Países dos leitores

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

-" Memorial da Escravatura"

É surpreendente a ignorância demonstrada pelos promotores de tal iniciativa.
A pretensão é aceitável mas o objetivo é reprovável.
Pretender erguer um memorial à escravatura é a todos os títulos louvável para recordar um dos mais horríveis hábitos da humanidade.

 Escravos sendo leiloados (pintura de Jean-Léon Gérôme)

Pretender erguer o memorial lembrando os africanos com sentido acusatório visando os portugueses como se fossem os criadores de tal desumanidade é, simplesmente, um ato de pura ignorância.
Querer limitar a escravatura às vitimas africanas é, se não demagogia, um arrogante ato de incapacidade. É a incapacidade de reconhecer a amplitude do fenómeno esquecendo os seus aspetos essenciais:
- A escravatura pratica-se desde que o homem começou a guerrear e a fazer prisioneiros.
- Durante séculos os norte-africanos fizeram razias nas costas portuguesa, espanhola e restantes da bacia do Mediterrâneo, com intenção de abastecer os mercados de escravos.
- O império otomano fazia razias na Europa raptando mulheres e crianças.
                                            Comerciante de Meca com seu escravo branco


- Os africanos da África Central e Meridional eram grandes fornecedores dos mercados muçulmanos de escravos, para onde vendiam os prisioneiros que faziam nas suas guerras e como forma de se livrarem de rivais e adversários.
- Na África Central e Meridional a maioria dos escravos eram vendidos a africanos, muçulmanos, portugueses, ingleses, franceses e holandeses por outros africanos
- Atualmente, apesar de a escravidão ter sido abolida em quase todo o mundo, ela ainda continua existindo de forma legal no Sudão e de forma ilegal em muitos países, sobretudo na África e em algumas regiões da Ásia.

Perante este quadro pergunta.se: a que grupo de escravos vai ser o memorial dedicado ? Aos escravos negros ou aos escravos brancos ?

Se o ressentimento fruto da ignorância for vencido então teremos um memorial onde todos se podem rever.                         

 

sábado, 14 de dezembro de 2019

"O CALVÁRIO DE UMAS "JEANS"



A TV France 2 emitiu há algum tempo um programa acerca do fabrico das calças Jeans que pode parecer um pouco exagerado mas que, considerando a origem será de aceitar como bom.
(Tradução e adaptação do editor deste blogue)



FOTOGRAFIA (VÍDEO NO FINAL DO TEXTO)



"Fabricam-se, anualmente, 2,3 biliões de Jeans em todo o planeta. Muitas delas terão percorrido dezenas de milhares de quilómetros até chegarem às prateleiras das lojas de pronto-a-vestir.
Proponho-vos que sigamos o trajeto de uma dessas peças. É o itinerário mais longo.
A nossa viagem vai começar em Ludhiana,na Índia.
E porquê na Índia?... Simplesmente por que para fazer umas Jeans precisamos de algodão, do qual a Índia é o principal produtor mundial com 6,35 milhões de toneladas por ano.
Na transformação deste algodão consomem-se  4.000 litros de água.
Depois, o algodão é enviado para o vizinho Pakistão para ser fiado e tecido e posteriormente enviado para Xintang (a capital das jeans) na China, a 4.800 km para Oriente, onde 3.000 oficinas irão produzir, diariamente, cerca de 800.000 jeans.
É lá que o tecido recebe a cor azul indigo através de um pigmento sintético. Para fabricar 1 kg deste pigmento é necessário o consumo de uma centena de quilos de petróleo e 1.000 litros de água .
Em seguida, as Jeans são enviadas para a Tunísia onde se acrscentan pequenos pormenores, como molas (que, em geral, vêm da  Austrália) e fechos-de-correr vindos, principalmente, do Japão. Os botões são importados do Congo.
Se pensa que a viagem terminou, está enganado !...
As Jeans vão agora ser desbotadas e enviadas para o Bangladesh ou para o Egito
onde serão sujeitas a areamento, uma operação muito noçiva.
A viagem das Jeans terminou; só resta coloca-las nas prateleiras das lojas.
Até serem posta à venda estas Jeans já consumiram cerca de 11.000 litros de água e percorreu 65.000 quilómetros ou seja o equivalente a 1,5 voltas à Terra.
Ninguém diria que este tecido foi inventado na cidade francesa de Nimes, de onde recebeu a designação "denime" (de Nimes)". 



