Países dos leitores

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sábado, 30 de agosto de 2014

-" Ilha das Flores, na Indonésia, portuguesa durante 350 anos "

Agora que a Indonésia pretende fazer parte da CPLP, será aconselhável que a conheçamos melhor, e principalmente a ilha das Flores que foi portuguesa até 1856, durante cerca de 350 anos, para que não se crie uma polémica idêntica à da Guiné Equatorial. 


No maior país muçulmano do mundo existe uma ilha católica onde ainda se reza em português“. 




Flores é uma ilha da Insulíndia, situada a leste da ilha Java, na Indonésia, tendo Timor a sudeste.

Foi possessão portuguesa durante os séculos XVI a XIX (cerca de 350 anos) tendo sido cedida aos holandeses em 1856,  juntamente com as restantes ilhas de Sonda.
Em Flores falam-se diversas línguas, sendo reconhecidas, pelo menos, seis línguas diferentes





O que resta do antigo Forte português

Os
 comerciantes e missionários Portugueses estabeleceram-se nesta ilha no século XVI, principalmente em Larantuka e Sikka. A sua influência ainda hoje é identificável no falar e na cultura dessas regiões. 




 Monumento a Jesús em Maumere, Flores
A população de Flores é católica na sua quase totalidade, consequência de em Larantuca ter sido fundada uma das primeiras missões abertas pelos dominicanos portugueses, em finais do século XVI.
Todos os anos é celebrada a Semana Santa, que mantém a terminologia portuguesa e muitos dos costumes específicos da celebração desta cerimónia em Portugal. Grande parte da população católica sabe ainda hoje rezar em português antigo, apesar de o falar correcto da língua portuguesa já se ter perdido na região. Muitas destas tradições são mantidas pela Confraria de Nossa Senhora do Rosário que ao longo de quatro séculos presiste, continuando a chamar-se Confreria Reinha Rosari.
Na Indonésia 89% dos cerca de 250 milhões de habitantes são muçulmanos. A ilha das Flores entre os cerca de um milhão de habitantes, 85% são católicos.

Palavras portuguesas na língua indonésia

Só umas poucas palavras entraram na língua indonésia.
Por exemplo:
bangku ‘banco’
bibliotek ‘biblioteca’
gereja ‘igreja’
jendela ‘janela’
kapela ‘capela’
katedral ‘catedral’
meja ‘mesa’
minggu ‘domingo’
paroki ‘paróquia’
pasear ‘passear’

Expressões portuguesas usadas na região de Larantuka e Maumere

Dias da semana (usados até hoje):
Segunda-fera, tersa-fera, kwarta-fera, kinta-fera, sesta-fera, sábadu, domingo.
Nomes próprios:
Da Silfa, Da Gomes, Joanes Ribéra, Pârera, Da Cuña, Da Lopez, Carvalo, De Rosari, De Ornai, Rita.
Relação familiar:
Tio/tia, cuñadu/cuñada, pa (pai), ma (mãe), nina (menina), siñu Da Gomes (senhorzinho Gomes, no sentido de pequeno ou de carinho), nina Da Gomes (senhorita Gomes, no mesmo sentido).
Catolicismo:
Prosesi (procissão), Reña Rosari (santa padroeira de Larantuka), Tuang Mâ (Nossa Senhora), Tuang Deo (Deus), San Domingu, San Juan, konféria (confraria), gereja (igreja), katedral, kapela, paroki, cruz, promesa, kristang (cristão), missa, paji (padre), tuang paji (teu padre, senhor padre).
Termos do dia-a-dia:
pasear, jandela, meja, bangku, kadéra, garfu, sâpátu, almari (armário), sem (sem), nyora (senhora), statua (estátua), berok (barco), minyoka (minhoca), redaku, sândál (sandália), ose (você), senyor (senhor: para pessoas que têm autoridade ou para os mais velhos), espada, kamija (camisa), mamonti (prato cheio, como um “monte”), tésta.

