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sábado, 1 de fevereiro de 2014

" Fortaleza de Cochim (Índia): " Um Pequeno Portugal "


                     Paço Episcopal da Fortaleza de Cochim, onde são ministradas as aulas de português. (Foto: The Hindu)

Uma vez no passado, a Fortaleza de Cochim foi um “pequeno Portugal”. Vestígios de sua vida e cultura são ainda evidentes na arquitetura, nos nomes de famílias, nas receitas dos pratos e até no dialeto local.
O padre Marian Arackal, diretor do IPVG, explica detalhadamente a importância de se manter esse curso. “Cochim tem uma relação histórica com Portugal. Esta diocese foi fundada sob o sistema do padroado. No século XV, Roma não era uma potência mundial, mas Espanha e Portugal eram. Eles dominaram os mares, e o Papa concedeu poderes especiais aos reis dos dois países para evangelizar e propagar a fé. A primeira diocese portuguesa foi estabelecida em Goa, seguida por Cochim em 1557. Desde então até 1950, a Diocese de Cochim teve bispos portugueses. Temos um rico acervo de documentos que data desde aquelas épocas. As aulas foram iniciadas pelo segundo bispo indiano de Cochim, Joseph Kurithara, para a preservação de um legado do qual temos orgulho de fazer parte.”
Adrian Hubert D’Cruz, de 72 anos, também tem orgulho imenso de sua ascendência portuguesa. Comandante naval aposentado, ele é um dos estudantes de mais idade na classe. “Na geração anterior da minha família, falavam um pouco de português, mas infelizmente na minha geração nenhum de nós fala a Língua”, lamenta.Ele se recorda de seus pais falarem em português quando desejavam falar algo “em confidência”. Ele se lembra de algumas canções e orações. O mesmo faz Francis Xavier Gomes, de 86 anos, que não é estudante da classe, mas tem ancestralidade portuguesa. Ele se lembra de que seus pais “repetiam o português de memória”, mas lamenta o facto de que usavam a Língua apenas como um “código secreto entre eles”.Adrian recorda-se de que uma linguista norte-americana, Isabella, veio alguns anos atrás e entrevistou seu tio, Louis D’Cruz. Ela registou a conversa entre eles, mas no ano seguinte, depois de mais pesquisas, ela retornou com um veredicto de que essa forma de português – o português de Cochim – estava extinta na Fortaleza de Cochim. “Ela não evoluiu de todo, e as palavras usadas eram obsoletas. Surpreendentemente, a mesma forma de português é usada em Malaca [na Malásia], que foi também uma colónia portuguesa”, diz Adrian.Adrian acha a gramática “trabalhosa”. Ao atravessar o canal, no Forte de Vaipim residem muitas famílias que traçam sua ancestralidade a Portugal. “De facto, há uma festa religiosa de 400 anos, na Igreja de Nossa Senhora da Esperança, em que as orações são recitadas em português”, diz Adrian.
Distante da nostalgia e da história está Anthony Nilton, de 18 anos, que acabou de completar a sua aula número 12. Ele está “curioso” sobre uma língua que ele espera que vai fazer brilhar as perspectivas de sua carreira. O seu resumo simples sobre esse aprendizado recente é que “não é fácil nem é difícil”.
Para John Thomas, ex-tripulante naval, o curso vai ajudá-lo em seu trabalho em linha na Internet para uma empresa brasileira. Ele também se interessa por turismo, onde a Língua será de ajuda imensa.
Dhanya George percorre todo o caminho vinda da cidade de Pala para comparecer às aulas. Ela soube do curso pela Internet e está “extremamente surpresa e animada” por tal curso estar disponível. Dhanya estava a aguardar por este curso da Língua, pois ela está a caminho do Brasil para trabalho. O padre Marian diz que o curso também encontrou frequentadores entre os turistas, que permanecem aqui para uma estada longa.
Os três meses do curso da fundação no Paço Episcopal compreendem noções básicas de aprendizado da gramática e habilidades de conversação.
Os estudantes aparecem com informações interessantes sobre a Língua, as origens e as raízes. “Há muitas palavras que são comuns entre o português e o malaiala, como alamari (armário), veranda(varanda), kasera (cadeira), janala (janela) etc.”, diz o padre Marian.
“Os estudantes são sinceros”, diz a irmã Carmo, que veio da Ilha da Madeira, em Portugal. Ela constatou que os indianos aprendem rapidamente a pronúncia, embora seja difícil. “Ensinar uma língua sempre é um desafio”, acrescenta e, bem para o deleite do grupo, traduz o nome de uma estudante, a irmã Anju, para o português: “Significa ‘anjo’”.
(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

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PRIYADERSHINI S.
 Olá, Portuguese!
Do jornal
 The Hindu (diário indiano de língua inglesa)
– seção
 Life & Style, subseção Metroplus.
Chenai, Índia.
Publicado em: 13 jun. 2012

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