segunda-feira, 25 de novembro de 2019

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

- "As origens do Haloween"


O "Halloween" resultou do aproveitamento pelo cristianismo de uma tradição celta transformando-a em "Dia de Todos os Santos" (em inglês, "All Hallows Day"). A noite anterior, que era quando começava a festa, era a "All Hallows Evening do que resultou "All Hallows Even" e finalmente "Halloween".
Os vídeos que se seguem, com a qualidade do Canal História, revelam com mais profundidade as origens do "Halloween".

1ª parte


2ªparte
e


domingo, 23 de junho de 2019

-"Um cavaleiro africano na capital do Império""




Este cavaleiro pode ser visto numa pintura que retrata o movimento à volta do “Fontanário do Rei”, em Lisboa, no ano de 1575. O vídeo que se segue, da autoria da BBC, analisa o quadro com interessantes comentários que traduzi e adaptei.

Esta pintura poderia relançar a discussão sobre o que foi a escravatura se houvesse pess
oas desapaixonadas, isentas e descomprometidas com vontade de esclarecer esse fenómeno.

A tradução do texto que aparece no vídeo é a seguinte:“Esta pintura é um instantâneo de um mundo que já esquecemos. Ela retrata o momento em que o equilibrio do poder militar e económico significava que europeus e africanos se encontravam em termos de relativa igualdade.
Pensa-se que o artista que produziu esta obra (cujo nome se perdeu) era holandês mas o que retrata não é Delft ou Amestardão mas Lisboa do séc.XVI no ponto mais alto do império global português.
A pintura retrata o Fontanário do Rei e o que nela mais se destaca são as pessoas que lá se encontram.
Lisboa nesta pintura parece uma capital do séc.XXI, porque espalhando-se o império português por todo o mundo era natural que povos desse Império viessem a Lisboa. Parece incrível mas 1 em cada 10 habitantes de Lisboa era africano.
Os africanos nesta pintura aparecem em vários níveis sociais. Há os aguadeiros e também escravos tanto negros como brancos.
Vê-se um individuo a ser preso, vêem-se os barqueiros que ajudavam a atravessar o rio, mas há figuras como este cavaleiro de raça negra, membro da Ordem de Santiago, a cavalo com a sua espada, com a sua capa e adornos da época.
É um retrato de um mundo que já esquecemos: Lisboa como centro de u
m império global; Lisboa como centro da primeira era da globalização.”

domingo, 28 de abril de 2019

-"As Pedras Que Andam"

Pesquisadores americanos conseguiram resolver um mistério científico que já durava há décadas:
 as "pedras que andam" no Vale da Morte, no deserto de Mojave, na Califórnia