Na região de Larantuka, o grupo da Konféria sempre usa a língua portuguesa nas orações e no seu boletim.

domingo, 17 de agosto de 2014

-" Crioulos de base lexical portuguesa "

O crioulo surge pela necessidade de comunicação entre falantes de línguas diferentes num meio dominado por uma língua de prestígio.
Os linguistas não são unânimes quanto à classificação dos crioulos, dando-lhe, uns, a classificação de língua mas a maioria considera-os dialetos.
No estudo dos crioulos, a maior curiosidade é a quase inexistência de crioulos espanhóis. As línguas crioulas de base hispânica tiveram origem ou foram influenciadas por um crioulo português pré-existente. Mesmo em lugares onde a colonização portuguesa não se fez presente com grande alcance de dominação cultural, como em Palenque, na Colômbia, ainda hoje se fala um crioulo espanhol no qual se veem claras influências portuguesas.
O contacto da língua portuguesa com outras línguas da África, da Índia, da Ásia Oriental e das Américas, Central e do Sul, deu origem a vários crioulos de base lexical portuguesa.
 













sábado, 9 de agosto de 2014

- " Tecnologia digital para preservar os jornais portugueses do Havaí

WU, Nina. Endangered collection.
Extraído do jornal Honolu, Havaí, .Publicado em: 06 out. 2013.

No Havaí, Estado norte-americano situado em meio ao Oceano Pacífico, há uma comunidade lusófona e lusodescendente de cerca de 60 mil habitantes – 4,3% da população, de acordo com o Censo dos Estados Unidos da América.




No século XIX, quando havia o então Reino do Havaí, já estava instalada uma ativa comunidade portuguesa. Vindos dos Açores e da Madeira, eles levaram ao meio do Pacífico as malassadas, o pão doce parecido com as filhós, e o ukulele, instrumento musical de cordas semelhante ao cavaquinho. Duas manifestações culturais portuguesas vistas pelo mundo como genuinamente havaianas.
Essa comunidade portuguesa atravessou metade do planeta e chegou ali a publicar vários jornais com notícias em Língua Portuguesa.
No Havaí, há uma comunidade lusodescendente de cerca de 60 mil habitantes — 4,3% da população do Estado norte-americano, segundo o Censo dos EUA.
Por cinco centavos de dólar uma cópia, os leitores do jornal de Língua Portuguesa O Luso em novembro de 1915 poderiam encontrar histórias de primeira página sobre a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Mexicana sob as manchetes “Notícias da Guerra” e “Notícias do México”.

O semanário de quatro páginas teve a maior circulação dentre os jornais de Língua Portuguesa publicados no Havaí entre 1885 e 1927 e foi o de duração mais longa.
As únicas cópias originais conhecidas de O Luso e de outros oito jornais de Língua Portuguesa da época são parte de uma coleção da Sociedade Histórica do Havaí, alojada nos Arquivos e Sítios Históricos dos Lares Missionários do Havaí.
“É uma coleção rara, ameaçada de extinção”, disse Barbara Dunn, diretora administrativa e bibliotecária da Sociedade. “A informação é valiosa. É uma voz do final do século XIX que está à espera de ser descoberta.”

Como parte da iniciativa de digitalização mais recente desta Sociedade, os jornais serão incluídos no acervo dos Arquivos Luso-Americanos Ferreira-Mendes, da Universidade de Massachusetts em Dartmouth, que já oferece acesso público em linha na Internet de jornais dos Estados de Massachusetts e da Califórnia.O órgão dos arquivos em Dartmouth entrou em contacto com a Sociedade em junho de 2010 para iniciar o projeto, que ajudou a custear após descobrir a existência dos jornais do Havaí através de registos da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos [em Washington].
No final da primavera no Havaí [entre maio e junho de 2013], a Sociedade embarcou três volumes empacotados sob medida dos jornais — segurados e avaliados em cerca de 15 mil dólares — para a ArcaSearch, uma empresa do Estado de Minnesota especializada na digitalização de documentos antigos.A ArcaSearch recentemente embarcou de volta os jornais, e as suas páginas delicadas e amareladas foram embrulhadas em um papel à prova de ácidos e retornadas às prateleiras de conservação da Sociedade.De um ponto de vista histórico, Barbara Dunn disse que os jornais refletem o pensamento da comunidade portuguesa do Havaí de finais do século XIX e início do século XX e o que lhe era importante na época.
O primeiro português registado que veio para as ilhas, de acordo com algumas anotações históricas, foi John Elliot de Castro, que navegou para o Havaí em 1814 e eventualmente tornou-se um médico pessoal do rei Kamehameha I [que unificou o arquipélago e fundou o Reino do Havaí em 1810; o reino durou até 1893, quando foi anexado aos Estados Unidos].
Várias ondas de famílias portuguesas imigraram para o Havaí principalmente entre 1878 e 1913 (baseado nos registos náuticos) vindos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar.Eles também eram comerciantes, agricultores, paniolos [vaqueiros do Havaí] e líderes respeitados na comunidade.“É interessante saber quem eram os editores e as casas publicadoras”, disse Barbara Dunn.G. F. Affonso, do semanário da cidade de Hilo chamado A Seta, também trabalhou para o jornal The Honolulu Advertiser, e J. M. de Freitas, da Aurora Hawaiiana, era um membro do conselho eleitoral local.Além de anúncios, desenhados à mão, de empresas tanto de portugueses quanto de norte-americanos — de vinhos por A. Fernandes e de mobiliário pela C. E. Williams & Son —, os jornais ofereciam notícias locais, nacionais e internacionais, juntamente com anúncios de nascimentos, mortes e casamentos.Incluíam ainda cartas dos leitores, anúncios especiais e, por vezes, seleções da literatura portuguesa.
–– “Nove jornais para uma comunidade pequena e iletrada ––

