Países dos leitores

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

- 600 anos da conquista de Ceuta

Neste dia, há 600 anos, Portugal conquistava Ceuta e dava início à Globalização !

Painel de azulejos existente na estação de combóis de S.Bento, no Porto


Bandeira de Ceuta

Brasão de Armas de Ceuta

sábado, 9 de maio de 2015

-"Exame da 4ª classe em 1966"



Uma Relíquia !...
Reparem : trata-se da "antiga" 4ª Classe ... não é licenciatura nenhuma!!!......
Quantos licenciados dos últimos 25, 30 anos saberiam responder, numa hora, a metade disto? Obviamente, sem ajudas de aparelhos electrónicos...E será que conseguem, mesmo com as ajudas? Lembrem-se: só têm 60 minutos.
Para quem não saiba: a antiga 4ª classe era o 4º ano do ensino primário obrigatório e há quem seja de opinião que o padrão do ensino ministrado  era superior ao 10º ano pós-25 de abril.









sábado, 7 de fevereiro de 2015

-" A maior flor do mundo "


Num dia de maio de 1996, espalhou-se, por toda a cidade de Bonn (Alemanha), uma notícia pouco esperada:
...... a “Amorphophallus”está a florescer !...
Quem sabia do que se tratava vibrou com a notícia porque a “Amorphophalus titanum” só floresce a cada 2 a 3 anos e a sua flor dura apenas 2 a 3 dias.
Nessa altura, eu encontrava-me em Bonn e fui convidado pela minha amiga Ute Pferdehirt para ir ver o raro  acontecimento.
Num solarengo domingo, à entrada do Jardim Botânico da Universidade de Bonn, instalado no Palácio de Poppelsdorf,  deparamo-nos com uma uma longa fila de quem desejava ver a flor.
Estivemos mais de uma hora na fila que se estendia pelos jardins do Palácio.
 

Depois de lentamente atravessarmos os jardins, ao entramos na estufa tivemos a recompensa de tão longa espera.
 


Deparamos com uma bela planta, com coloridas folhas e flor gigantesca em forma de falo, com 2,23 m de altura e 32 kg de peso. Uma imagem imponente ! 
A florescência de 1996, teve 20.000 visitas, durante uma semana.

 


A maior flor, até hoje, atingiu o tamanho de 3,06 m e 98 kg de peso, em maio de 2003, no Jardim Botânico do Palácio de Poppelsdorf.




Esta planta floresce raramente na natureza e muito menos em cativeiro. É originária da ilha de Sumatra (Indonésia) e foi descoberta 1878 pelo botânico italiano Odoardo Beccari (1843-1920).
Floresceu pela primeira vez no jardim botânico " Royal Botanic Gardens " - Kew no Reino Unido.
Nos últimos anos o número de casos de floração tem aumentado e estão calculadas mais de 5 florações no mesmo ano em todo o mundo.
Em 7 de Outubro de 2004 em Sydney, na Austrália, uma titanum com um diâmetro de 1,33 metros, desabrochou pela primeira vez desde que foi plantada em 1993 (11 anos depois).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

- " O médico das violações "

(Depois de ler este artigo, fiquei a pensar : que mundo estranho este, em que vivemos, que se mobilizam multidões por 12 mortes e nada se mexe quando mais de mil mulheres são violadas por dia, num só país ! ...AN)