Algumas destas pedras chegam a pesar 300kg. Elas ficam em um lago seco, plano e rodeado por montanhas. Em algumas épocas do ano, este lago se enche com água da chuva, que evapora rapidamente.
Estas pedras movem-se, deixando um rastro na terra por dezenas de metros. Mas, desde que elas começaram a ser estudadas por cientistas, nos anos 1940, ninguém as havia visto mover-se.
Isso fez com que surgissem várias teorias para o fenómeno, algumas delas bastante exóticas, atribuindo seu movimento a campos de energia poderosos, ao magnetismo da Terra e até mesmo a extraterrestres.
Até que finalmente, em dezembro passado, o pesquisador Richard Norris, da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, e seu primo James Norris puderam presenciar e captar em imagens o fenómeno (ver vídeo).
Eles explicaram em um estudo publicado nesta semana na revista PLOS ONE que tudo começa quando a chuva produz uma capa de água sobre o terreno seco, criando um lago superficial.
Durante a noite, essa água congela, formando uma capa de gelo de cerca de três a seis milímetros na qual ficam presas as bases das rochas.
Quando o sol nasce, o gelo começa a quebrar, criando placas de vários metros de largura que se deslocam com o vento.
Assim, as pedras se movem sobre o barro, impulsionadas pelas placas de gelo, a uma velocidade de dois a cinco metros por minuto, formando os famosos sulcos na terra.
As trajetórias dependem da velocidade e da direção do vento e da água que se encontra abaixo do gelo.
Segundo Richard, o fenómeno não é frequente porque quase não chove no Vale da Morte, e as temperaturas médias são elevadas.






domingo, 17 de março de 2019

-"Pedras Parideiras"

A Serra da Freita, no concelho de Arouca, no norte de Portugal, é cenário de um dos mais interessantes e raros fenómenos geológicos. É nesse cenário idílico que se encontram as chamadas "Pedras Parideiras".

No estudo que fiz, cheguei à conclusão que o texto da Wikipédio sobre o tema é o de melhor qualidade, pelo que vou passar a transcrevê-lo.
 "Pedras Parideiras são um fenómeno geológico raro, um tipo de pedras que brotam de uma rocha-mãe, um bloco nodular de origem granítica com 1000 x 600 m, daí se chamarem Parideiras. Os nódulos de 1 a 12 cm de diâmetro com formas discóides e biconvexas são compostos pelos mesmos elementos mineralógica do granito, a camada externa é composta por biotite e a interna possui um núcleo de quartzo e feldspato potássico. Estes nódulos ao se desincrustarem dos núcleos da rocha-mãe por termoclastia/crioclastia deixam uma camada externa em baixo relevo nos núcleos da rocha-mãe e espalham-se à volta desta.
As Pedras Parideiras simbolizam a fertilidade na tradição ancestral da região, esta tradição está ainda presente nas populações locais. Acredita-se que dormir com uma pedra parideira debaixo da almofada aumenta a fertilidade.

As Pedras Parideiras estão situadas na Serra da Freita em Portugal e na Rússia , perto de S. Petersburgo.
São um fenómeno raro no Planeta Terra, este sendo o motivo para que se pede aos visitantes destes locais que não recolham pedras para uso pessoal.
A afirmação da existência de Pedras Parideiras noutras latitudes não é comprovada.!"

Para esclarecimento dos leitores falta dizer o que é a termoclastia. 

Termoclastia é o processo de fraturamento ou quebramento de rochas cristalinas e compactas em consequência de variações térmicas na superfície da rocha fresca ao ser exposta, alternadamente, às altas temperaturas da insolação de dia e às baixas temperaturas noturnas.

domingo, 3 de março de 2019

-"A fronteira na Irlanda e a falta de originalidade do Brexit"

FOTO

Creio não haver dúvida de que as gerações anteriores resolveram os problemas com as fronteiras de uma forma muito mais original  do que a que se está a tentar seguir com o Brexit. De certa forma até é compreensível que os ingleses não consigam aceitar uma solução que não seja baseada na força, como a história nos demonstra.
Por todo o mundo  existem enclaves, exclaves e fronteiras que são modelos de originalidade, como se pode ver no vídeo que se segue.




quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

-" Como evitar a falência da Segurança Social"

Rendimento Básico Incondicional ou Contribuição para a Segurança Social ?
Qual destas duas soluções será a ideal para evitar uma situação catastrófica provocada pela robotização ? (Ver https://rosadosventosan.blogspot.com/2019/01/robotizacao-e-as-pensoes-de-reforma.html#links

Manter a contribuição para a Segurança Social no valor igual ao que correspondia aos trabalhadores substituidos pelos robôs será uma solução. Muitos empresários não irão gostar da ideia mas se forem capazes de ver a médio prazo chegarão à conclusão que o retorno do investimento os irá compensar. Desse modo puderá garantir-se a continuidade dos subsídios de desemprego evitando-se, a curto prazo, uma tragédia social. Mas, mais tarde ou mais cedo, os problemas surgirão devido à curta duração dos subsídios.


