube.com/watch?v=bYd9HrqsbyI ehttps://www.youtube.com/watch?v=EtBief6RK_I

sábado, 17 de agosto de 2013

-"Presidente ou Presidenta ?... (2)




Agora a opinião da professora portuguesa. É, mais ou menos, igual à do seu colega brasileiro, mas acrescenta uma conclusão: « a "feminização do termo" era de cunho popular e, muitas vezes, usada de forma irónica ou pejorativa». Não me parece que seja isso que D. Dilma quer ! ...




Lúcia Vaz Pedro
do Jornal de Notícias (Porto, Portugal)
19 de maio de 2013
A utilização da palavra “presidenta” não é uma novidade trazida pela senhora Dilma Rousseff.
Na verdade, alguns dicionários editados em 1944 (o de Augusto Moreno) e em 1953 (o de Cândido de Figueiredo) registam essa palavra, embora fosse de cunho popular e, muitas vezes, usada de forma irónica ou pejorativa. Tal como “presidenta”, também surgem os femininos “giganta” (de gigante), “hóspeda” (de hóspede). Há, pois, uma tendência generalizada para “feminizar” os nomes/substantivos provenientes do particípio presente latino que não variava em género: amans, amantis (amante, que ama); legens, legentis (lente, que lê);audiens, audientis (ouvinte, que ouve). Assim, assistimos, nos dias de hoje, a um uso formal de “presidenta”, embora a sua prática não seja consensual, podendo também dizer-se “o presidente”/”a presidente”.

Por outro lado, verifica-se a existência de alguns casos excecionais – infante/infanta, elefante/elefanta, governante/governanta, mestre/mestra, monge/monja, parente/parenta. Existem outros finalizados em -nte, normalmente originários de particípios presentes e de adjetivos uniformes latinos, que mantêm a mesma forma para o masculino e o feminino, como, por exemplo, “o doente”/ “a doente”, “o tenente”/ “a tenente”, “o docente”/ “a docente”.  :::


sábado, 10 de agosto de 2013

-" Presidente ou Presidenta ?...(1)"


Para sanar a dúvida,  publica-se a resposta de dois conceituados professores de Língua Portuguesa: Lúcia Vaz Pedro, de Portugal, e Diogo Arrais, do Brasil.


Hoje a do brasileiro:
Diogo Arrais
na revista Exame (Brasil)
26 de julho de 2013
Com a vinda do papa Francisco ao Brasil, uma polêmica voltou à tona: qual é a forma correta: “presidente” ou “presidenta”? Existem as duas formas. Sim! As duas formas são registradas pela Academia Brasileira de Letras (noVocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), pelo respeitadíssimo Dicionário Houaiss, pelo Aurélio e tantos outros.
Em um concurso público, por exemplo, o candidato pode fazer uso da forma “presidenta” e não perderá nota referente à Língua padrão. Por quê? Justamente porque a grafia é secular, tem o aval da Academia, dos dicionários e do uso popular.
Apesar disso, muitos preferem o uso de “a presidente”, pelo facto de nomes de dois gêneros terminados em-ente não apresentarem flexão de gênero, finalizando-os em -a. Alguns exemplos: crente, gerente, docente, discente, servente. Para os que assim creem, o artigo definido é o bastante para a variação em gênero.
É também interessante notar a existência de “presidenta”, desde 1899, pelo Dicionário de Cândido de Figueiredo:
Presidenta, f. (neol.) mulher que preside; mulher de um presidente. (Fem. de presidente.)”
Língua é uso, povo, e reflete uma série de aspectos sociais. Há, no Brasil, por questões democráticas, uma tendência ao uso do feminino de diversos termos: a “chefa”, a “gerenta”, a “presidenta”.
A chegada de uma mulher ao poder é símbolo da Democracia; talvez, por isso, o Planalto faça uso de “presidenta”, nos atos e comunicações oficiais. O uso (ratifico!) não corresponde a uma invenção de Dilma Rousseff.
Por questões eufônicas, prefiro a forma “a presidente”, assim como alguns jornalistas, escritores e autoridades. É somente uma questão sonora e pessoal.

sábado, 15 de junho de 2013

-" A origem da BUNDA ?..."

Um amigo meu, brasileiro, creio eu que depois de aturadas investigações e gostosos estudos no terreno, teve a gentileza de me enviar o resultado duma pesquisa efetuada sobre a origem do termo “BUNDA”.
Pela fluência e humor do texto e pela importância de que tal pesquisa se reveste e considerando o princípio segundo o qual devemos estar identificados com tudo aquilo com que lidamos, não posso deixar de o partilhar com os meus amigos, certo de que irei contribuir para enriquecer o seu conhecimento acerca de tão importante atributo feminino.