A arquivista de bibliotecas dos Arquivos Ferreira-Mendes, Sónia Pacheco, diz que a meta da organização é digitalizar todos os jornais e revistas de Língua Portuguesa publicados nos Estados Unidos e torná-los disponíveis em linha na Internet.
É preferível escanear os originais em vez de microfilmá-los, disse; e para isso a descoberta dos jornais no Havaí foi estimulante.
1887


                                                                              1912
                                                                       


                                                                                   1917
                                                                           


1933
                                                                                                                                                      
Sónia Pacheco planeia ir ao Estado do Havaí no final do ano, quando os jornais já estiverem disponíveis em linha, para dar uma apresentação sobre como pesquisar nos arquivos. Enquanto o banco de dados será em inglês, os termos de pesquisa devem ser em Língua Portuguesa.
“Muitas pessoas estão familiarizadas com a história, mas não entendem o que está escrito nos exemplares, e o surpreendente é que lá foram nove títulos de jornais para uma comunidade pequena e, em sua maioria, iletrada”, disse. “Para os genealogistas, esta é uma oportunidade enorme. Para os historiadores sociais, isto abre um novo mundo.”
Como parte da primeira fase da digitalização, a Sociedade no ano passado trabalhou juntamente com a Biblioteca Hamilton, da Universidade do Havaí em Manoa, para postar os microfilmes dos jornais ao repositório digital eVols [da universidade havaiana], graças a uma contribuição do Fundo George Mason [de financiamento de projetos académicos do Estado do Havaí].




Doris Naumu é presidente da Sociedade Histórica Genealógica Portuguesa do Havaí.
O acesso aos jornais será de grande valor, de acordo com Doris Naumu, presidente da Sociedade Histórica Genealógica Portuguesa do Havaí, uma organização sem fins lucrativos gerida por voluntários e que ajuda as pessoas na pesquisa das árvores familiares.“Acho que toda a genealogia agora está melhor com a tecnologia moderna”, disse Doris Naumu.“Agora que estão a ensinar as pessoas como reconhecer traços de seus antepassados, é bom conhecer as histórias, bem como os nomes, porque eles ganham vida para você. É bom aprender tudo isto.”Doris Naumu descobriu, através de listas telefónicas velhas, que o ramo português de sua família gerenciou lojas de joalharia.
As metas da Sociedade Histórica do Havaí são preservar e tornar os jornais históricos mais acessíveis ao público. Com a digitalização dos jornais, o público não precisará manusear as páginas quebradiças, o que lhes causa maior deterioração. E colocando-as em linha na Internet, elas estarão disponíveis para mais pessoas ao redor do mundo.“Assim como a Sociedade Histórica do Havaí, queremos de facto tornar todos estes materiais disponíveis, com acesso livre e aberto”, disse Barbara Dunn.Para a Sociedade, o projeto é apenas o primeiro passo em direção aos esforços de digitalizar todo o seu acervo, que inclui 64 jornais publicados em inglês, havaiano e português.  :::
(Tradução de Ronaldo Santos Soares.)

domingo, 20 de julho de 2014

- " A ajuda que Portugal deu a Israel na guerra israelo-árabe de 1973 "

Esta é uma história que também faz parte da nossa História. É a lição que nos mostra que podemos sempre fazer a diferença. Se para uns somos insignificantes, para outros somos a esperança nos tempos mais negros