Portanto, resta-nos como única solução a longo prazo a introdução do Rendimento Básico Incondicional (ver https://rosadosventosan.blogspot.com/search?q=Rendimento+B%C3%A1sico+Incondicional


O Rendimento Básico Incondicional é um rendimento mensal para todos, independentemente das suas necessidades e sem quaisquer contrapartidas. Substituirá a maior parte dos subsídios e permitirá que todos possam viver com dignidade.
Na Finlândia e no Canadá já estão a decorrer projetos-piloto estatais; na Suiça o projecto foi discutido no Parlamento mas não foi aceite por não haver condições; na Alemanha e noutros países o assunto tem sido limitado a debates e algumas iniciativas privadas. Apesar disso, são boas notícias para os defensores do Rendimento Básico Incondicional, nos quais me incluo. 

Os críticos do projecto duvidam das possibilidades de financiamento e receiam o efeito que ele possa ter na sociedade. 
Os apoiantes, incluindo alguns empresários entre os quais os presidentes da Mercedes-Benz e da Siemens, consideram ser uma medida inevitável face à galopante digitalização e à consequente perda de lugares de trabalho e de rendimentos.   



sábado, 26 de janeiro de 2019

-" A robotização e as pensões de reforma"


Foto

Há alguns dias foi publicado um estudo no qual se afirmava que a robotização iria acabar com 1,1 milhões de lugares de trabalho nos próximos 10 anos. É, sem dúvida, uma questão preocupante, principalmente, no que toca à sustentabilidade da nossa Segurança Social.
Não creio que isso aconteça em tão pouco tempo mas não tenho dúvidas de que é inevitável; e mesmo que tivesse, o fascinante cenário do vídeo que se segue dissipá-las-ia.

Vídeo

É evidente que pondo um robô a susbtituir um ou mais trabalhadores os encargos que a Segurança Social terá de suportar irão aumentar, enquanto o valor das Contribuições irá diminuir. Ora, aumentando, neste caso, os subsídios de desemprego e diminuindo as contribuições é lógico que a pressão sobre a S.S. irá aumentar e quando entrar em défice será o "canto do cisne".
Numa inquérito feito há dias, no meio universitário, a maioria dos estudantes não acreditava que fosse ter reforma.
Perante um cenário destes que medidas se irão tomar ? 
Ficaremos nas lamentações ou vai surgir alguèm que tenha a coragem de propor uma solução ?

sábado, 5 de janeiro de 2019

-" A nova religião ! ? ..."