CAROS AMIGOS, VOCÊS TODOS SABEM QUE NO BRASIL BUNDA É UMA PAIXÃO NACIONAL.
A GATA PASSA E LOGO SE OLHA PARA ELA, A BUNDA.

MAS VOCÊS SABEM A ORIGEM DO TERMO  BUNDA ???

Os responsáveis pela bunda, como é conhecida na atualidade, referindo-me ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja,a bunda como ela é, são os africanos.
Mais especificamente, os angolanos.
Para ser ainda mais preciso, as angolanas.
Foram elas, angolanas que, ao chegarem ao Brasil, durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.

Foi assim !...

Naquela época, a palavra bunda não existia.
Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma mulher, diziam exatamente isso, nádegas. Ou região glútea, tanto faz.

Aí, os escravos angolanos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos. Eram os bantos, chamados bundos, que falavam o idioma "ambundo". Ou "quimbundo". A língua bunda, enfim.
Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.

Os portugueses, que não eram tolos, logo deitaram os olhares para as nádegas das bundas. Quando alguma delas passava diante de um grupo de portugueses, vinham logo os comentários:   -“Que bunda ! ...”

Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinónimo de nádegas.

E assim nasceu a Bunda tal como a conhecemos hoje .....
Fonte: "Águias da Estrada"



terça-feira, 11 de junho de 2013

-"A melhor Língua é o Português - mas sem fronteiras"


:::  A Língua Portuguesa foi escolhida como a melhor para se aprender por uma publicação internacional. Mas falta ainda, de dentro da Lusofonia, devolver a ela uma visão internacional.  :::

Hoje – acima de todo nacionalismo ou de um imperialismo vindo de um país sobre toda a Língua –, faz falta uma política de ensino para uma Língua Portuguesa que não seja só brasileira ou só portuguesa, mas que seja internacional, seja lusófona.
A Língua Portuguesa vive mais um momento de grande projeção no mundo. Porém, ainda é preciso desfazer as divisões que se tentam ideologicamente criar dentro da Língua. Faz falta uma política de ensino para uma Língua Portuguesa internacional, de convergência mundial. Que não seja só brasileira ou só portuguesa, mas que – acima de todo nacionalismo – seja internacional, seja lusófona.
No português, tanto em um lado como em outro do Atlântico, a gramática é praticamente a mesma. Os modelos de ortografia, de flexões e de ordem sintática são os mesmos, só havendo a natural variação nas pronúncias. Há variações nas formas da fala do português no Brasil, o paulista, o mineiro, o carioca, o gaúcho, o nordestino; assim como nas formas do português em Portugal, o lisboeta, o portuense, o alentejano, o beirão, o açoriano; isso sem falar na África, em Macau, em Goa, em Timor-Leste.
Portanto, há uma unidade gramatical, e são muito poucas entre si as diferenças no léxico. As palavras essenciais do português falado em todo o mundo são as mesmas, e de longe há no conjunto do léxico muito mais coincidências do que diferenças. Assim como normalmente há algumas diferenças de léxico e de pronúncias entre o inglês britânico e o inglês americano, mas aí também trata-se de uma só língua.
A própria autora reconhece que, ao aprender a Língua Portuguesa no Brasil, pode-se dominar o português internacional “com uma pronúncia nova e com umas poucas palavras novas”.
O enfoque do texto recai sobre a força económica da Língua, sobretudo a de sua variante brasileira – não se pode falar em “português do Brasil” como uma Língua própria pelas razões citadas acima e que permitem uma intercompreensão perfeita entre seus falantes e seus leitores de qualquer parte do mundo. Em um mundo de comunicação em escala mundial, dar o caráter da Língua Portuguesa como se fosse de um só país é tirar dela o caráter que historicamente teve de uma Língua global.
Condenam-se hoje em dia os isolacionismos e o imperialismo vindo de um país sobre toda a Língua. Aquele sentimento de divisão que faz as empresas exigirem de profissionais um “‘português brasileiro fluente’ em seus currículos” – ou mesmo, tão simples, de um fluente “brasileiro”…
Mas essa Língua é a portuguesa. E trata-se de uma só Língua, da “filha ilustre do Latim”. O português é uma Língua do mundo, e deve ser-lhe dado um enfoque universalizante, internacional – razão de existência da Lusofonia.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

-" A Ignorância está legalizada no Brasil "