Denis Mukwege. O “médico das violações” que já tratou 40 mil mulheres


 
Foram violadas ontem mais de mil mulheres na República Democrática do Congo. Uma tragédia.
E agora o leitor pergunta-se: mas como se esta manhã os cabeçalhos nem tocam no assunto? A explicação é ainda mais assustadora: trata-se de uma daquelas situações que, de tão frequentes, deixaram de ser notícia. Porque anteontem outras mil e tal mulheres, muitas delas crianças, tinham já sido estupradas. Como no dia anterior, e no anterior a esse. Não é notícia porque se tornou um balanço diário, está embalado numa estatística. Faz parte da realidade de um país que é considerado o sítio mais perigoso do mundo para as mulheres
.E o leitor, que ainda se sente chocado com a realidade que lhe chega de latitudes que alguns colocam para lá do fim do mundo, pergunta-se: e ninguém faz nada? Alguém faz tudo o que pode. Há mais de 15 anos que o ginecologista congolês Denis Mukwege lida com este cenário de horror, com as vítimas de uma estratégia de terror absoluto, em que as violações em massa são usadas como arma de guerra e intimidação. Num hospital que fundou em 1998 no Leste do Congo, o cirurgião e a sua equipa dedicam-se ao tratamento e à reconstrução dos corpos das vítimas, algumas tão novas que não passam de crianças de colo. Mukwege é conhecido no seu país como o "médico das violações". Cinco vezes apontado para o Nobel da Paz, em Outubro deste ano foi agraciado com a mais alta distinção do Parlamento Europeu para o activismo pelos direitos humanos, o Prémio Sakharov. Com a sua equipa no hospital de Panzi, em Bukavu, tratou mais de 40 mil mulheres. Um verdadeiro herói, que, apesar dos seus esforços, não está hoje mais perto de ver o fim do martírio das mulheres no seu país.
Deslocando-se com frequência ao estrangeiro no seu esforço de campanha para dar a conhecer ao mundo o calvário de uma população refém das lutas de poder entre militares e grupos rebeldes, o médico continua a realizar operações dois dias por semana. Com os anos, ele e a sua equipa tornaram-se especialistas em lidar com os ferimentos resultantes da violência sexual. Conhece os métodos usados pelos diferentes grupos para deixarem nas vítimas as marcas de intimidação.

Estes grupos orientam os rapazes desde novos para os rituais de violência sexual contra as mulheres. Para que se perceba a dimensão desta tragédia, há uma outra estatística que talvez seja suficientemente ilustrativa: um em cada três homens no Congo estupraram pelo menos uma vez uma mulher. Além dos abusos sexuais propriamente ditos, a criatividade do mal recorre a todo o tipo de objectos, como paus e machetes, e até a químicos no esforço para infligir graves danos a mulheres e crianças.No poderoso discurso que fez perante o Parlamento Europeu ao receber o prémio em Estrasburgo, Mukwege denunciou o governo do seu país pela má gestão e pela falta de empenho, frisando que não há desculpa para a extrema pobreza a que a população é sujeita numa das regiões mais ricas do planeta. Contou que a escravatura é uma realidade ainda hoje no Congo, que perante a fraqueza, a inacção ou a indiferença das autoridades, a única forma de escapar a essa condição é o exílio.
Coragem