Autor: Pedro Norton   








Fui convidado recentemente pelo meu Pai - o criador e detentor deste blogue - a interpretar o uso do telemóvel, pelas pessoas em geral, como sendo uma nova religião.
Na altura não compreendi de imediato o que é que isto poderia significar, nem tão pouco a dimensão desta perspectiva. Cheguei inclusive a considerar, primeiramente, que seriam de grande número os que desejariam dispor de uma inversão daquilo que são as escolhas comuns de hoje em dia: todas aquelas que os outros rejeitam ou então simplesmente esquecem ter. Como ter amigos e não estar com eles, poder ajudar alguém e simplesmente não querer fazê-lo e, especialmente, ter à disposição, uma vida social recheada de experiências sensoriais biológicas e optar pelas diferentes alternativas virtuais. 
Todas estas possibilidades apenas dizem ao nosso ego que podemos escolher. Passar os dias alimentando um estômago psíquico e uma fome insaciável de seguranças e convicções, sem razão de ser, como se de gula se tratasse. Só as ter. Só as sentir. Mas deveríamos fazer mais? Há 40 mil anos, bastava-nos isso para sermos felizes. No meio de predadores, risco de fome e tantos outros perigos conflituosos com a nossa sobrevivência, que mais poderíamos querer? Quando a medicina interrompeu a selecção natural do ser humano, a nossa espécie pouco mudou, existindo hoje em dia uma satisfação pela colmatação daquelas mesmas necessidades. Estamos socialmente seguros se tivermos o poder de rejeitar: basta-nos saber que há escolha. Estamos satisfeitos pela noção de sermos capazes de criar uma realidade melhor para quem está perto de nós, as outras tribos, os outros grupos, a nossa própria família, mas não necessitamos de o fazer. Nada disto era uma garantia nos nossos primórdios - estávamos todos em risco e só queríamos segurança e hoje ela não se mede pela quantidade de lanças que temos disponíveis ou pelo número de predadores existentes, mas sim pelos "likes" nas nossas fotos, actividades e alcance social virtual. Todos os nossos impulsos básicos biológicos e psicológicos foram transferidos de um mundo austero, perigoso, violento e selvagem para o único em que se tornou mais fácil este tipo de alimentação: o digital. 
Efectivamente a sugestão do meu Pai teve toda a lógica, sendo indiscutível que a fé e a prática religiosa foram os primeiros meios virtuais de satisfação egocêntrica e agora existem outros perfeitamente equiparáveis. A propagação da palavra dos profetas conseguiu uma alienação, na sua maioria inabalável, do cérebro dos fiéis seguidores - processo que envolve, obviamente, neurotransmissores e fenómenos neuroquímicos. Mas quando as religiões estavam a dar os seus primeiros passos, a palavra neurociência estava longe de ser inventada. Hoje a religião do telemóvel tem uma tremenda vantagem, pois consegue saber com exactidão que tipo de "Boa Nova" (novas aplicações) estimularão uma maior produção de dopamina no cérebro, o neurotransmissor responsável pela dependência, vício e prazer. Existem em construção projectos que constituem um autêntico "hackeamento" do cérebro, pelo design de um vício propositado, desenvolvido por neurocientistas. E outros que pretendem a criação de uma rede global de consciência onde possamos vir a estar todos em sintonia e partilha constante de pensamentos - imagino se a palavra privacidade existirá daqui a 20 anos. Felizmente alguns influentes também se encontram a investir em mecanismos digitais que se relacionam com o cérebro, em projectos sem fins lucrativos, com o único objectivo de evitar este "hacking" e proteger a dignidade humana, dotando-a na mesma de um acesso tecnológico que acompanhe os sinais do tempo.
Darei a conhecer todas estas iniciativas num próximo texto e recomendo reflexão sobre que tipo de relação, estabelecem na realidade, os leitores deste blog com o seu telemóvel. 

Contacto: neuroinvestigacao@gmail.com

domingo, 30 de dezembro de 2018

-" Reflexão sobre a megalomania "


A megalomania, ou seja, a mania de grandeza seja de bens ou de poder, afeta tantas pessoas que não há forma de obter dados estatísticos.
A mania das grandezas pode ser benéfica se o afetado tiver bom senso mas, na maoria dos casos, é fatal e resulta na falência financeira e social.
Megalomania é um transtorno psicológico definido por delírios e fantasias de poder, relevância ou omnipotência e é caracterizada por uma exagerada auto-estima das pessoas nas suas crenças e/ou poderes".
Nesta época desenfreada de consumismo, seria bom para todos, principalmente para os mais chegados, que os afetados pela megalomania fossem capazes de fazer um exercício de humildade identificando as vítimas da sua maneira de ser. Seria algo muito louvável que faria com que todos tivessem um melhor Natal.