 
Autoria de Romeu Monteiro ( doutorando em engenharia eletrotécnica na Universidade de Aveiro e na Carnegie Mellon University)
12 Mar 2014  
A maior parte dos estrangeiros sabe pouco ou nada de Portugal. Somos vistos por muitos como um país irrelevante, que poderia deixar de existir sem causar um bocejo. Para muita gente num outro país, somos aqueles que ajudaram a que o seu país não deixasse de existir.
Avançámos quando outros mais fortes não ousaram e, com um pequeno gesto, evitámos guerras. É tempo que em Portugal se conte esta história que é nossa também.
Em Outubro de 1973, celebrava-se em Israel o dia mais sagrado do calendário judaico quando os exércitos da Síria e do Egipto lançaram uma invasão surpresa. Já em 1948 e 1967 haviam iniciado guerras contra Israel com o propósito declarado de aniquilar o país e “atirar os judeus ao mar”. Desta vez contavam com armamento e soldados adicionais da Jordânia, Iraque, Koweit, Arábia Saudita, Cuba, União Soviética e Coreia do Norte. Apesar da rápida mobilização das tropas israelitas, os tanques árabes iam ganhando terreno. Em Israel instalava-se o pânico. A primeira-ministra Golda Meir estava preparada para se deslocar a Washington e implorar aos EUA para reabastecerem Israel com armas, aviões e outro material bélico, tais as derrotas que as tropas israelitas estavam a sofrer. Apesar de os EUA permitirem o reabastecimento, havia um problema: os países europeus recusavam-se a autorizar os aviões americanos a usar as suas bases e espaços aéreos na rota entre a América e Israel. Sabiam que seriam punidos pelos países árabes por estarem dependentes do seu petróleo.
Ao ficar a par desta situação, o Governador dos Açores telefona para Washington e disponibiliza a base das Lajes na Ilha Terceira.
Pouco tempo depois, começa a operação Nickel Grass e a pequena base passa a operar dia e noite, albergando milhares de pessoas em abrigos improvisados. Os primeiros aviões começam a aterrar na Terceira, e daí seguem para Telavive. Em Israel, espera-se e desespera-se. Até que, finalmente, a ajuda começa a chegar a partir do céu: são os aviões que vêm de Portugal. Um, depois outro, e mais, sempre a chegar.
Depois das pesadas derrotas iniciais, os israelitas dão a volta à guerra e recuperam o território que tinham perdido até aí. Pouco depois, acorda-se o cessar-fogo. Após a guerra, o Egipto é forçado a reconhecer que não é capaz de destruir Israel ou de atingir os seus propósitos através da guerra. Assim, em 1978, assina um acordo em que recebe a península do Sinai em troca da paz, um acordo que se mantém até hoje. O Egipto torna-se o primeiro e maior país árabe a reconhecer Israel e a estabelecer relações diplomáticas e comerciais com este, abrindo a porta a outros países árabes que viriam a fazer o mesmo.
Depois de 1973 Israel não voltou a ser invadido. Ficou nos habitantes do país um respeito especial pela atitude de Portugal num dos momentos mais traumáticos da sua História, quando o resto da Europa os havia abandonado.
Conheci esta história através de um israelita que era soldado em 1973 e assistiu ao alívio de ver chegar os aviões vindos de Portugal. Aviões carregados de esperança e de futuro para uma nação pequena e jovem. Os judeus religiosos acreditam numa passagem da Bíblia que diz que Deus abençoará aqueles que abençoam Israel. Coincidência ou não, a verdade é que seis meses depois seria Portugal a conhecer a liberdade e a esperança num futuro melhor e livre de guerras.

Esta é uma história que também faz parte da nossa História. É a lição que nos mostra que podemos sempre fazer a diferença. Se para uns somos insignificantes, para outros somos a esperança nos tempos mais negros. Ontem salvámos um país. Está nas nossas mãos o que faremos amanhã.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

-" Portugal ganhou a "copa"

Uma perspectiva inteligente da actuação portuguesa no Brasil, em tempos de “Copa”. Vale a pena ler.



Por Norma Couri em 24/06/2014 

Carlos Drummond já dizia que não existe consolo na perda, o importante é ganhar. E o empate com os Estados Unidos no último minuto do jogo de domingo (22/6) não animou Portugal, que precisa vencer Gana na quinta-feira (26), e torcer para os Estados Unidos não empatar com a Alemanha – algoz dos portugueses com placar de 4×0. semana passada. Mas como tudo depende do ponto de vista, Portugal deve exultar pelas conquistas desta Copa no Brasil. Onde mesmo? Nos palcos, nas telas, nos livros, na arte e na imprensa que nunca antes na história deste país abriu tanto espaço e prestígio para a antiga Corte com quem travamos há cinco séculos uma relação de amor e… não ódio, gozação. Sem estreitar o oceano que nos separa.

