sábado, 21 de dezembro de 2013

-" Portugal chegou há 500 anos à China "



O Centenário que não foi celebrado: chegada à China 

(1513-2013).




JORGE ALVARES, o português que chegou à China há 500 anos. 


O primeiro contacto documentado de portugueses com território da China aconteceu há 500 anos, na atual província de Guangdong, no sul, entre Julho e Agosto de 1513, numa aventura de mercadores saídos de Malaca.
Dois ou três portugueses, Jorge Álvares, seu filho (que morreu na viagem) e outro português (cuja identidade e fim se desconhece), embarcaram num junco de mercadores malaios, que saiu de Malaca, na atual Malásia, em Maio de 1513 e chegou ao litoral chinês entre Julho e Agosto do mesmo ano.
O cronista português João de Barros afirmou que Jorge Álvares, um mercador estabelecido por conta própria, foi o primeiro português a chegar ao sul da China, mais especificamente a uma ilha, designada pelas fontes históricas portuguesas como "Tamão", que também foi designada como "Lintin" e identificada como a atual ilha de Nei Lingding, no centro do delta do rio das Pérolas, a norte de Macau.
Os portugueses da época iam para a Índia como funcionários públicos (soldados ou feitores) durante três ou seis anos. Terminado esse período, alguns regressavam a Portugal e outros estabeleciam-se na Ásia por conta própria, como comerciantes ou mercenários.Os portugueses tinham armamento superior e eram muito cobiçados por todos aqueles potentados asiáticos, onde podiam atuar como "conselheiros militares".
Jorge Álvares foi um desses portugueses, que primeiro esteve ligado à estrutura do Estado na Índia e depois se estabeleceu por conta própria. 
Dos negócios que fez na China obteve lucros tão grandes que incitaram imediatamente outros portugueses a partir de Malaca para o litoral chinês. Daqui nasce uma expressão ainda hoje utilizada, os 'negócios da China', algo que dá lucros fabulosos. De acordo com um cronista da época, o lucro era quatro vezes superior ao investimento. Portanto, era “um destino comercial muito atrativo para os portugueses, que não param de ir à zona todos os anos".
Os portugueses vendiam especiarias, em especial pimenta (muito consumida na China), e madeiras aromáticas (usadas em rituais religiosos).

Jorge Álvares regressou a Malaca, em Abril ou Maio de 1514, com produtos manufacturados chineses: porcelanas e sedas, mas também almíscar, aljôfar (pérolas miúdas), enxofre e salitre (componentes para o fabrico de pólvora), cânfora, ruibarbo e “abanos léquios” (os 'leques', nome que deriva do topónimo Léquios, como eram conhecidas as ilhas japonesas Ryukyu)..
João de Barros escreveu que Jorge Álvares foi uma segunda vez à China em 1521, morrendo de doença na ilha de Tamão, a 08 de Julho do mesmo ano. Foi enterrado junto a um padrão que ali tinha colocado oito anos antes.

Entre 1517 e 1521, Portugal enviou uma "embaixada", liderada por Tomé Pires, que foi o primeiro enviado oficial português à China, cuja missão de estabelecimento de uma posição na zona fracassou.
Normalmente, os portugueses usaram na aproximação àquelas zonas, do que nós hoje chamamos Malásia e Indonésia, uma espécie de posição de força, ou seja, tinham armas, tinham canhões e tinham o equivalente a espingardas (mosquetes) e tinham navios poderosos e, portanto, conseguiram ocupar determinadas posições pela força. Temos o exemplo de Malaca e das ilhas Molucas, em que os portugueses ocuparam uma cidade portuária e construíram uma fortaleza.
O mesmo tentaram na China mas o exército chinês não tinha nada a ver com todas as outras potências ali à volta. Era um Estado sólido, com recursos infinitos e não autorizou esse estabelecimento dos portugueses, nos mesmos moldes que tinham feito noutras zonas, levando à adoção - pelos portugueses - de uma posição mais informal de comércio, de contatos que, a pouco e pouco, se foram desenvolvendo e nos anos 1550 veio a dar origem ao estabelecimento de Macau.

Fonte: declarações do historiador Rui Loureiro a Lusa/SOL  

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