-" O facebook e os sabichões "


Nesta quadra em que a solidariedade vem ao de cima seria bom que todos fizessemos uma retrospetiva do nosso comportamento, quer no facebook quer no dia-a-dia.
Todos nós já encontramos um "sabichão" que sabe tudo melhor que todos e sempre pronto a "ensinar" até quem tem melhor formação.
A propósito disto, surgiram, ultimamente, duas coisas que, creio, será de grande interesse pensarmos bem nelas e perguntarmos a nós próprios de que modo elas nos atingem.
Uma delas, é um estudo há pouco realizado que revela que os "sabichões"têm falta de metacognição ou seja, são inconscientes da sua ignorância. Só por si, este estudo já nos faz pensar no papel ridículo que teremos feito se alguma vez assumimos o papel de "sabichões"! ...
A outra, é a afirmação do filósofo Bertrand Russel que nos diz que "um dos problemas do mundo é que os "sabichões" estão cheios de certezas e os inteligentes cheios de dúvidas".
Seria muito bom se refletissemos sobre isto, com humildade, nesta quadra natalícia !

sábado, 24 de novembro de 2018

-"Reconstituição da Destruição de Pompeia"

Uma das maiores atrações turisticas de Itália é o campo arqueológico das ruínas da cidade de Pompeia, destruída no ano 79 dC pela erupção do vulcão Vesúvio. Foi uma erupção invulgar sem lava que, no primeiro dia, libertou um gás superaquecido com enorme energia térmica e, no segundo, uma gigantesca coluna de magma e cinzas de 27 quilómetros que, ao abater-se sobre a cidade, a enterrou dando sepultura a cerca de 2.000 pessoas, seguida de uma chuva de pedras superaquecidas que acabou por danificar o que restava.
O museu de Melbourne fez um vídeo que tenta recriar a destruição de Pompeia que, embora não correspondendo à versão conhecida, não deixa de ser impressionante e que pode ser visto a seguir.



Pompeia permaneceu enterrada durante 1.600 anos até que, em 1748, foi encontrada.
Em 1860, começaram os trabalhos arqueológicos e durante as escavações iniciais foram observados certos vazios que continham restos humanos, concluindo-se que eram resultantes da cobertura de material vulcânico que envolveu os corpos dos mortos. À medida que o corpo e a roupa se iam deteriorando, um espaço vazio era deixado. Este espaço vazio representava a forma exata do cadáver na hora de sua morte. Então, o arqueólogo Fiorelli desenvolveu a técnica de injetar gesso nesses espaços para recriar as formas das vítimas da tragédia.




Foram feitos mais de 1.000 moldes que são, hoje, uma atração turística para mais de 2,5 milhões de pessoas por ano.

sábado, 13 de outubro de 2018

-"Comunidade Luso-Indiana"

Os portugueses estiveram na Índia durante quase cinco séculos ( 1498 a 1961 ), em 25 diferentes localidades por toda a península industânica. Ao longo desses cinco séculos, o intercâmbio físico, social e cultural foi tão forte que, dificilmente, se pode falar numa comunidade de luso-descendentes; não porque eles não existam, mas por se encontrarem dispersos pelo vasto território onde o portugueses se fixaram, bem como em Portugal e no estrangeiro.
A indiana talvez seja a maior comunidade de luso-descendentes embora não possa ser quantificada devido à sua dispersão.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

- "Angola na Comunidade "Portugee" ou "Melungeon".



A palavra "melungeon" será de origem angolana ? Será mais uma prova da origem portuguesa desta comunidade ?

Os membros daquela que pode ser a mais antiga comunidade de luso-descendentes desigam-se a si próprios "portugee" mas os restantes americanos dão-lhes o nome de "melungeons".




Alguns investigadores consideram que esta palavra é derivada da portuguesa "melungo" que, por sua vez, deriva da palavra "ma´luno", em quimbundo, que significa "companheiro" ou "amigo" e que foi adotada pelos marinheiros portugueses, de acordo com vários registos.

Há quem considere que o termo foi levado para a América pelos huguenotes que emigraram para a Virgínia em 1700, enquanto outros lhe atribuem, com forma perjorativa, origem inglesa ou turca.
São hipótese demasiado elaboradas sem qualquer fundamento científico.