Pelo menos sem deixar Portugal se tornar um imenso Brasil aqui dentro, como Chico Buarque pretendia ao cantar “Fado Tropical”. Ou como José Saramago torcia para que Portugal se deslocasse do mapa europeu e se unisse, num continente único, ao Brasil e à África (Jangada de Pedra,Companhia das Letras).
O que se ouviu na homenagem ao Dia de Portugal (10 de junho, comemorado dia 13) na sala de concertos mais luxuosa da América Latina, a Sala São Paulo, foi um Antonio Zambujo ecoar com acústica que atravessa séculos “ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal/ ainda vai tornar-se um imenso Portugal”. Eram 1.500 pessoas, 100 ficaram na porta, a maioria brasileira, cantando junto com a última descoberta musical do país, Antonio Zambujo, o preferido de Caetano Veloso. Com quatro CDs no Brasil – “Outro Sentido”, “Guia”, “Quinto”, “O Mesmo Fado” –, desde Amália Rodrigues um músico português não fazia tanto sucesso como este alentejano de 38 anos que faz reviravoltas rítmicas até em Lupicínio Rodrigues e virou xodó nas nossas praias. A plateia delirou. “Foi fantástico, não quero mais ir embora, quero morar aqui, neste lugar, nesta casa”, respondeu o músico que, quando menino em Beja, costumava tocar com talheres de madeira na falta de instrumentos próprios, não podia viver sem música.
Outros fantásticos cantores, compositores, instrumentistas passaram e passam por aqui: Sergio Godinho, Vitorino, o conjunto à capela Tetvocal, Eugenia Mello e Castro. Mas só nesta Copa do Mundo as fronteiras culturais ficaram escancaradas mesmo quando, três dias depois do show de Zambujo, o Brasil amargou a apatia dos portugueses na partida contra os alemães que há muito “jantam” a Europa no tabuleiro econômico.
Gol de placa
Portugal entrou para valer. Saramago ainda não conseguiu modificar o mapa do mundo, mas seu romance O HomemDuplicado está nos cinemas numa adaptação do canadense Denis Villeneuve e figura entre os melhores em cartaz, disputando plateia com o campeonato mundial. Manoel de Oliveira sempre foi cultuado, mas em círculos cinéfilos. José Fonseca e Costa já nos brindou com excelentes filmes como A Mulher do Próximo, com Fernanda Torres. Miguel Gomes começou a brilhar há dois anos no Brasil com Tabu, homenagem à obra de Murnau (1931). E Maria de Medeiros só agora emplaca na ex-colônia como atriz e diretora em filmes e peças, inclusive apresentando o show de Zambujo.
No sábado (21/6), um dia antes da partida contra os Estados Unidos, a imprensa brasileira abriu espaço para o livro Jogada Ilegal (Gryphus), do jornalista português Luis Aguilar, expondo os escândalos que cercam a cúpula do futebol (“Prosa e Verso”, O Globo, 21/6/2014, ver aqui). O mesmo jornal apresentou o perfil saboroso da poeta portuguesa nômade, Matilde Campilho, autora de Jóquei, que conquistou fãs como Chacal (“Matilde é um caso único de taquigrafia poética”). E no mesmo dia o Estado de S.Paulo reservou página inteira para a obra do escritor convidado para a FLIP, Almeida Faria. A Paixão (Cosac Naify) narra a agonia do regime de Salazar que dirigiu o destino de Portugal por mais de 40 anos.
Os azulejos da artista Manuela Pimentel, redesenhados sobre camadas de grafite, vão ser expostos no Rio de Janeiro em sua coleção “Murmúrios de Muros”, agora no Instituto Portoghese di Sant’Antonio em Roma – é o que nos informa O Globo em página colorida. Está em exposição no consulado português de São Paulo a obra de 60 anos do artista luso-brasileiro Fernando Lemos, “Desenho, Só Desenho – a Sós”. Isso para citar alguns.
Foi a surpresa da Copa, depois de ver nos alemães a alegria e os passos de “Lepo Lepo” que esperávamos dos portugueses, o que mereceu dos cariocas a piada “os brutos também amam”. Mas se houve decepção com o jogador mais rico do mundo, Cristiano Ronaldo – fortuna avaliada em R$ 450 milhões, salário anual líquido de R$ 51,7 milhões no Real Madri –, Portugal, o país, conquistou aqui a estrela da sorte.
Como lembrou Roberto Pompeu na última página da edição corrente de Veja, no artigo “Imagina na Copa”, duas Copas atrás Portugal tinha um jogador que se chamava Luis Boa Morte, e estava longe de inspirar bom agouro. Agora, do goleiro Rui Patrício ao meio campo João Moutinho, os nomes lusitanos nos conduzem aos romances portugueses do século 19. Um deles, Fábio Coentrão – sugere Pompeu – até podia ser um cunhado do padre Amaro.
Isso, sim, é uma vitória nunca alcançada, apesar de todos os esforços econômicos e políticos ao longo dos séculos. Não é que o golaço foi acontecer nesta Copa, pela lateral, sem bater na trave, distante das arenas e quando ninguém esperava? 
***
Norma Couri é jornalista

quinta-feira, 19 de junho de 2014

-" Conheça MANAUS, a capital da Amazónia"

