Países dos leitores

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

« Teus Beijos »


São uvas teus beijos
Esferas suculentas
A estourar no céu da boca
Escorre a saliva em puro vinho
Vinho suave
Da tua boca para a minha
Amado Baco
Sempre com sede de ti
Embriagada pelo teu amor.

Poema de Adriana Costa, anteriormente publicado em Versos Bárbaros e Overmundo
Ilustração: Arquivo pessoal e arte digital da própria autora.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

« Vento (ciclo da nova era) »

Ao passar por mim o vento, duas belas coisas me soprou: a brisa fresca à noite, e o perfume de jasmim que em minhas narinas deixou. Mas também de outra feita ao passar por mim, num lamento fez-me recordar de quando andei em prantos, pasmado a soluçar.
Ao passar por mim o vento fresco à noite, levou de mim a muito custo quem de mim se fez presente do passado, e hoje é a saudade... Por isso cumpro sozinho o meu caminho sem olhar para trás, e sozinho sigo em frente.
Mesmo que bem pertinho vá alguém comigo a caminhar, sorrindo ou a chorar, vai sempre do lado, sempre a estender a mão, a pedir um trocado... Mas, afinal, por que ocioso e parado? A esperar caia do céu, sempre a estender o chapéu, sempre a pender do lado? Enquanto seguir pedindo pelo caminho, tropeça, nas próprias pernas, pelas ásperas e duras pedras; e a querer ir pelo mar, mas indo por terra; remando contra a maré caminhando, quando queria ficar; sem nada haver quando muito queria ter; a pedir sem parar, sem nada fazer para possuir: ainda que bem perto vá assim alguém a caminhar, é melhor não olhar, é melhor nem ver!
E foi assim ao passar por mim que o vento duas premissas me deixou: uma de seguir em frente sem esperar nada nem querer ir para o céu; outra de morrer por fora nesse viver ao relento e ao léu... Pois que o ir passando em vão, é verdade, que se em vão se passa na terra, em vão não se vai ao céu...
Assim muito breve disse-me ainda agora o vento suave a passar; foi num lance finito, nas folhas um simples agito a murmurar...
Por isso deixo que de mim leve o papel pelo ar; e tudo mais quando em quimeras houver de leve possa levar; e que ninguém as possa reter; que ninguém as possa pisar; e não mais a partir de então, vão tantos em vão em vão a apregoar. Pois que, nem uma folha ao vento, não vai por encanto, ao vento a voar.

« Os sete pecados capitais do amor »

Texto de Adriana Costa

Gula
O meu olhar
te engole e te bebe

desde tua sombra
até o que respiras
Inveja
Invejam os astros dia a dia
o brilho estelar dos teus olhos
e o sorriso nacarado
que observo sem piscar
provocas os deuses
com o tecido nobre de tua
pele morena
Avareza
Não te empresto a um olhar sequer
Estou te acumulando
em memórias
só para mim
Luxúria
Tens-me
lasciva e devassa
líquida
a escorrer pelo teu corpo
em forma de língua
Soberba
Têm brilho argênteo
nossas umidades
e os pêlos
luzem mais
que mil sóis
Preguiça
Arrasta-me
para fora da cama
se não me quiseres
Leva-me embora
Mas leva-me nos braços
Ira
Odeio este amor
que me extravasa
rasgando-me a pele
como a um papel.