É bom lembrar como depois de um igualmente inflamado discurso perante as Nações Unidas, em 2012, em que criticou duramente o governo congolês e de outras nações por não fazerem o suficiente para pôr termo a "uma guerra injusta, que tem usado a violência contra as mulheres e a violação como uma estratégia de guerra", o médico regressou ao país e viu quatro homens armados entrarem na sua residência em Bukavu, fazerem os seus filhos reféns e aguardarem que voltasse do hospital. Foi recebido por uma saraivada de tiros ao chegar a casa. O guarda-costas morreu, mas Mukwege conseguiu escapar com vida. Passou dois meses no exílio, a recuperar do episódio, tendo decidido que apesar dos riscos não podia abandonar o país à sua sorte. "Tratar mulheres pela primeira vez, pela segunda, e agora tratar as crianças nascidas na sequência das violações", disse naquela entrevista, "isto simplesmente não é aceitável."
Raramente um verdadeiro herói foi alguma vez distinguido como a pessoa do ano. Contudo, nesta série de perfis, Mukwege destaca-se decisivamente como exemplo de dedicação absoluta a uma causa que parece perdida. Em Estrasburgo, Mukwege explicou aos jornalistas que as violações são cometidas de forma ritual, por vários homens, em público, muitas vezes em frente ao marido e aos filhos da vítima. Evidenciou o modo como as famílias são destruídas. Como, exposta, a criança vê a mãe ser violada e vê o pai numa situação de impotência total. Outra das consequências destes actos de barbárie são os milhares de filhos das violações, "inocentes que, culpabilizados pela desgraça, são rejeitados", tornando-se "bombas-relógio" que virão a detonar anos mais tarde, "se não lhes for construída uma identidade livre da discriminação". Mukwege falou na enorme transformação política que tem de ocorrer num país em que "somos governados por homens que cometeram atrocidades contra as mulheres [durante a guerra] e que por isso protegem quem continua a fazê-lo".
O congolês aproveitou a visita a Estrasburgo e a atenção mediática para falar na necessidade de se encarar como uma nova patologia a crueldade humana que elege as mulheres como alvo, um tipo de violência que pretende "profanar o ponto de partida da vida". Contou que, além do afastamento do casal, da destruição dos laços familiares, muitas vezes as mulheres ainda são estigmatizadas socialmente, dado que a "comunidade tende a excluir a mulher e os filhos da violação como forma de se lavar da memória da violência". Mukwege insistiu com especial ênfase na necessidade de esta situação não ser reduzida a um problema das mulheres, exortando todos os homens a entenderem que se trata de uma questão de humanidade, que "os homens que cometem estes actos mancham a condição de todos os homens e que é preciso traçar uma linha e tornar claro que, enquanto homens, não aceitamos este modo de tratar as mulheres".
Denis Mukwege é a grande, talvez a última esperança do povo congolês, que sonha ver o médico um dia concorrer à presidência do país. Se o seu esforço enquanto ginecologista e activista parece desesperado, há no seu testemunho uma lucidez invulgar, a de um homem convencido de que o problema não é um problema congolês, e a solução não pode passar por um homem. Não se tem cansado de sublinhar que o que está em causa é "uma questão humanitária", que "os homens têm de assumir responsabilidade de forma a pôr-lhe um ponto final". "E nem é só um problema africano. Na Bósnia, na Síria, na Libéria, na Colômbia passa-se o mesmo", frisou numa entrevista o ano passado. Um dia é provável que se faça um filme sobre a sua vida, e com o passar dos anos, não serão 40 mas 50, ou 60 mil as mulheres tratadas no seu hospital. E esse filme, estas homenagens serão só outra forma de aproveitarmos a sua luta para o nosso consumo emocional, quando o que Mukwege pediu aos europeus foi que não permitissem que o dia de amanhã seja igual ao de hoje, em que outras mil mulheres estão a ser violadas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