Manaus, capital da Amazonia vai ver a Copa do Mundo numa participação “Portugal” X “Estados Unidos” e certamente reunir vários milhares de portugueses e luso-brasileirsos que se preparam para invadir o estádio manauara. Grupos de portugueses de Fortaleza, Belém, Recife e Salvador já se preparam. E no Teatro Amazonas haverá fados…
Localizada no coração da floresta amazônica e às margens do belíssimo rio Negro, Manaus é a principal metrópole e o mais popular destino turístico do norte brasileiro. Por estar cercada de natureza, a cidade é porta de entrada para diversos passeios ecoturísticos na região.
Um dos mais famosos é o tour de barco que leva os viajantes até o encontro dos rios Negro e Solimões. O curioso é que as águas – uma barrenta e a outra mais escura – seguem lado a lado por seis quilômetros sem se misturar. Além desse passeio, outra atividade ecológica imperdível é a visita ao Parque Nacional de Anavilhanas, um arquipélago fluvial com praias, ilhas, mangues e trilhas no meio da selva.
Já em terra firme, a capital amazonense encanta os turistas com seu rico patrimônio arquitetônico e cultural, como o imponente Teatro Amazonas – o maior símbolo da época em que a cidade prosperou com o ciclo da borracha. Para experimentar os sabores amazonenses e conhecer os produtos típicos, o recém-remodelado Mercado Municipal Adolpho Lisboa é parada obrigatória. Já para quem quer relaxar em uma praia, a orla de Ponta Negra oferece opções de lazer e um dos melhores pontos para observar o pôr do sol no rio Negro.
Campeonato do Mundo 2014
Durante o Campeonato do Mundo, Manaus receberá quatro jogos da primeira fase em sua moderna Arena da Amazônia: Inglaterra x Itália (14 de junho, às 18h), Croácia x Camarões (18 de junho, às 18h), Portugal x Estados Unidos (22 de junho, às 18h) e Suíça e Honduras (25 de junho, às 16h).
Vai visitar Manaus durante os jogos da Copa do Mundo? Então não deixe de conhecer a seguir os pontos turísticos imperdíveis na capital amazonense

Teatro Amazonas
Principal cartão-postal da cidade, o Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896 como prova da prosperidade e riqueza do ciclo da borracha na região. Além da importância histórica, seu valor arquitetônico é único. Junto aos elementos neoclássicos, o edifício ganhou vários outros estilos que o caracterizam como uma composição eclética, com materiais e obras de arte trazidas da Europa. Sua imponente cúpula tem 36 mil peças de cerâmica esmaltada e o colorido é uma homenagem à bandeira brasileira. Com capacidade para 700 espectadores, o teatro realiza apresentações populares frequentes (muitas gratuitas) e diversos festivais de música ao longo do ano. O local é a casa da Companhia de Dança, Coral e Orquestra Filarmônica do Amazonas.
Serviço: Praça São Sebastião – Centro | Aberto de segunda a sábado, das 9h às 17h | Visitas guiadas de segunda a sábado, das 9h às 17h, com grupos saindo de meia em meia hora. Valor: R$ 10

Encontro dos rios Negro e Solimões
Um dos passeios turísticos mais populares de Manaus é o tour de barco que leva os turistas até a confluência dos rios Negro e Solimões. Por causa de suas diferentes temperaturas, densidades e correntezas, esses dois rios – um com água barrenta e o outro com aparência mais escura – seguem lado a lado por aproximadamente 6 km, sem se misturar. Além de observar esse espetáculo natural incrível, é possível ainda ter a companhia de botos que frequentemente aparecem no trajeto. Algumas embarcações combinam o encontro dos rios com visitas a igapós com vitórias-régias e algumas comunidades ribeirinhas.
Serviço: Amazon Explorers (saída de terça a domingo, das 9h às 15:30), Fontur (diariamente, das 9h às 17h). Valor médio: R$ 140

Mercado Municipal Adolpho Lisboa
Após ter ficado sete anos fechado para reforma e ampliação, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa foi reinaugurado no ano passado durante o aniversário de 344 anos da cidade. A restauração do edifício, que mistura vários estilos arquitetônicos, contemplou a repaginação de alguns espaços já existentes e novas áreas e boxes mais amplos. Ali, o turista faz a festa: são diversos pontos de vendas de produtos típicos na região, como frutas exóticas, peixes, sementes, chás e plantas medicinais da Amazônia.
Serviço: Rua dos Barés, n° 46 – Centro | Aberto diariamente, das 8 às 18h