Imagem: "O Abandono" de Camille Claudel

sábado, 14 de fevereiro de 2009

« EXPOLÍNGUA 2009 »






A Expolingua 2009 vai ser subordinada ao tema a “Língua Portuguesa e a Lusofonia”. Neste certame, que decorre de 4 a 6 de Março na Associação Industrial Portuguesa (AIP), em Lisboa, a CPLP vai estar presente com um stand e organizar um seminário dedicado ao tema da exposição.
Eis o Cartaz Oficial.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

« DINAMARCA - MATADOURO DE GOLFINHOS !? ... »


Este espectáculo dantesco acontece nas ilhas Faroe, na Dinamarca. Uma barbaridade praticada contra uma espécie inteligente que tem a particularidade de procurar aproximar-se do homem.
Não é em África, não é na Ásia, é na Dinamarca, um país supostamente civilizado pertencente à União Europeia, cujos Comissários do Pelouro das Pescas tanto se têm empenhado em destruir a nossa frota pesqueira sob o pretexto de proteger as espécies.
Quem nunca privou com a apregoada “civilização escandinava”, depois de ver o vídeo que se segue, deve começar a procurar perceber a diferença que existe entre disciplina e civilização.

Quem estiver interessado em fazer seguir em cadeia o vídeo original, poderá solicitá-lo através

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

« AS MENSAGENS "SMS" E A POESIA »


Como é sabido, uma das vantagens das mensagens por telemóvel é obrigar ao poder de síntese.
Felizmente os portugueses, que foram pioneiros em muitas coisas, despertaram com as novas tecnologias e, em muitos campos, voltaram a ser pioneiros. Foram dos primeiros a introduzir o Mutibanco, foram os criadores da “via-verde”, estão em segundo lugar na lista dos maiores utilizadores de telemóvel “per capita”, foram os primeiros a introduzir o cartão pré-pago para os telemóveis, etc…..
Ultimamente, tornaram-se pioneiros na introdução da poesia no mundo das mensagens por telemóvel.
Não que isto me surpreenda, porque os portugueses sempre tiveram grande apetência para a poesia e, embora pareça paradoxal, para a tecnologia.

Chegou-me às mãos esta maravilhosa mensagem cheia de poesia que pode, de maneira bem vincada, confirmar o que acima foi dito:

Mãe !
Cada palavra que me ensinaste
repete mil vezes o teu nome.

Será que o poder de síntese a que as mensagens por SMS obrigam vai introduzir mais poesia nas nossas vidas ?!...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

« O DILEMA DE UM BOÉMIO NORTENHO »

Que fazer com o nosso rico dinheirinho que tanto nos custa a ganhar ?!....
Se o gastarmos na Zara, o dinheiro vai todo para a China.
Se o gastarmos na C&A, vai para Espanha.
Se o gastarmos em combustível, ele vai direitinho para os árabes.
Se comprarmos um computador, o dinheirito irá para a Índia, China ou Formosa.
Se comprarmos produtos hortícolas, o dinheiro vai para Espanha, França ou Holanda, pela certa.
Se comprarmos um bom carro, o destino do dinheiro será a Alemanha.
Se comprarmos inutilidades, ele vai para a Formosa.
NENHUM DESSE DINHEIRO AJUDARÁ A ECONOMIA NACIONAL !!!
Parece que a única maneira de manter esse dinheiro dentro de portas é gastá-lo em farras com mulheres e vinho verde, que ainda são produzidos em Portugal.
Mas alguém mais avisado dirá:
"CONCORDO, MAS ATENÇÃO QUE GASTAR DINHEIRO EM FARRAS COM MULHERES É ESTAR A DÁ-LO AO BRASIL E AOS PAÍSES DE LESTE!"
Então o pessimista concluirá
"TRISTE PAÍS ESTE ONDE ATÉ SE QUEREMOS FAZER UMA FARRA TEMOS DE RECORRER À IMPORTAÇÃO !!...JÁ SÓ NOS RESTA O VINHO VERDE! –

E o tinto do Douro, digo eu, pois não aprecio o Vinho do Porto feito na Califórnia...
Mas eu disto, não percebo nada !!... E vocês percebem alguma coisa!?...
Não contentes por terem dado cabo da nossa agricultura e das nossas pescas querem agora construir um aeroporto numa das zonas agrícolas mais férteis do país !?...
Que grande país temos!!!!! Que óptimos governantes temos tido!!!!!