Como resultado da investigação que fiz, é evidente que a hipótese de a palavra ter origem luso-angolana é a mais credível.

Arnaldo Santos Norton

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

-"A Primeira Comunidade de Luso-Descendentes"


 A Comunidade “portugee” pode ter sido criada pelos sobreviventes das caravelas de Gaspar e de Miguel Côrte-Real que teriam naufragado, em 1501, na costa da Terra Nova ou mais para Sul. Como percurso natural, penetraram nos Apalaches onde encontraram os índios cherokee, como prova a Pedra de Dighton, no Massachusetts, com as suas inscrições de 1511.

Esta minha hipotese contraria a que é apresentada pelo investigador Manuel Mira no seu livro (ver  https://rosadosventosan.blogspot.com/2018/09/mais-antiga-comunidade-de-luso.html


Ele parte do princípio que a comunidade dos” portugee” ou “melungeons”se formou com os portugueses que se fixaram, em 1567, na Florida e, mais tarde, se entranharam nas montanhas dos Apalches em busca de ouro.
É pouco provável que assim tenha sido visto o percurso da Florida a Massachusetts ser gigantesco e as inscrições na Pedra de Dighton terem sido feitas 56 anos antes.
(ver https://rosadosventosan.blogspot.com/search?q=Os+historiadores+renegados)


Desde 1452 que os portugueses, 40 anos antes de Colombo, navegavam ao longo do litoral do continente americano. Nesse ano, Diogo de Teive navegou próximo da Terra Nova, onde mais tarde, em 1474, João Vaz Corte-Real e Álvaro Martins Homem desembarcaram oficializando a sua descoberta. Consta que, em absoluto sigilo, em 1478 João do Estreito e Fernão Dulmoa chegaram à costa do que hoje é os Estados Unidos. Em 1491, Pedro de Barcelos e João Labrador exploraram a costa americana.
Em 1501, os irmãos Gaspar e Miguel Côrte-Real atingem, de novo, a Terra Nova (também conhecida como Terra dos Côrte-Real), onse se inicia a pesca do bacalhau.
No mesmo ano Gaspar Côrte-Real não regressa da sua nova viagem à Terra Nova, acontecendo o mesmo com seu irmão Miguel que o foi procurar.

Os "portugee" têm traços fisionómicos onde se identificam origens europeia, africana e índia.
A origem índia dispensa explicação, a europeia é explicada acima e a africana será, também, de membros das tripulações.




domingo, 23 de setembro de 2018

-“A mais antiga Comunidade de Luso-Descendentes ?...”

“Existe uma comunidade nos Estados Unidos que afirma ser de descendentes
dos náufragos de um navio português que afundou na época das Descobertas”.

Encontrei esta afirmação no decorrer
da investigação que fiz sobre as Comunidades de Luso-Descendentes num livro de Manuel Mira, um investigador há muito residente nos Estados Unidos, que faz revelações surpreendentes.
Segundo ele, existe uma comunidade em Sneedville, uma cidade nas montanhas Apalaches, que reclama a sua ascendência portuguesa e cujos membros se intitulam “portugee”. 


Teriam vindo para Sneedville no século XVII devido às precárias condições de vida no interior das Apalaches, onde viviam muito antes do domínio inglês. Na generalidade são denominados de “Melungeons” (melungos em português) devido aos traços fisionómicos onde se detetam origens europeia, africana e índia.
A única documentação encontrada sobre esta comunidade é o censo de 1784, no qual se afirma que a origem dos Melungos é portuguesa.
O autor refere a existência de uma placa algures onde se lê: “Em 1567 passou por aqui uma expedição espanhola comandada por Juan Pardo” e afirma ser do seu conhecimento anterior que Juan Pardo trouxera portugueses para a Florida. Mais tarde descobriu um livro sobre os Melungos onde se afirmava que estes seriam descendentes de portugueses e espanhóis que foram para certas zonas da Carolina do Norte à procura de ouro e que foram capturados ou auxiliados pelos índios Cherokee.