Parque Nacional de Anavilhanas
Por meio de tours que partem de Manaus, é possível conhecer as belezas do Parque Nacional de Anavilhanas, que foi criado para preservar o arquipélago fluvial, a área de florestas, os ecossistemas existentes, além de praticar ações de educação ambiental e turismo sustentável na região. O parque, que abrange a capital amazonense e o município de Novo Airão, possui 350 mil hectares de rios labirínticos e floresta virgem. Em determinada época do ano, entre setembro e fevereiro, o nível do rio abaixa e o turista pode observar as praias com areias brancas que se formam e desbravar as trilhas no meio da selva.
Serviço: Os passeios com barcos e lanchas demoram de 3 a 9 horas para chegar ao local. A Arquipélago Tours (www.arquipelagotours.com) é uma das empresas que realizam o trajeto.

Palacete Provincial
Inaugurado em 1875, o Palacete Provincial abrigou originalmente órgãos da administração pública: a Assembléia Provincial, Repartição de Obras Públicas, Biblioteca Pública e o Liceu – atualmente conhecido como Colégio Amazonense D. Pedro II. Depois, por mais de 100 anos, o edifício serviu como quartal da polícia, até ser fechado em 2014 para reformas e reinaugurado dois anos depois. Hoje, é administrado pela Secretaria de Cultura do Amazonas e engloba diversos museus: Museu de Numismática, Museu da Imagem e do Som do Amazonas, Pinacoteca do Estado, Museu de Arqueologia e o Museu Tiradentes.
Serviço: Praça Heliodoro Balbi, s/n | Aberto de terça a quarta, das 9h às 17h; quinta a sábado, das 9h às 19h e domingo, das 16h às 20h | Atração gratuita

Palácio Rio Negro
Construído no final do século 19 para ser a residência oficial do barão Waldemar Scholz, o Palácio Rio Negro é outro belíssimo exemplar arquitetônico da época do ciclo da borracha. O prédio abrigou até 1995 a sede do governo estadual e, hoje, funciona como um centro cultural. Além da fachada, pisos, objetos e alguns exemplares de mobílias originais, o lugar conta com exposições permanentes e temporárias, galeria de honra dos ex-governadores, visitas guiadas ou teatralizadas e outras atividades culturais.
Serviço: Avenida Sete de Setembro, 1540, Centro | Aberto terça a sexta, das 10h às 16; domingo, das 17h às 20h

Catedral Metropolitana de Manaus
Erguida de frente para o Porto e o rio Negro por volta de 1695, a Catedral Metropolitana de Manaus foi a primeira igreja a ser construída na cidade. Em 1850, a então Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição sofreu um incêndio e teve que ser totalmente reconstruída. A atual edificação, em estilo grego, teve grande parte do seu material trazido da Europa, principalmente de Portugal. As telhas vieram de Nova Rainha, município amazonense conhecido hoje como Parintins.
Serviço: Praça Oswaldo Cruz, s/n – Centro

Praia da Ponta Negra
Localizada a 13 quilômetros do centro de Manaus, a Praia da Ponta Negra é um dos principais pontos turísticos da capital amazonense. Se antes o bairro era uma região isolada do restante da metrópole e sem muitos atrativos, hoje Ponta Negra tem muito a oferecer ao visitante. Além da orla voltada para o rio Negro, a área conta com shopping, condomínios de alto padrão, anfiteatro, mirantes, restaurantes, estacionamento e equipamentos desportivos. Com o aterro realizado recentemente, a praia, antes só vista em períodos de seca, pode ser aproveitada durante todo o ano. Nos finais de semana, a avenida que cruza a orla fecha e os moradores e turistas podem desfrutar de um calçadão para correr, caminhar, andar de skate, patins ou admirar o belíssimo pôr do sol sobre o rio Negro.