- " Portugal e Japão "

Uma relação entre povos desde a época das Grandes Navegações


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–– Portugal e Japão: uma desconhecida relação
fruto da audácia lusa ––
Sabrina Aïd,
da Agência EFE (Espanha)
19 de novembro de 2014
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Apesar de ambos os países estarem em pontos distantes do planeta, Portugal e Japão conservam uma relação peculiar e pouco conhecida, que começou há 400 anos, graças à ousadia dos navegadores portugueses.
“O Japão foi o país asiático que sofreu o maior impacto e as maiores transformações vindas da expansão portuguesa”, disse o historiador e professor universitário João Oliveira e Costa, um dos autores do livro História da Expansão e do Império Português, publicado recentemente pela editora Esfera dos Livros.
A audácia dos navegadores portugueses no “descobrimento” do Brasil ou do caminho marítimo para a Índia já inspirou epopeias como Os Lusíadas, mas o impacto das naus portuguesas no remoto Japão é um capítulo pouco conhecido.
Iniciado em 1415 com a conquista de Ceuta [na África do Norte], o Império Colonial Português estendeu-se na África, na Ásia e na América do Sul, e ainda apenas três décadas mais tarde ocorreu o primeiro contacto com as ilhas nipónicas.
–– Semi-isolamento e primeiro contacto com europeus ––
Os japoneses conheceram um povo europeu pela primeira vez quando um grupo de comerciantes portugueses desembarcou em seu território em 1543, e desde então, desenvolveu-se uma intensa interação económica, assim como social e religiosa.
A escopeta portuguesa foi um dos objetos que causou maior impacto ao povo local japonês, que até então desconhecia as armas de fogo e lutava nas guerras com flechas e outras armas brancas.
“O Japão era um país semi-isolado até a chegada dos portugueses. A relação luso-nipónica contribuiu para uma atualização significativa dos conhecimentos da civilização japonesa”, disse Oliveira e Costa, cuja obra [sobre o Império Português] reúne de forma inédita desde o início da expansão marítima portuguesa (1415) até a independência [transferência da soberania à China] da colônia chinesa de Macau (1999).
–– Palavras portuguesas e arte namban ––
Além das armas de fogo, os portugueses introduziram várias palavras na língua japonesa durante o período conhecido como “Comércio Namban”.
Assim, os japoneses adotaram vocábulos da Língua Portuguesa como pan (pão), tabako (tabaco), botan (botão) e kirishitan (cristão).
“A chegada das naus portuguesas, com os seus trajes, estranhos para eles, com animais nunca vistos no Japão [galinhas, patos ou coelhos], com tripulantes negros, com costumes diferentes, foi registada pelos artistas japonenses”, disse o docente da Universidade Nova de Lisboa.
Outro reflexo da interação entre europeus e japoneses foi a arte namban, normalmente observada nos biombos japoneses, nos quais foram retratados os contatos comerciais entre as duas civilizações, à maneira de um álbum de imagens.
“Há vários museus japoneses com peças associadas à cultura namban, principalmente as de caráter religioso, como pinturas, bandeiras e armas dos cristãos”, relatou o historiador, que destacou os móveis lacados que evocam o Ocidente.
A cultura namban deixou a sua marca não só nas artes visuais, mas também nos rituais religiosos, nas artes interpretativas e na cultura científica de ambas as civilizações.
–– “Os portugueses mudaram a história do Japão” ––
Outras marcas relevantes perderam-se devido aos conflitos políticos e religiosos, que levaram inclusive à perseguição de cristãos no Japão, considerados um perigo para o arquipélago por ser uma bandeira colonizadora.
“Tudo o que estava relacionado com os portugueses foi destruído. Todas as igrejas foram destruídas no século XVII”, constata Oliveira e Costa.
Apesar dessas tensões, a prova viva da relação centenária que uniu Japão e Portugal durante quase um século está em Macau, que se tornou uma importante porta para o comércio entre China, Europa e Japão.
A pequena Macau, transferida para a administração de Pequim em 1999, é um ponto onde convergem a identidade portuguesa e chinesa, uma ponte entre a cultura ocidental e oriental.
“Os portugueses mudaram a história do Japão, mas este manteve a sua própria civilização”, lembrou Oliveira e Costa, que explicou a razão pela qual este episódio da história acabou por ter menos peso que a colonização portuguesa do Brasil em 1500.
Diante de uma civilização de tecnologia escassa, especialmente em relação às armas, os portugueses impuseram sua força diante dos aborígenes do Brasil.
“Embora, no caso do Japão, que nunca passou pela cabeça dos portugueses colonizá-los”, disse Oliveira e Costa para concluir a chave da questão, “toda a gente sabia que o país dos samurais era impossível de se conquistar”.  :::
(Tradução de Ronaldo Santos Soares)
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Com base em
AÏD, Sabrina. Portugal y Japón, una desconocida relación fruto de la audacia lusa.
Extraído da Agência EFE (Espanha)
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

- A CONCRETIZAÇÃO DO “MAPA COR DE ROSA”

ANGOLA E MOÇAMBIQUE PODEM CONCRETIZAR O “MAPA COR DE ROSA”



Angola e Moçambique, no quadro da CPLP, reúnem todas as condições para tornar o “mapa cor de rosa” uma realidade. Bastaria que, usando a sua influência na zona e a dependência da Zâmbia dos portos moçambicanos e angolanos, tivessem vontade de o concretizar.

Estou convencido que o projeto não seria difícil de concretizar, uma vez que a Zâmbia já é um elemento de ligação entre o Caminho de Ferro de Benguela e o Caminho de Ferro da Beira.     O estreitamento das relações comerciais, aproveitando esta ligação, seria forte alavanca para o desenvolvimento daquela zona e, embora para alcançar este objetivo seja suficiente a adesão da Zâmbia, a solução ideal seria incluir o Zimbabue e o Malaui.