Ficam estas revelações e o tema para posteriores investigações.

sábado, 8 de setembro de 2018

-"Les portuguais": a comunidade de luso-descendentes de Casamansa, no Senegal"


Depois de 75 anos de domínio francês e de 37 anos de independência os crioulos de Ziguinchor ainda são conhecidos como "les portuguais".

Na margem do rio Casamansa, no Senegal, encontra-se a cidade de Ziguinchor que nasceu a partir de uma feitoria instalada pelos portugueses em 1645.
Da sua população faz parte uma classe social designada por "fijus di terra", constituída por descendentes de portugueses e mulheres de etnia Diola, que ainda hoje mantêm apelidos portugueses como Afonso, Barbosa, de Carvalho, da Silva, e da Fonseca, entre outros.
Esta classe social é dos proprietários da terra, e distingue-se dos demais grupos étnicos pela língua crioula, pela religião católica, pelas maneiras, hábitos e vestes europeus. Talvez a característica mais sonante desta população fosse o conhecido "Domingo de Ziguinchor" em que a população ia à missa e passeava com as melhores roupas e chapéus pelas ruas e jardins de Ziguinchor.


O objetivo da feitoria de Ziguinchor era o comércio com o reino de Casamansa, o reino mais amigo dos portugueses ao longo da costa da Guiné, cujo rei vivia à moda europeia, com mesa, cadeiras e roupas ocidentais, contando com muitos portugueses na sua corte.
Com o passar dos séculos Portugal deixou a região progressivamente abandonada, em favor de outras prioridades, vindo a feitoria a converter-se num simples presídio.
A região de Ziguinchor e de Casamansa foi cedida à França em 13 de Maio de 1886, após pertencer a Portugal durante 240 anos.
No censo de 1963, dos 42.000 habitantes de Ziguinchor, 35.000, falavam o crioulo (83%), e 30.000 tenham o crioulo como língua materna (71,4%).
Depois de 75 anos de domínio francês e de 37 anos de independência os crioulos de Ziguinchor ainda são conhecidos como "les portuguais".

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

-"Comunidade de TUGU (Indonésia)"


Tugu é uma aldeia a poucos quilômetros de Jacarta, a capital da Indonésia, mais precisamente na ilha de Java. Em Tugu sente-se uma tranquilidade típica das aldeias portuguesas para o que contribuem a igreja branca datada do século XVII e um largo com arvoredo que lembra o centro de algumas aldeias de Portugal.


Tugu foi formada no século XVII com os prisioneiros feitos nos territórios portugueses da Índia que os holandeses conquistaram. Com eles trouxeram um crioulo baseado no português que, juntamente com a língua portuguesa passou a ser a língua franca em Batávia (atual Jacarta), capital da antiga Holanda Oriental, bem como nos arredores.
Ainda no século XVII, após o fim do império colonial português no Sudeste Asiático, chegaram àquela zona comerciantes, artesãos e aventureiros oriundos de Malaca, Ceilão, Cochim e Calecute. O cruzamento entre os dois grupos fez nascer os chamados “Portugueses Negros”, que tinham em comum a língua portuguesa e a religião cristã.
Dos casamentos com mulheres portuguesas, os holandeses viram-se forçados a ter que aprender o chamado português corrupto, tanto para a vida doméstica como na comunicação com os povos locais.
Ainda durante muito tempo o português não corrupto foi a língua franca na Indonésia e na costa oriental indiana e utilizado como língua litúrgica, sendo até ensinado nas escolas. 

De 1670 a 1978 (mais de três séculos) a Comunidade de Tugu manteve a sua língua até à morte do seu último falante fluente, Joseph Quiko. Hoje a linguagem sobrevive apenas nas letras das músicas antigas do gênero Keroncong Moresco (Keroncong Tugu
).