Arena da Amazônia
O famoso estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, cedeu lugar para uma nova e moderna arena multiuso com capacidade para receber até 44,5 mil espectadores. A Arena da Amazônia foi construída de acordo com conceitos de sustentabilidade e sua arquitetura buscou inspiração na floresta amazônica, com a fachada e cobertura lembrando um gigantesco cesto de palha indígena.
O estádio abriga camarotes, elevadores, 400 vagas em um estacionamento subterrâneo, acessibilidade para portadores de necessidades especiais, restaurante, sistema de aproveitamento de água da chuva, estação de tratamento de esgoto e ventilação natural para redução do consumo de energia. Durante a Copa, a arena receberá quatro jogos da primeira fase: Inglaterra x Itália (14 de junho, às 18h), Croácia x Camarões (18 de junho, às 18h), Portugal x Estados Unidos (22 de junho, às 18h) e Suíça e Honduras (25 de junho, às 16h).
Serviço: Avenida Constantino Nery, s/n – Flores (entre o aeroporto e o centro histórico da capital amazonense) | arenadaamazonia.co

quarta-feira, 23 de abril de 2014

- " Onde os Portugueses deixaram a sua "Pegada"


PAÍSES E TERRITÓRIOS ONDE OS PORTUGUESES DEIXARAM A SUA “PEGADA”


Além dos países e territórios a seguir mencionados, onde a "pegada" pôde ser identificada, existem outros com fortes indícios mas que ainda não puderam ser comprovados cientificamente. Estima-se que a totalidade dos países e territórios nos quais a influência dos portugueses se fez sentir seja de cerca de 55 nos quatro cantos do mundo.


Norte de África

MARROCOS


Ceuta (1415-1640); Alcácer-Ceguer (1458-1550); Aguz (1506-1525); Tânger (1471-1662); Arzila (1471-1550,1577-1589); Mazagão (1485-1769); Ouadane (1487- sécXVI);
Agadir (1505-1769) Safim (1488-1541); Mogador (1506-1525); Azamor (1513-1541)


Árica Subsariana
 

MAURITÂNIA - Arguim (1455-1633)

CABO VERDE - (1642-1975)
SENEGAL - Ziguinchor (Casamança) (1645-1888)
GUINÉ-BISSAU - (1879-1974)
GANA - Acra (1557-1578) Costa do Ouro (1482-1642) São Jorge da Mina (1478-1778)
BENIM - Fortaleza de São João Baptista de Ajudá (1680-1961)
GUINÉ EQUATORIAL - Ano Bom (1474-1778) - Fernando Pó (1478-1778)
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - (1753-1975)
ANGOLA - (1575-1975)               CABINDA (1883-1975)
MOÇAMBIQUE - (1501-1975)
TANZÂNIA - Quíloa (1505-1512)
ZANZIBAR - (1503-1698)
QUÉNIA - Melinde (1500-1630) - Mombaça (1593-1698, 1728-1729)
IÉMEN - Socotorá (1506-1511)



Ásia Ocidental 

OMÃ - Mascate (1515-1650)
IRÃO - Ormuz (1515-1622) Bandar Abbas (1506-1615)
BAHREIN - (1521-1602)  


Subcontinente Indiano 


ÍNDIA


Laquedivas (1498-1545); Cochim(1500-1663); Coulão(1502-1661); Cananor(1502-1663); Nagapattinam (1507-1657); Goa (1510-1962); Calecute (1512-1525); Maldivas (1518-1521,1558-1573); Paliacate (1518-1619); Chaul (1521-1740); São Tomé de Meliapor (1523-1662) (1687-1749); Chittagong (1528--1666); Salsete (1534-1737) Bombaim (Mumbai) (1534-1661);Baçaim (1535-1739);); Diu (1535-1962); Cranganor (1536-1662); Surate (1540-1612)
Thoothukudi (1548-1658); Damão(1559-1962); Mangalore (1568-1659); Hughli (1579-1632); Masulipatão (1598-1610); Dadrá e Nagar-Aveli (1779-1954)

SRI LANKA - Ceilão Português (1518-1658)
  
BANGLADESH - Chittagong (1528-1666)


Ásia Oriental e Oceânia

INDONÉSIA


Bante (séc. XVI-XVIII); Flores (século XVI-XIX) Macáçar (1512-1665);

Ternate (1522-1575), Molucas (Amboina) (1576-1605) Tidore (1578-1650) 

MALÁSIA - Malaca Portuguesa (1511-1641)

TIMOR PORTUGUÊS (Timor-Leste) (1642-2002)

CHINA - Macau (1557-1999)

JAPÃO - Nagasaki (1571-1639)


América do Norte

TERRA NOVA - (1501–1570?); LABRADOR - (1501-1570?); NOVA ESCÓCIA (1519–1570?)


América Central e do Sul

BRASIL - (1500-1822);

BARBADOS - (1536-1620)

URUGUAI - Colónia do Sacramento (1680-1777); Província Cisplatina (1808-1822)
GUIANA FRANCESA
(1809-1817)

  CURAÇAO;     ARUBA;    BONAIRE;     SURINAME .