No passado dia 3 de Abril, foi promulgada pela Presidente Dilma Rousseff uma Lei que legaliza a ignorância no Brasil. Essa Lei determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas.
Por
esta Lei, D. Dilma Rousseff, deixa de ser a Presidente do Brasil para passar a ser a Presidenta.
É trágico para um país quando os seus governantes estão reféns da ignorância e se vangloriam disso !... Felizmente, para todos nós, existe muita gente culta no Brasil que se vai opor a uma Lei tão ridícula como esta, cujo destino é o fundo da gaveta!
Que fazemos agora com o Acordo Ortográfico ?  Deixa-mo-lo cair, de novo, no esquecimento por mais 90 anos ?
Foi preciso que ascendesse à presidência do Brasil uma pessoa tão ignorante que ignorasse a sua ignorância, para recuarmos 90 anos no esforço que se tem feito para uniformizarmos a nossa Língua ? E ainda há quem utilize a falta de instrução de Lula da Silva como uma arma, quando ele tem demonstrado ter mais conhecimento da vida e maior capacidade do que a maioria dos seus opositores e seguidores !...
A aberrante Lei, que é transcrita no final deste texto, provocou no meu amigo José Gomes, um brasileiro de fibra e amante do seu país, o seguinte texto que passo a transcrever:   

Eles querem dar cabo do Brasil de qualquer maneira!
Autoria de José Gomes

E ninguém veta o assassinato da língua..... que país !...

       Um amigo uruguaio sugeriu casarmos a Dilma com o Pepe (acho que ele não merece essa desgraça), tendo como padrinhos o Lula e a Cristina; como convidados os mensaleiros e cia. mudando-se  todos para a Mongólia (também acho que os mongois não merecem); sugiro o deserto do Saara.

LEI de 03Abr12-Emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão.

Aprendam.

Acabou a moleza. Quem relutava, se negava ou criticava o pedido meigo de Dilma ser tratada como presidentA, pode prepare-se para não ser pego fora da lei.
No último dia 3 de Abril, a presidentA sancionou a Lei 12.605/12. Para quem ainda duvida, está lá no site da PresidentA. A lei determina a obrigação da flexão de gênero em profissões. Ou seja, agora é presidentA, gerentA, pilotA, etc…

Vou aproveitar para exigir que eu seja tratado a partir de agora como flamenguistO, jornalistO, dentistO, motoristO, etc.

Caraca, só no Brasil.
Pergunto se alguém sabe se senador, deputado e vereador continuam como vigaristA ou muda pra vigaristO?

Oremos irmãos.
.........................
P.S.  HOJE EU VOU AO OCULISTO, DEPOIS DE PASSAR NO DENTISTO,  TINHA LÁ UM MOTORISTO E UM MAQUINISTO  TODOS FLAMENGUISTO ....

desculpem mas não resisti  [SOU HUMORISTO ] ....
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.605, DE 3 DE ABRIL DE 2012.

Determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido.
Art. 2º As pessoas já diplomadas poderão requerer das instituições referidas no art. 1o a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção, segundo regulamento do respectivo sistema de ensino.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília,  3  de  abril  de 2012; 191o da Independência e 124o da República.

DILMA ROUSSEFF
Aloizio Mercadante Eleonora Menicucci de Oliveira

Fonte: José Gomes 

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

-" No frigir dos ovos "

O português é uma língua mesmo rica! Se não, vejam este exercício maravilhoso ! ....

Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua tão difícil!
Como a língua portuguesa é rica em expressões!
Achei interessante, porque demonstra o quanto o vocabulário "alimentar" está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.
Pergunta: Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?
Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.
Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa; com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois os leitores não são farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é
refresco...
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.
Embananar-se, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir, mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?

Fonte: Internet, autor desconhecido

terça-feira, 12 de julho de 2011

-" Vergonha que não tenho de ser Nordestina "

Aqui está a prova provada de que se pode ser natural de qualquer parte do Brasil e escrever bom português sem pôr de parte os regionalismos que só enriquecem a língua. Bom português, é bom português, seja lá de que lado do Atlântico for, contrariamente ao que alguns intelectuais de pacotilha apregoam.
Apreciem bem esta jóia de prosa lusófona !          
                                                                                
AN                     
"VERGONHA QUE NÃO TENHO DE SER NORDESTINA"
    Sheila Raposo  ( Jornalista )
"Cultivado entre os cascalhos do chão seco e as cercas de aveloz que se perdem no horizonte, cresceu, forte e robusto, o meu orgulho de pertencer a esse pedaço de terra chamado Nordeste.
Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano, correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.
Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato. Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair é nunca!
Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta, atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira, feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol... E mais uma ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em casa!
Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.

Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.
Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo além da sanfona, do triangulo e da zabumba? No máximo, um pandeiro ou uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom!
Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.
Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.
Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.
Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso. Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.
Fonte: esta jóia foi-nos enviada pela nossa amiga Inêz Paiva